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Last edited February 24, 2008
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CÉSAR BENJAMIN

Além da moeda

Os EUA acostumaram-se a viver acima dos seus próprios recursos, o que gera passivo crescente e exigirá moratória

DURANTE milênios, as sociedades humanas não conheceram o que hoje chamamos economia, pois as formas de produzir, trocar e adquirir não tinham autonomia. Existiam embutidas em uma ampla rede de instituições e compromissos, sociais e políticos, que lhes conferiam sentido e lhes impunham limites. Mesmo onde havia comércio e dinheiro, eles não estavam articulados de um modo completo e coerente. O estabelecimento da economia como um sistema separado, situado acima dos demais, em posição de comando, foi parte de um processo histórico específico, violentíssimo, que na origem ocorreu em certas partes da Europa e exigiu pesada intervenção estatal.
Numa sociedade que "liberta" a economia e se organiza em torno da troca de mercadorias, a moeda ocupa o lugar central. Pois, sendo o equivalente geral, sua posse é mais desejável do que a posse de uma mercadoria específica. Ao assumir essa posição, a própria moeda se transforma. Durante milênios, ela possuía valor por ser fabricada com metais preciosos ou porque os representava, podendo, em tese, ser trocada por eles. Uma "relíquia bárbara", nas palavras de Keynes.
A moeda fiduciária, emitida por um banco central, é um fenômeno extremamente recente. Ela não se refere a nada que não seja o poder do Estado, o qual, ao emiti-la, compromete-se apenas a aceitá-la na quitação de tributos, nada mais, definindo assim o espaço econômico em que exerce a sua própria soberania. Essa evolução só se completou a partir da década de 1970, quando os Estados Unidos anunciaram a inconversibilidade do dólar, rompendo os acordos de Bretton Woods e declarando, contra o mundo, a moratória de suas reservas de ouro. Foi uma ousada solução para os problemas americanos de então. Lançou as bases para a retomada, ou a reafirmação, da hegemonia desse país, na época ameaçada economicamente pelo Japão e pela Alemanha, militarmente pela União Soviética e politicamente pela vaga contestadora que vinha do Terceiro Mundo. O padrão dólar flexível quebrou o ímpeto de todos os concorrentes, reais ou potenciais, inclusive o Brasil.
Permanece em aberto, porém, a questão de saber se pode ser estável uma ordem econômica internacional que gira em torno de uma moeda fiduciária emitida por um Estado nacional. Creio que não. Ela contém uma contradição insanável, pois o espaço de soberania de um único Estado passa a ser todo o planeta. O preço disso são enormes tensões e instabilidades que se acumulam.
Na relação com o mundo, os EUA acostumaram-se a viver muito acima dos seus próprios recursos, o que gera um passivo crescente e exigirá nova moratória futura. Internamente, o novo arranjo tornou amplamente hegemônicos os administradores de ativos líquidos, que nem sequer manejam moeda. Manejam títulos, participações, cotas, ações, derivativos, papéis de todo tipo, inclusive papéis que representam outros grupos de papéis e que só existem na fantasia dos mercados futuros... Não estão sob controle de bancos centrais, chamados só na hora de pagar as contas.
Nos Estados Unidos, essa incrível pirâmide de operações financeiras baseava-se, principalmente, em hipotecas residenciais. Agora, está solta no ar. É por isso que os analistas mais argutos e mais bem pagos, manejando equações cada vez mais complicadas, só conseguem dizer platitudes. Se quisermos encontrar a saída, o desafio é buscar novas maneiras de trazer de volta a economia para dentro das instituições sociais, para religá-la ao mundo-da-vida. Ainda não sabemos como fazê-lo.  
Idec divulga avaliação de Responsabilidade Socioambiental de bancos no Brasil      



21/02/2008
Em escala de 1 a 5, instituições com o melhor desempenho não chegaram à média 3 em quesitos como relacionamento com consumidores, trabalhadores e meio ambiente

Na última quarta-feira (13), o Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec) divulgou os resultados da "Avaliação Comparativa da Responsabilidade Socioambiental dos Bancos no Brasil". Realizado entre maio e dezembro de 2007, o projeto avaliou o discurso de responsabilidade socioambiental e a conduta dos oito maiores bancos que operam no país, com enfoque em temas considerados fundamentais para que uma instituição seja, de fato, socialmente responsável: trabalhadores, consumidores e meio ambiente. Os bancos com os melhores desempenhos foram classificados como "regulares", e atingiram pouco mais que a metade da nota máxima.

Foram escolhidas para a pesquisa as instituições financeiras que possuem mais de um milhão de clientes (pessoa física) no país, excluídos bancos estaduais e/ou aqueles com carteira comercial restrita. Assim. Foram selecionados ABN Amro Real, Banco do Brasil, Bradesco, Caixa Econômica Federal, HSBC, Itaú, Santander e Unibanco. Os questionários aplicados abordaram os temas Trabalhadores, Meio Ambiente e Consumidores, e abrangeram desde informações sobre capital acionário, número de clientes e de pontos de atendimento no país até práticas que evidenciam o compromisso da instituição com a transparência e a ética, concepção de responsabilidade social, relações com os trabalhadores e com sindicatos envolvidos, política de meio ambiente e consumo sustentável, além de formas de realização de ações sociais.

Para a avaliação final, foram ponderadas as médias de avaliações obtidas pelos bancos nos três temas, atribuindo-se os pesos de 30% para Trabalhadores e Meio Ambiente e 40% para Consumidores. Segundo a avaliação final publicada no relatório, apenas ABN Amro Real e Bradesco entraram na faixa de "regular". Em uma escala de 1 a 5, os bancos atingiram as com notas 2,75 e 2,60, respectivamente. Unibanco e Santander ficaram empatados no limite próximo do "péssimo", ambos com nota 1,51. Os demais estão na faixa considerada "ruim".

Segundo o relatório divulgado, o principal objetivo da avaliação é proporcionar um instrumento que permita aos consumidores compreender o significado prático e cotidiano da responsabilidade socioambiental, freqüentemente confundido com ações sociais, e também fazer uma comparação entre as diferentes empresas atuantes em no mercado. Foram escolhidas instituições bancárias para participarem da pesquisa porque influenciam significativamente o comportamento de empresas que destroem o meio ambiente, que realizam práticas fraudulentas no mercado de ações, que exploram trabalhadores, que descumprem leis de proteção e defesa dos consumidores, entre outros motivos.

Para acessar o relatório divulgado pelo Idec, clique aqui .

 
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