SIRACUSA, Itália (AFP) — O Brasil propôs no G8 de Siracusa a adoção de uma taxação de 10% sobre os lucros da indústria petroleira para alimentar o fundo de proteção ao meio ambiente para que os países em desenvolvimento possam financiar os esforços necessários de luta contra o aquecimento global.
"Estamos convencidos de que somente a taxa de carbono não será suficiente para financiar as adaptações necessárias para atingir a meta das Nações Unidas de limitar o aumento das temperaturas a 2ºC no fim deste século", afirmou Carlos Minc, o ministro brasileiro do Meio Ambiente durante uma entrevista à imprensa.
"A indústria internacional de petróleo pode suportar uma taxa como esta sobre seus lucros e o preço do petróleo que atingiu picos há um ano e que está em torno dos 50 dólares o barril não será afetado", acrescentou Carlos Minc.
O ministro brasileiro, que representa o Brasil na presidência do grupo dos 17 países em desenvolvimento que representa a maior parte da biodiversidade mundial, indicou ainda que o Brasil conseguiu em Siracusa que a defesa da biodiversidade seja colocada entre as prioridades de Copenhague, no mesmo plano que o aquecimento global.
"Sem isso, e principalmente um compromisso em fazer que a biodiversidade dê lugar a um pagamento compensatório pelos países ricos a partir de 2010, não teríamos assinado a carta de Siracusa", afirmou o ministro.
Carlos Minc disse ainda que a reunião na Itália foi boa porque como não foi decisória e viabilizou trocas construtivas entre os países do G8 e os demais.
"Os países em desenvolvimento sabem que os países industrializados não atingirão sozinhos as metas de limitar o aumento das temperaturas a 2ºC e que todos devem fazer sua parte na limitação das emissões de CO2", disse Carlos Minc.
"Houve uma grande desconfiança entre os dois grupos, mas todo mundo concordou em afirmar que é preciso estabelecer compromissos diferenciados (com objetivos diferentes para os países ricos e os países pobres), recíprocos (cada um dá um passo) e substanciais", explicou.
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