Israel continuará com ofensiva em Gaza apesar de resolução da ONU

JERUSALÉM (AFP) — O primeiro-ministro de Israel, Ehud Olmert, afirmou que os país prosseguirá com sua campanha militar em Gaza apesar da resolução aprovada pelo Conselho de Segurança da ONU que pede um cessar-fogo imediato.

"Israel nunca aceitou que uma influência externa decida em seu direito de defender seus cidadãos. As IDF (Forças de Defesa de Israel) continuarão a operar para defender os cidadãos de Israel", afirma Olmert em um comunicado.

"Os disparos de mísseis desta manhã contra os cidadãos do sul apenas provam que a resolução da ONU não é prática e não será respeitada pelas organizações terroristas palestinas", acrescentou o premier israelense.

Esta manhã, o Exército de Israel registrou seis lançamentos de foguetes do tipo Grad procedentes de Gaza, que caíram no sul do país, em Ashdod e Beersheba (a 40 km da Faixa de Gaza), ferindo uma pessoa.

As Forças Armadas israelenses também anunciaram em um comunicado ter bombardeado 50 objetivos na Faixa de Gaza.

O Conselho de Segurança das Nações Unidas aprovou na noite de quinta-feira um pedido de cessar-fogo "imediato e duradouro" na Faixa de Gaza, que leve à "total retirada" das forças israelenses do território.

A resolução 1860, adotada por 14 votos a favor e a abstenção dos Estados Unidos, "condena todo ato de violência e hostilidade dirigido contra civis e todo ato de terrorismo", sem citar diretamente os disparos de foguetes do grupo radical palestino Hamas contra Israel.

A medida enfatiza a necessidade de "uma distribuição e provisão da ajuda humanitária sem barreiras, incluindo comida, combustível e tratamento médico".

O documento felicita "as iniciativas dirigidas a criar corredores humanitários e outros mecanismos para a entrega da ajuda humanitária" e pede aos Estados membros da ONU apoio aos "esforços internacionais para aliviar a situação humanitária e econômica em Gaza".

A resolução solicita aos Estados membros que intensifiquem os esforços visando o retorno à calma a Gaza, que inclua a repressão ao contrabando de armas e munição e garanta a abertura dos pontos de passagem.

O documento defende ainda uma paz baseada na visão de uma região onde dois estados democráticos, Israel e Palestina, convivam em paz, com fronteiras seguras e reconhecidas.

No entanto, 12 palestinos, seis deles da mesma família, morreram na madrugada de quinta-feira para sexta-feira em ataques aéreos e bombardeios israelenses na Faixa de Gaza, informaram fontes médicas e testemunhas.

Seis faleceram em um ataque aéreo em Jabaliya (norte). O ataque feriu Fayez Salha, líder local da Frente Democrática de Libertação da Palestina (FDLP), e matou a mulher dele, quatro filhos do casal e sua cunhada.

Três palestinos morreram em um ataque com obuses israelenses no centro da Faixa, entre a cidade de Deir al-Balah e o campo de refugiados de Nuseirat.

Outros três palestinos faleceram em Qarara, ao leste de Khan Yunes (sul), durante uma incursão de tanques israelenses procedentes do ponto de passagem de Kisufim. A residêncua de um líder do grupo radical Hamas foi destruída na região.

O Hamas, que controla a Faixa de Gaza, criticou a decisão da Agência da ONU de Ajuda aos Refugiados Palestinos (UNRWA) de suspender as operações depois que o Exército israelense abriu fogo na quinta-feira contra um de seus comboios, matando um motorista.

"A decisão da UNRWA de suspender as atividades não é lógica e é indesculpável. O dever da agência é proteger as vítimas da guerra, e não abandoná-las", afirmou o porta-voz do Hamas, Fawzi Barhum.

Com as novas mortes o balanço de vítimas fatais na Faixa de Gaza chega a 780 desde o início da operação militar israelense em 27 de dezembro. Mais de 3.200 pessoas foram feridas.

A ONU denunciou nesta sexta-feira que o Exército de Israel bombardeou no início da semana uma casa em Gaza com 110 civis dentro e 30 deles morreram.

"Segundo várias testemunhas, em 4 de janeiro os soldados evacuaram 110 palestinos, metade deles crianças, para uma casa de Zeitun e ordenaram que permanecessem dentro", afirma um comunicado do Escritório para a Coordenação de Assuntos Humanitários das Nações Unidas.

"Vinte e quatro horas mais tarde, as forças israelenses bombardearam várias vezes esta casa, matando 30 pessoas", acrescenta a nota.

A polícia israelense está amplamente mobilizada na zona leste de Jerusalém, depois que o Hamas convocou um novo "dia da ira" para esta sexta-feira contra a operação militar de Israel em Gaza.

"Mobilizamos milhares de homens para manter a calma no leste de Jerusalém", declarou o porta-voz da polícia, Micky Rosenfeld.

Ele acrescentou que somente estão autorizados a participar nas orações de sexta-feira na Esplanada das Mesquitas, terceiro local sagrado do islã, "os palestinos com carteira de identidade israelense e mais de 50 anos". Para as mulheres o acesso será livre.

Além disso, o Exército israelense anunciou o bloqueio total da Cisjordânia durante 48 horas a partir de meia-noite de sexta-feira (20H00 de Brasília, quinta-feira).