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| Ações baratas, mas para qual cenário? |
Daniele Camba
08/12/2008
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| "As ações não estão baratas para o mundo que temos pela frente sem alavancagem e com muita regulamentação. Elas podem estar baratas se considerarmos o mundo do passado e que não existe mais..." Esse é um trecho de um relatório divulgado na semana passada pelo diretor de gestão da Pimco - uma das maiores administradoras de recursos de terceiros do mundo -, Bill Gross. Ao longo de quatro páginas o gestor aponta motivos econômicos, políticos e psicológicos dos investidores que, para ele, são mais do que suficientes para todos acreditarem que o mundo se deteriorou muito. Portanto, a queda dos ativos é mais do que natural, para adaptar os seus preços a um cenário que deixou de ser cor-de-rosa. |
| O sócio da Pentágono Asset Management, Marcelo Ribeiro, concorda com os argumentos de Gross, para infelicidade dos investidores. Muitos deles se agarram à tese ou à esperança de que, como os mercados já caíram muito, o certo seria começarem a se recuperar. Em alguns casos isso se manifesta até sob a forma de um sentimento de justiça: "poxa, eu (o investidor) já perdi tanto que agora a bolsa deveria subir para compensar todo o meu sofrimento". |
| | "O mundo mudou muito nos últimos meses e o cenário de prosperidade que justificava as projeções do Índice Bovespa em 85 mil pontos não existe mais", diz Ribeiro. O simples processo de redução do endividamento (a desalavancagem) do sistema bancário mundial, um dos primeiros efeitos dessa crise, já justifica uma queda relevante no valor dos ativos. Com menos, muito menos dinheiro, as empresas investem e produzem menos, portanto, têm lucros bem mais magros e suas ações passam a refletir tal situação. Na outra ponta dessa relação estão os bancos, que também passam a faturar menos reduzindo os empréstimos. Sem contar todos os calotes que já tomaram referentes aos recursos que emprestaram ainda antes da crise. |
| | "Diferentemente do que muitos acreditam, essa não é uma crise americana, mas uma crise de crédito, que apenas começou nos EUA, e é resultado de vários anos de uma alavancagem desmedida do sistema bancário mundial", diz o sócio da Pentágono. Segundo dados do Banco de Compensações Internacionais (BIS), no fim da década de 80, os empréstimos representavam uma vez o Produto Interno Bruto (PIB) global, enquanto que até um pouco antes dessa crise eles estavam 12 vezes acima do PIB. Essa é uma pequena mostra de como o mundo passou as últimas duas décadas adquirindo um carnê atrás do outro sem saber se depois teria dinheiro para pagar a conta. |
| Outro reflexo da desalavancagem desorganizada é que muitos desses credores devem se tornar sócios das companhias como única forma de receber ao menos uma parte do dinheiro de volta. Uma das conseqüências será a diluição do capital dos demais acionistas, o que obviamente significará a desvalorização dessas ações no mercado. É de se esperar que um dos efeitos colaterais dessa crise seja o excesso de regulamentação no sistema bancário do mundo inteiro, impedindo que as companhias voltem a se endividar como antes. "Sem dinheiro as empresas não terão fôlego para fazer investimentos, o que em última instância se traduzirá em lucros menores, portanto, ações muito mais baratas", explica Ribeiro. |
| Por fim, com todos os pacotes fiscais implementados pelos governos do mundo inteiro para reativar a economia o quanto antes não é difícil imaginar que terão de aumentar a cobrança de impostos, como uma das formas de financiarem essa política expansionista. "A conta é simples: pagando mais impostos sobra menos para as empresas e mais uma vez esse movimento irá bater nas ações", raciona o sócio da Pentágono. |
| A pergunta de um milhão de dólares agora é saber se a queda de 52% do Ibovespa desde sua máxima histórica, em 20 de maio deste ano, - exatamente o mesmo nível de perdas que os mercados tiveram no primeiro ano da Grande Depressão que começou em 1929 - já não reflete esse novo cenário econômico muito mais adverso. É impossível encontrar alguém que tenha essa resposta. De qualquer forma, o palpite de Ribeiro é que a tendência ainda é de queda principalmente porque as notícias boas ainda parecem longe. |
| Daniele Camba é repórter de Investimentos |
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FERNANDO DE BARROS E SILVA
Cultura & Política?
SÃO PAULO - "Se vocês, em política, forem como são em estética, estamos feitos". Era mais fácil -e urgente- relacionar política e cultura
nessa época, quando o gênio de
Caetano Veloso reagia, nos festivais, às hostilidades da esquerda
nacionalista, ao mesmo tempo em
que todos, tropicalistas e antitropicalistas, confrontavam a ditadura
de direita instalada no país em 64.
Vinte anos depois, na esteira da
redemocratização, a vontade de
passar o país a limpo parecia ainda
forte o bastante para amalgamar as
pessoas em torno de um sentimento progressista da vida. Mas os anos
80 foram sobretudo marcados pela
primeira onda globalizante, que enfatizava a dimensão sem fronteiras
da cultura e mandava varrer para o
lixo da história a velharia nacional-popular do período anterior.
Escrevendo à quente em meados
daquela década, o crítico Roberto
Schwarz dizia que os globalistas locais eram modernos, mas no fundo
conformistas -que aderiam à maré
ideológica triunfante acreditando
fazer parte das vanguardas estéticas e libertárias do início do século
20: "Alinham-se com o poder como
quem faz uma revolução", disse,
imagino que em parte inspirado pela experiência da Ilustrada.
Mas o que pensar das relações
entre política e cultura hoje? A política, cada vez mais, se resume a
uma espécie de administrativismo
social, ocupada com a gestão emergencial de populações mais ou menos estropiadas. E a cultura, a despeito das muitas coisas interessantes que se faça por aí, quando não se
limita a um nicho entre outros, vai
se tornando um ramo do mecenato
corporativo. Os bancos descobriram o glamour de cuidar das coisas
do espírito -o que alguém já chamou de culturalização do dinheiro.
Caetano, Ferreira Gullar, Cacá
Diegues e Maria Rita Kehl estarão à
noite no Masp para debater este nó,
que às vezes parece mais um conjunto vazio. Se é difícil evitar a sensação de que cultura e política formam um par à moda antiga, mais
incômodo é constatar que a cara da
nossa época é a da direita festiva. |
Serra amplia liderança para 2010; Ciro cai, e Dilma sobe
Governador paulista lidera com taxas que variam de 36% a 47%, conforme o cenário
O deputado Ciro Gomes caiu de 5 a 6 pontos percentuais, enquanto a ministra da Casa Civil ganhou cinco pontos; Heloísa Helena ficou estável
DA REDAÇÃO
O governador paulista José
Serra (PSDB) reforçou sua condição de candidato favorito à
sucessão presidencial em 2010
após as eleições municipais nas
quais reelegeu Gilberto Kassab
prefeito de São Paulo, consolidando sua aliança com o DEM.
A menos de dois anos da eleição, Serra lidera com taxas que
variam de 36% a 47%, conforme o cenário. O segundo colocado, o deputado Ciro Gomes
(PSB), caiu de cinco a seis pontos percentuais, enquanto a ministra da Casa Civil, Dilma
Rousseff (PT), subiu cinco pontos e varia hoje de 7% a 12%. A
ex-senadora Heloísa Helena
(PSOL) manteve-se estável.
No cenário 1, Serra subiu de
38% para 41%, enquanto Ciro
caiu de 20% para 15%. Heloísa
Helena manteve seus 14%, e
Dilma subiu de 3% para 8%.
O governador mineiro Aécio
Neves (PSDB) -que, com certa
dificuldade, conseguiu eleger
Marcio Lacerda (PSB) para a
Prefeitura de Belo Horizonte-
também melhorou um pouco
seu desempenho: ele oscilou de
15% para 17% no cenário em
que aparece como candidato do
PSDB -ainda está atrás de Ciro
(25%), mas aparece empatado
com Heloísa Helena (19%).
Quando Ciro é retirado da
disputa, Serra chega a alcançar
47%, contra 17% de Heloísa e
10% de Dilma; se Aécio é o candidato do PSDB, Heloísa assume a liderança com 27%, contra 23% do governador mineiro
e 12% da ministra da Casa Civil.
Por fim, no cenário em que
tanto Serra quanto Aécio são
apresentados como candidatos
(no mês passado o PMDB convidou o governador mineiro a
se filiar ao partido), Serra lidera
com 36%, com Ciro (14%), Heloísa (13%) e Aécio (12%) embolados em segundo. Dilma
aparece mais atrás, com 7%.
Serra lidera em todas as regiões, mas tem seu melhor desempenho no Sudeste (no qual
chega aos 50% dos votos no cenário sem Ciro) e no Norte/
Centro-Oeste (onde obtém
47% no cenário sem Ciro). Aécio vai bem no Sudeste -atinge
33% na simulação sem Ciro.
Ciro é mais forte no Nordeste
(onde alcança 34% quando Serra não é candidato), região em
que Heloísa Helena também se
destaca (chega a 35% quando
disputa contra Aécio e Dilma).
A intenção de voto em Serra
diminui conforme aumenta a
escolaridade -o oposto do que
ocorre com Aécio e Dilma. O
perfil dos eleitores da ministra
da Casa Civil ainda é muito diferente da base política que elegeu Lula, o que sugere que hoje
a maioria da população ignora
que o presidente tem defendido sua candidatura em 2010.
Apesar disso, na pesquisa espontânea Dilma já aparece com
2% -o mesmo percentual de
Geraldo Alckmin (PSDB), que,
dois anos atrás, teve 39% dos
votos no segundo turno da eleição presidencial. Lula tem 25%
de menções espontâneas, seguido de Serra com 6% e Aécio
com 4%. Ciro Gomes, Heloísa
Helena e Fernando Henrique
Cardoso aparecem com 1%.
Eleições passadas
Nas últimas eleições presidenciais, o candidato que liderava as pesquisas dois anos antes do pleito em geral teve êxito, embora Lula, que liderava as
pesquisas em 1992, tenha perdido em 1994.
Em dezembro de 1996 a
emenda da reeleição ainda não
tinha sido aprovada, mas 38%
dos eleitores apoiavam a recondução de Fernando Henrique
Cardoso ao cargo em 1998 (que
venceu com 53% no 1º turno).
Em dezembro de 2000, Lula
liderava as pesquisas com 26%
a 30% das intenções de voto,
enquanto Serra tinha 6%. Em
2002, Lula venceu o tucano por
61% a 39% no 2º turno. Em
2004, o apoio a Lula variava de
41% a 45%. Ele venceu Alckmin
por 61% a 39% no 2º turno.
O Datafolha ouviu 3.486 pessoas com 16 anos ou mais em
180 municípios do país. A margem de erro máxima da pesquisa é de dois pontos percentuais.
Chicaroni continua comprometido com Dantas, diz Protógenes
Delegado atribui acusação de administrador de empresas, que alega ter sido "coagido" a culpar Dantas ao depor na PF, à insatisfação com a sentença de juiz
DA REPORTAGEM LOCAL
O delegado federal Protógenes Queiroz negou ontem que
tenha "coagido" ou feito uma
"armação" contra o administrador de empresas Hugo Chicaroni, condenado pela Justiça
sob a acusação de ter intermediado o oferecimento de suborno a delegados que atuavam na
Operação Satiagraha.
Em entrevista publicada ontem pela Folha, Chicaroni disse que fez o contato entre os
policiais federais e Humberto
Braz, executivo ligado ao Grupo Opportunity, apenas para se
aproximar de representantes
do Opportunity e realizar negócios, mas acabou sendo envolvido por Protógenes em um
plano para incriminar o controlador do grupo, o banqueiro
Daniel Dantas.
O administrador de empresas afirmou que no período de
35 dias em que esteve preso na
custódia da Polícia Federal em
São Paulo foi coagido pelo delegado a culpar Dantas, principalmente no momento em que
prestou o primeiro depoimento às autoridades do caso.
"Atribuo [a entrevista de
Chicaroni] à insatisfação do
acusado com a sentença do juiz
Fausto [De Sanctis]. Isso demonstra o seu comprometimento com o banqueiro bandido", disse Protógenes ontem.
De Sanctis aplicou a Chicaroni a pena de sete anos de prisão
e condenou-o a pagar R$ 886,5
mil, a título de multa e reparação de danos.
Segundo Protógenes, o administrador de empresas "quer
requentar fatos já confirmados
nas apurações e amplamente
debatidos na investigação criminal, e que foram amplamente analisados na sentença do
juiz De Sanctis".
O delegado citou as várias
gravações feitas com autorização judicial dos encontros e
conversas de Chicaroni com
ele e com o delegado Victor
Hugo Rodrigues Ferreira, que
participavam de uma "ação
controlada" -um monitoramento de ações e ligações telefônicas realizadas com acompanhamento judicial.
Protógenes disse que Chicaroni "inventa fatos" para criar
"nova confusão jurídica". Negou ter pressionado Chicaroni
no depoimento que ele prestou
na PF incriminando o Opportunity -em juízo, Chicaroni
retirou a acusação. "Isso [a coação sobre Chicaroni] não é verdade, ele prestou depoimento
na PF com seu advogado."
ENTREVISTA DA 2ª
BAN KI-MOON
Com novo peso global, Brasil tem mais responsabilidades
Para dirigente da ONU, Obama é fonte de "mudança climática" nas relações internacionais
EM JANEIRO , Ban Ki-moon completa dois
anos no cargo de secretário-geral da Organização das Nações Unidas em meio à mais
grave crise financeira mundial desde a
fundação da entidade, em 1945. Para o diplomata sul-coreano, é o momento de a ONU assumir papel de liderança para permitir uma resposta coordenada à
crise, que inclua a reforma das instituições multilaterais e a maior participação de países emergentes,
como o Brasil. Ban aposta em avanços no projeto de
ampliar o Conselho de Segurança da ONU, no qual
o Brasil aspira a um assento permanente.
MARCELO NINIO
ENVIADO ESPECIAL A DOHA
Diplomático, Ban Ki-moon,
não diz qual a melhor fórmula
de expansão, mas lembra que,
com o peso mundial crescente
do país, espera um maior "senso de responsabilidade" do Brasil. Em entrevista exclusiva
concedida à Folha durante
dois vôos, Ban falou de seus
dois primeiros anos no cargo e
não escondeu sua satisfação
com a eleição de Barack Obama, que classificou como uma
"mudança climática" na política mundial. "Estou muito otimista", disse.
FOLHA - Esta é a maior crise financeira desde a criação da ONU. Qual a
relevância da organização neste
momento?
BAN KI-MOON - As Nações Unidas são o único órgão intergovernamental com capacidade
de assumir um papel universal
no combate à crise.
Cada país pode implementar
medidas domésticas. Mas, se
elas não forem coordenadas internacionalmente, o impacto
será reduzido. A ONU pode dar
um valor agregado a essas medidas, sobretudo diminuindo
os efeitos nos países em desenvolvimento. Se os problemas
sociais e econômicos criados
pela crise financeira não forem
atacados, a estabilidade política
e a paz estarão sob ameaça.
FOLHA - Apesar dos discursos e
conferências, a impressão é de que
ainda há muita relutância em estabelecer uma resposta coletiva à crise. Os países membros estão dispostos a dar à ONU esse papel de liderança?
BAN - Recebemos um mandato para esse tipo de ação. Um
bom exemplo foi como a ONU
lidou com a crise alimentar. Eu
estabeleci uma força-tarefa de
alto nível, formada por todas as
instituições da organização,
que foi muito bem-sucedida no
sentido de estabelecer um plano de ação.
As Metas do Milênio, que incluem a redução de infectados
pelo vírus HIV e da mortalidade infantil, o combate ao aquecimento global e a educação,
são temas que não podem ser
resolvidos por um único país,
por mais poderoso que ele seja.
Precisamos de uma ação coletiva concertada, que só pode ser
feita pela ONU.
FOLHA - O sr. insistiu na realização
da Conferência de Doha, para discutir uma ação contra a crise. Ficou surpreso com a resistência em reformar
as instituições internacionais, mesmo dentro da ONU?
BAN - Não fiquei tão surpreso,
pois já esperava por isso. Mas
acho importante que os países
desenvolvidos, onde a crise teve início, reconheçam a importância de uma ação coletiva e de
que é preciso reformar as instituições para dar mais voz aos
emergentes.
Isso já está ocorrendo nas
instituições de Bretton Woods,
onde Robert Zoellick [presidente do Banco Mundial] e Dominique Strauss-Kahn [diretor-gerente do FMI] nomearam comissões para estudar as
reformas.
FOLHA - Para muitos, a crise é o
prenúncio de uma nova ordem
mundial. Que lugar devem ter os
países emergentes?
BAN - O discurso do presidente Lula em Washington foi eloqüente e apaixonado e deixou
todos impressionados. Reforçou o forte chamado atual por
reformas das instituições de
Bretton Woods e o fortalecimento das regras que monitoram os sistemas bancário e financeiro.
Antes de mais nada, cada país
precisa apagar o seu incêndio,
para que ele não se espalhe para
os vizinhos. Mas creio que são
necessárias modalidades inclusivas e multilaterais, uma visão
mais abrangente.
Não há uma fórmula fechada:
começaram com G7, depois expandiram para G8. Agora, considerando que a maior parte do
crescimento econômico vem
dos emergentes, expandiram
para G20. Esses países representam 90% do PIB (Produto
Interno Bruto) mundial e da
população, então tecnicamente
é um formato justo. Mas não há
um corte exato.
FOLHA - E o Brasil?
BAN - Por qualquer critério, o
Brasil é hoje um dos países
mais importantes do mundo e
está no centro das discussões
sobre os maiores desafios, como as mudanças climáticas e a
crise financeira. Tem um papel-chave no G20. Com isso,
também terá que ter um maior
senso de responsabilidade.
FOLHA - Este é um bom momento
para a ampliação do Conselho de Segurança, com a inclusão do Brasil
entre os membros permanentes?
BAN - A Assembléia Geral da
ONU tomou uma decisão muito importante em setembro.
Pela primeira vez aprovou, por
consenso, que os membros devem dar início a uma negociação para a reforma do Conselho
de Segurança. Isso deve acontecer até 28 de fevereiro. Agora,
cabe aos membros decidir como essa expansão deve ser feita. Há o chamado G4 [Brasil,
Índia, Japão e Alemanha], mas
também há países com outras
idéias, como o Unindo por Consenso [grupo contrário ao G4
composto por 40 países, entre
eles Argentina e Itália].
Há consenso, porém, sobre a
necessidade de reformar e expandir o Conselho de Segurança. Seria bom para a ONU, para
refletir a dramática mudança
política ocorrida no mundo.
FOLHA - O "maior senso de responsabilidade" que o sr. espera do Brasil
também inclui mais contribuição financeira e em tropas para a ONU?
BAN - Sim, inclui todos esses
aspectos, das missões de manutenção da paz, à contribuição financeira e ao cumprimento de
metas ambientais.
FOLHA - O sr. vê oportunidades
nesta crise?
BAN - Se os pacotes de estímulo econômico forem investidos
em economia verde, é possível
criar milhões de empregos. Veja o caso da China: um terço do
seu pacote de estímulo será investido em economia verde. Isso levará a uma profusão de
inovação tecnológica que criará
empregos.
Biocombustíveis são uma das
formas de criar empregos e reduzir a dependência de combustíveis fósseis. Quando visitei o Brasil, no ano passado, fiquei impressionado com o investimento de longo prazo em
tecnologia e a inovação na produção de etanol.
FOLHA - O governo Bush invadiu o
Iraque sem autorização da ONU e foi
avesso ao sistema multilateral. Que
mudanças o sr. espera com o novo
presidente dos EUA?
BAN - Acho que podemos esperar uma mudança climática em
termos políticos com a eleição
de Barack Obama. Fiquei muito impressionado com o seu
forte compromisso com o multilateralismo, por exemplo no
combate ao aquecimento global. Tive uma ótima conversa
com ele, que me deixou muito
otimista ao prometer que os
EUA fortalecerão sua parceria
com a ONU.
FOLHA - Nesses quase dois anos no
cargo, o que o sr. considera ser sua
maior conquista e qual foi a maior
frustração?
BAN - Ainda é muito cedo para
dizer que tive conquistas. Não
porque sou modesto, mas porque os desafios são muitos. Veja o caso das mudanças climáticas. Este é o melhor exemplo da
necessidade de uma parceria
global. Por um lado, temos agora esperança de uma contribuição dos EUA. Por outro, há sinais desencorajadores na Europa, de recuo das metas estabelecidas.
Meu trabalho é um contínuo
processo de persuasão. Exige
diálogo o tempo todo, pois cada
um dos 192 membros é um país
soberano, com diferentes culturas e interesses. Há conflitos
e é preciso chegar a um equilíbrio entre o interesse coletivo e
o doméstico. Meu papel é harmonizar todos esses interesses
em uma estrutura coerente.
São Paulo, segunda-feira, 08 de dezembro de 2008
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ENTREVISTA DA 2ª
BAN KI-MOON
Com novo peso global, Brasil tem mais responsabilidades
Para dirigente da ONU, Obama é fonte de "mudança climática" nas relações internacionais
EM JANEIRO , Ban Ki-moon completa dois
anos no cargo de secretário-geral da Organização das Nações Unidas em meio à mais
grave crise financeira mundial desde a
fundação da entidade, em 1945. Para o diplomata sul-coreano, é o momento de a ONU assumir papel de liderança para permitir uma resposta coordenada à
crise, que inclua a reforma das instituições multilaterais e a maior participação de países emergentes,
como o Brasil. Ban aposta em avanços no projeto de
ampliar o Conselho de Segurança da ONU, no qual
o Brasil aspira a um assento permanente.
MARCELO NINIO
ENVIADO ESPECIAL A DOHA
Diplomático, Ban Ki-moon,
não diz qual a melhor fórmula
de expansão, mas lembra que,
com o peso mundial crescente
do país, espera um maior "senso de responsabilidade" do Brasil. Em entrevista exclusiva
concedida à Folha durante
dois vôos, Ban falou de seus
dois primeiros anos no cargo e
não escondeu sua satisfação
com a eleição de Barack Obama, que classificou como uma
"mudança climática" na política mundial. "Estou muito otimista", disse.
FOLHA - Esta é a maior crise financeira desde a criação da ONU. Qual a
relevância da organização neste
momento?
BAN KI-MOON - As Nações Unidas são o único órgão intergovernamental com capacidade
de assumir um papel universal
no combate à crise.
Cada país pode implementar
medidas domésticas. Mas, se
elas não forem coordenadas internacionalmente, o impacto
será reduzido. A ONU pode dar
um valor agregado a essas medidas, sobretudo diminuindo
os efeitos nos países em desenvolvimento. Se os problemas
sociais e econômicos criados
pela crise financeira não forem
atacados, a estabilidade política
e a paz estarão sob ameaça.
FOLHA - Apesar dos discursos e
conferências, a impressão é de que
ainda há muita relutância em estabelecer uma resposta coletiva à crise. Os países membros estão dispostos a dar à ONU esse papel de liderança?
BAN - Recebemos um mandato para esse tipo de ação. Um
bom exemplo foi como a ONU
lidou com a crise alimentar. Eu
estabeleci uma força-tarefa de
alto nível, formada por todas as
instituições da organização,
que foi muito bem-sucedida no
sentido de estabelecer um plano de ação.
As Metas do Milênio, que incluem a redução de infectados
pelo vírus HIV e da mortalidade infantil, o combate ao aquecimento global e a educação,
são temas que não podem ser
resolvidos por um único país,
por mais poderoso que ele seja.
Precisamos de uma ação coletiva concertada, que só pode ser
feita pela ONU.
FOLHA - O sr. insistiu na realização
da Conferência de Doha, para discutir uma ação contra a crise. Ficou surpreso com a resistência em reformar
as instituições internacionais, mesmo dentro da ONU?
BAN - Não fiquei tão surpreso,
pois já esperava por isso. Mas
acho importante que os países
desenvolvidos, onde a crise teve início, reconheçam a importância de uma ação coletiva e de
que é preciso reformar as instituições para dar mais voz aos
emergentes.
Isso já está ocorrendo nas
instituições de Bretton Woods,
onde Robert Zoellick [presidente do Banco Mundial] e Dominique Strauss-Kahn [diretor-gerente do FMI] nomearam comissões para estudar as
reformas.
FOLHA - Para muitos, a crise é o
prenúncio de uma nova ordem
mundial. Que lugar devem ter os
países emergentes?
BAN - O discurso do presidente Lula em Washington foi eloqüente e apaixonado e deixou
todos impressionados. Reforçou o forte chamado atual por
reformas das instituições de
Bretton Woods e o fortalecimento das regras que monitoram os sistemas bancário e financeiro.
Antes de mais nada, cada país
precisa apagar o seu incêndio,
para que ele não se espalhe para
os vizinhos. Mas creio que são
necessárias modalidades inclusivas e multilaterais, uma visão
mais abrangente.
Não há uma fórmula fechada:
começaram com G7, depois expandiram para G8. Agora, considerando que a maior parte do
crescimento econômico vem
dos emergentes, expandiram
para G20. Esses países representam 90% do PIB (Produto
Interno Bruto) mundial e da
população, então tecnicamente
é um formato justo. Mas não há
um corte exato.
FOLHA - E o Brasil?
BAN - Por qualquer critério, o
Brasil é hoje um dos países
mais importantes do mundo e
está no centro das discussões
sobre os maiores desafios, como as mudanças climáticas e a
crise financeira. Tem um papel-chave no G20. Com isso,
também terá que ter um maior
senso de responsabilidade.
FOLHA - Este é um bom momento
para a ampliação do Conselho de Segurança, com a inclusão do Brasil
entre os membros permanentes?
BAN - A Assembléia Geral da
ONU tomou uma decisão muito importante em setembro.
Pela primeira vez aprovou, por
consenso, que os membros devem dar início a uma negociação para a reforma do Conselho
de Segurança. Isso deve acontecer até 28 de fevereiro. Agora,
cabe aos membros decidir como essa expansão deve ser feita. Há o chamado G4 [Brasil,
Índia, Japão e Alemanha], mas
também há países com outras
idéias, como o Unindo por Consenso [grupo contrário ao G4
composto por 40 países, entre
eles Argentina e Itália].
Há consenso, porém, sobre a
necessidade de reformar e expandir o Conselho de Segurança. Seria bom para a ONU, para
refletir a dramática mudança
política ocorrida no mundo.
FOLHA - O "maior senso de responsabilidade" que o sr. espera do Brasil
também inclui mais contribuição financeira e em tropas para a ONU?
BAN - Sim, inclui todos esses
aspectos, das missões de manutenção da paz, à contribuição financeira e ao cumprimento de
metas ambientais.
FOLHA - O sr. vê oportunidades
nesta crise?
BAN - Se os pacotes de estímulo econômico forem investidos
em economia verde, é possível
criar milhões de empregos. Veja o caso da China: um terço do
seu pacote de estímulo será investido em economia verde. Isso levará a uma profusão de
inovação tecnológica que criará
empregos.
Biocombustíveis são uma das
formas de criar empregos e reduzir a dependência de combustíveis fósseis. Quando visitei o Brasil, no ano passado, fiquei impressionado com o investimento de longo prazo em
tecnologia e a inovação na produção de etanol.
FOLHA - O governo Bush invadiu o
Iraque sem autorização da ONU e foi
avesso ao sistema multilateral. Que
mudanças o sr. espera com o novo
presidente dos EUA?
BAN - Acho que podemos esperar uma mudança climática em
termos políticos com a eleição
de Barack Obama. Fiquei muito impressionado com o seu
forte compromisso com o multilateralismo, por exemplo no
combate ao aquecimento global. Tive uma ótima conversa
com ele, que me deixou muito
otimista ao prometer que os
EUA fortalecerão sua parceria
com a ONU.
FOLHA - Nesses quase dois anos no
cargo, o que o sr. considera ser sua
maior conquista e qual foi a maior
frustração?
BAN - Ainda é muito cedo para
dizer que tive conquistas. Não
porque sou modesto, mas porque os desafios são muitos. Veja o caso das mudanças climáticas. Este é o melhor exemplo da
necessidade de uma parceria
global. Por um lado, temos agora esperança de uma contribuição dos EUA. Por outro, há sinais desencorajadores na Europa, de recuo das metas estabelecidas.
Meu trabalho é um contínuo
processo de persuasão. Exige
diálogo o tempo todo, pois cada
um dos 192 membros é um país
soberano, com diferentes culturas e interesses. Há conflitos
e é preciso chegar a um equilíbrio entre o interesse coletivo e
o doméstico. Meu papel é harmonizar todos esses interesses
em uma estrutura coerente.
O jornalista viajou a Doha a convite da ONU
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Preços no atacado caem e inflação pelo IGP-DI tem forte recuo
REUTERS
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SÃO PAULO - A inflação pelo Índice Geral de Preços-Disponibilidade Interna (IGP-DI) desacelerou fortemente em novembro, refletindo uma queda de custos no atacado.
O índice subiu 0,07 por cento no mês passado, seguindo o avanço de 1,09 por cento em outubro, informou a Fundação Getúlio Vargas (FGV), nesta segunda-feira.
Entre os componentes do IGP-DI, o Índice de Preços por Atacado (IPA) teve baixa de 0,17 por cento em novembro, depois de ter registrado elevação de 1,36 por cento no mês anterior.
O IPA agrícola teve baixa de 0,64 por cento, ante recuo anterior de 0,02 por cento. O IPA industrial ficou estável, após ter subido 1,86 por cento em outubro.
O Índice de Preços ao Consumidor (IPC) avançou 0,56 por cento, seguindo a alta de 0,47 por cento em outubro.
O Índice Nacional de Custo da Construção (INCC) elevou-se em 0,50 por cento, ante aumento anterior de 0,77 por cento.
No ano, o IGP-DI acumula alta de 9,58 por cento e nos últimos 12 meses, de 11,20 por cento.
(Por Vanessa Stelzer)
| BIS aponta risco na rolagem da dívida
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Valor Econômico
08/12/2008 08:15
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GENEBRA - A degradação da saúde financeira de grandes bancos internacionais pode complicar para o Brasil a rolagem de US$ 60 bilhões de dívida de curto prazo, indica o Banco de Compensações Internacionais (BIS), espécie de banco dos bancos centrais. Os bancos estrangeiros fornecem 21% do crédito total no Brasil, pelos cálculos da instituição. Boa parte é em moeda local, feita pelas subsidiárias. Com isso, o país está mais protegido de choques que afetam os credores do que outros emergentes como a Índia, que dependem mais do financiamento direto das matrizes.Já do crédito de US$ 121 bilhões obtido no exterior, a metade (49,1%) tem prazo de pagamento de até um ano. E, quanto maior a parte de curto prazo, maior a exposição a riscos na rolagem do crédito e, assim, aos problemas que os bancos credores sofrem. Segundo o BIS, os grandes bancos já sofreram perdas de US$ 705 bilhões desde julho de 2007 e tiveram de receber injeção de capital de US$ 744 bilhões nesse período. Mas avalia que o impacto do socorro é incerto e nada garante que seja suficiente para retomar a intermediação financeira na economia. Nesse cenário, alerta que a crise financeira pode " incitar " os grandes bancos a reavaliar suas exposição nos mercados emergentes, onde seus créditos duplicaram desde 2002, atingindo US$ 4,9 trilhões em junho. Se redução desse fluxo for muito importante, o impacto negativo será forte no lado real das economias emergentes. Ainda mais que alguns países se tornaram crescentemente dependentes do crédito de bancos estrangeiros. No Leste Europeu, o volume fornecido pelo estrangeiro aumentou 10 vezes desde 2002. No México, Polônia e Hungria, o crédito de bancos estrangeiros representa até 80% do total. Na Argentina, a medida da dependência do financiamento de instituição estrangeira declinou após a crise de 2001-02, mas ainda é de 40%. No Brasil, esse dinheiro representou até 28% do total do crédito em 2001, mas foi caindo e depois voltou a subir para 21% em junho. O crédito fornecido por bancos locais cresceu mais na China, Índia e Coréia do Sul e manteve menor a taxa de crescimento de bancos estrangeiros. Para o BIS, os países em que o crédito do banco estrangeiro toma a forma de local-a-local, em moeda nacional, estão mais protegidos contra choques que afetam os bancos credores, pois são externos a essas economias. Nesse caso, aponta menos vulnerabilidade do Brasil e do México a esses choques do que a Índia e Hungria, respectivamente. Mas o outro fator que influencia a sensibilidade do país ao crédito por banco estrangeiro é a estrutura de vencimento da dívida com credores diretamente no exterior. Nesse caso, as diferenças são grandes entre os emergentes, indo de 30% para o México, Hungria e Polônia, a até 50% ou mais para o Brasil, China, Índia e Coréia do Sul. Bancos da Espanha e dos Estados Unidos são os maiores estrangeiros presentes na América Latina, com diferentes perfis de empréstimos. Nada menos de 80% do que os bancos dos EUA financiam aos emergentes é na base do curto prazo. No caso dos bancos holandeses, esse percentual é de 60%. Para o BIS, esses bancos podem " ajustar " rapidamente suas exposições. Já os bancos espanhóis, italianos e japoneses não têm a mesma flexibilidade. Os créditos de curto prazo representavam 60% do total nos anos 90, mas hoje representam menos de 40%. Os bancos da Áustria, Alemanha e Itália emprestam sobretudo para os emergentes da Europa do Leste. A exposição dos grandes bancos internacionais nas economias emergentes é relativamente pequena, variando de 10% a 20% de seus ativos totais. Os créditos para os emergentes continuaram em alta, mas em ritmo menor desde 2007. Tinham crescido 34% no primeiro semestre de 2007 em relação ao ano anterior. Essa expansão ficou em 23% no segundo trimestre de 2008, com os bancos austríacos, canadenses, americanos e franceses reduzindo mais suas exposições. (Assis Moreira | Valor Econômico) |
| Previsões de fim da má fase nas bolsas ganham fôlego nos EUA |
E.S. Browning, The Wall Street Journal
08/12/2008
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| Será que o mercado já bateu no fundo? A pergunta está de volta à tona. |
| Alguns importantes analistas e gestores financeiros acreditam que a queda das bolsas em novembro, que derrubou o índice Standard & Poor's 500 em 52% em relação ao seu recorde de 2007, será lembrada como o fim desta arrasadora crise do mercado. |
| Entre os que acreditam que a baixa da bolsa já terminou e é hora de investir em ações, há famosos gestores financeiros como Bill Miller, da Legg Mason, Steve Leuthold, do Leuthold Group e o analista de mercado Laszlo Birinyi, da Birinyi Associates. Esse otimismo, confirmado por outros comentários positivos de investidores menos conhecidos, está dando esperanças e ajudou a elevar algumas cotações na sexta-feira, apesar do péssimo relatório sobre os índices de desemprego em novembro nos Estados Unidos. |
| O problema é que muitos analistas, inclusive os três citados, já demonstraram excesso de otimismo e de pressa ao declarar o término de declínios anteriores. Os mais céticos dizem que há meses os especialistas vêm tentando anunciar o fim da má fase das bolsas, sempre se equivocando. |
| "Há pessoas que acham que a crise bateu no fundo - o mesmo que disseram em março e em junho" diz Paul Desmond, presidente da análise de ações Lowry's Reports. |
| "Agora essas afirmações provavelmente têm mais substância, pois tivemos uma fase drástica de vendas. Mas nossas análises simplesmente não mostram sinais de uma exaustão dos vendedores e uma expansão dos compradores, o que deveria estar ocorrendo se estivéssemos no fim da baixa." |
| Mesmo assim, já há tanta gente anunciando o fim da fase de baixas que vale a pena examinar suas opiniões. Até os analistas da Ned Davis Research, famigerados pessimistas, dizem que estão vendo sinais de fim da seqüência de quedas das bolsas. |
| "Ainda não estamos prontos para anunciar isso", diz Tim Hayes, diretor de estratégias de investimento da Ned Davis, mas "tudo vem seguindo o roteiro conhecido de que a crise já bateu no fundo". |
| A prevista mudança de astral nas bolsas americanas pode acabar se refletindo em outros mercados, como o Brasil, cujas ações tendem a flutuar sob a influência dos humores de Wall Street. |
| Eis alguns indicadores que, segundo os otimistas, indicam o fim da baixa: |
| Valorização: Mesmo avaliadas com critérios conservadores, as ações estão com o preço mais baixo dos últimos 21 anos. |
| Pelas medidas de Leuthold, em 20 de novembro o S&P 500 fechou a 10,4 vezes a média dos lucros empresariais dos últimos cinco anos - dentro da faixa dos 10% mais baixos dessa leitura nos últimos 52 anos. |
| Mas o problema é que nem sempre as ações sobem só porque caíram abaixo de sua média histórica. Diz um ditado de Wall Street: "O mercado pode continuar irracional mais tempo do que eu posso continuar solvente". |
| Tamanho do declínio: No ponto mais baixo de fechamento em novembro, o S&P 500 tinha caído 52% e a Média Industrial Dow Jones, 47% - muito próximo à queda desses índices durante a maior parte das baixas realmente graves da história moderna. |
| Isso faz alguns analistas acreditar que as ações ou bateram no ponto mais baixo em novembro, ou têm muito pouco mais a cair antes de bater no fundo. |
| O que preocupa os mais céticos é que já houve ocasiões em que as ações caíram mais ainda - como exemplo notável, após a quebra de 1929, quando a Dow caiu quase 90%, e também no Japão nos anos 1990. Em 2000 o Índice Composto Nasdaq caiu 78%, após o colapso das ações de empresas de tecnologia. |
| Capacidade de recuperação: desde os níveis mais baixos de novembro, as bolsas têm demonstrado surpreendente resistência. |
| "Não creio que o mercado vai cair ainda mais", disse Birinyi, presidente da Birinyi Associates. "Creio que é hora de sair da toca." |
| A menos que haja um cenário semelhante ao da Grande Depressão, disse Birinyi, as bolsas estão começando a subir, embora os ganhos possam ser lentos e voláteis. |
| Como é provável que haja novas más notícias, é preciso que as ações demonstrem mais capacidade de reagir para que a recuperação continue. |
| Sentimento: Diversas medidas da atitude dos investidores sugerem que o medo atingiu um nível extremo em novembro. Essas medidas incluem pesquisas com profissionais e investidores individuais, e a utilização das opções por parte dos investidores como proteção contra os retrocessos na bolsa. |
| Por estranho que pareça, o medo extremo pode ser um sinal positivo para as ações, pois pode significar que todos os que desejavam vender finalmente já venderam. Quando as pessoas começam a se recuperar do medo extremo, os compradores entram em ação, como ocorreu desde 20 de novembro. |
| Parece que a moral da história é a seguinte: se o desemprego nos EUA não se aproximar dos 10%, se as grandes instituições financeiras escaparem da concordata ou da estatização, e se a recessão der sinais de terminar no ano que vem, a baixa poderá estar quase no fim - apesar de que as ações ainda podem sofrer severos altos e baixos antes de se estabilizarem. |
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Petrobras pode ter dinheiro das reservas
Recursos das reservas internacionais e de investidores externos garantiriam os investimentos da estatal, diz Lobão
Segundo ministro das Minas e Energia, petroleira negocia empréstimo de US$ 10 bi com a China e conversa
com os Emirados Árabes
Eraldo Peres - 2.set.2008/Folha Imagem
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Funcionário da Petrobras extrai petróleo na plataforma P-34, perto da costa do Espírito Santo
VALDO CRUZ
HUMBERTO MEDINA
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
O ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, disse à
Folha que a Petrobras negocia
um empréstimo de US$ 10 bilhões com a China e pode até
receber parte das reservas internacionais brasileiras caso
ela necessite de recursos para
garantir a implementação de
seu cronograma de investimentos.
Ao dizer que não faltará à estatal recurso para investimentos, Lobão revelou que a "China está oferecendo à Petrobras
US$ 10 bilhões em um primeiro momento" para desenvolver
o petróleo do pré-sal e que, se
necessário, o governo "usará
parte das reservas externas do
país", de cerca de US$ 200 bilhões, como empréstimo.
O ministro disse ainda que o
novo modelo de exploração de
petróleo pode ser definido na
próxima semana e que a criação de uma estatal com o sistema de partilha de produção é a
proposta que conta com maiores adesões. Segundo ele, o modelo de partilha, semelhante ao
adotado na Noruega, deverá
ser implantado no pré-sal.
"Em geral não se inventa nada. É mais ou menos o modelo
da Noruega", disse. "A criação
da estatal é, talvez, a proposta,
no meu entendimento, que obtém maiores adesões [no governo]", afirmou.
O ministro, no entanto,
acrescentou que o presidente
Lula quer um debate público
antes da decisão final.
Ele estima em US$ 30 o piso
do preço do barril de petróleo
para a exploração do pré-sal
-na sexta, estava em US$ 41, o
que levou o presidente da Petrobras, José Sergio Gabrielli, a
dizer que esse patamar garantiria só o início da custosa prospecção, a uma profundidade de
7.000 metros na costa.
Lobão voltou a dizer que não
haverá atraso no cronograma
de construção das duas refinarias de gasolina de alta qualidade, no seu Estado (Maranhão)
e no Ceará, mas não descartou
alongamento de investimentos
em outras refinarias, como
vem sendo debatido na estatal.
O ministro disse ainda que
estão em curso negociações
com a China e com outros países, como os Emirados Árabes,
para investimentos.
| Copom é o prêmio da guerra cambial |
Luiz Sérgio Guimarães
08/12/2008
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| O principal acontecimento econômico desta semana não está desvinculado da queda-de-braço travada pelo Banco Central e os especuladores no mercado de câmbio. A última reunião do ano do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central, nesta quarta-feira, pode ser até o alvo central das escaramuças em torno da taxa de câmbio. A cotação do dólar está servindo de munição destinada a convencer o BC de que não será prudente começar a baixar a Selic tão cedo. O território a ser conquistado pelas instituições não são os lucros gerados aos detentores de swaps cambiais por dólar acima de R$ 2,60, mas a manutenção da Selic em 13,75% por pelo menos mais seis meses. Com isso, os especuladores ganham nas duas pontas, tanto com o juro alto quanto com o dólar caro. E a economia como um todo perde pelos dois lados: o primeiro comprime ainda mais a atividade já ferida pela crise externa e o segundo injeta combustível às expectativas de inflação. |
| O tiroteio cambial foi devastador na sexta-feira. De manhã, tendo como pretexto a extinção recorde de empregos nos EUA, o movimento comprador empurrou o dólar para até R$ 2,6210. A variação do dólar compõe a base da remuneração dos swaps cambiais emitidos no início da crise e que começam a vencer. A finalidade da esticada era chamar o BC para a briga. E ele foi, duplamente. Primeiro, sob a forma de intervenções. Fez cinco leilões, três de venda direta de dólar no mercado à vista e dois de venda de contratos de swaps cambiais. No total, abasteceu o mercado com US$ 2,3 bilhões. Em segundo lugar por meio de declarações oficiais insinuando a intenção do BC de não reduzir a taxa Selic. Este segundo fator pode ter sido até mais decisivo para a queda verificada no dólar no período da tarde. Foi depois dele que a moeda derreteu 4,42%, batendo na mínima de R$ 2,4240. A moeda encerrou o dia cotada a R$ 2,4790, em baixa de 2,24%. Vitória do BC? Na semana, acumulou valorização de 7%. |
| | O economista Júlio Sérgio Gomes de Almeida, consultor do IEDI, diz que a especulação cambial tem como objetivo primordial evitar que o BC diminua a taxa de juros básica. Essa é a meta mais valiosa. Depois vem o alvo secundário, que consiste na valorização dos swaps cambiais. No seu entender, o BC não pode ser operacionalmente autônomo unicamente em relação às ingerências de natureza política do governo. Sua independência deve ser mais abrangente. Ele deve desvincular-se sobretudo dos interesses do mercado. Atualmente, a política monetária é prisioneira desses interesses. Tanto é que não se pode confundir medidas de estímulo à ampliação da liquidez do sistema bancário com uma política de expansão do crédito. De acordo com Gomes de Almeida, nenhum centavo dos R$ 94 bilhões liberados do compulsório bancário chegou ao crédito. Esses recursos apenas aumentaram o empoçamento. "Se o BC não baixar logo o juro e o governo não fizer uma política fiscal mais ativa, o que atualmente mostra-se como uma desaceleração econômica pode se transformar em uma recessão", diz o professor de economia da Unicamp. |
| O BC parece estar numa sinuca de bico. Se larga o câmbio às forças do mercado, favorece às exportações ao melhorar a competitividade do câmbio num momento em que os países emergentes parecem dispostos a promover depreciações cambiais para facilitar a venda em mercados cada vez mais arredios. Esta pode ser a explicação para a atuação hesitante do BC no câmbio, na opinião do consultor Miguel Daoud, da Global Financial Advisor. Uma redução da Selic teria o poder de amplificar a desvalorização do real. Mas esta não pode sair do controle a ponto de estragar completamente o esforço desenvolvido desde 2002 de desinflação da economia brasileira. É por isso que o estrategista da Pentágono Asset, Marcelo Ribeiro, considera necessária a adoção de algum tipo de controle de capitais externos. "O governo deveria começar a cogitar a implementação de controles de capitais, nos moldes feitos pela Malásia em 1998, para impedir que a depreciação do real dificulte a queda da Selic na velocidade que tem de ser realizada para impedir que o Brasil entre em recessão", diz Ribeiro. |
| Para a economista-chefe do Banco Fibra, Maristella Ansanelli, diante do cenário de enfraquecimento mais rápido e mais agudo da atividade econômica, os índices de inflação têm ficado bem comportados, a despeito da forte depreciação do real nos últimos meses. Na sua visão, parece cedo para acreditar que os índices de inflação passarão incólumes ao movimento da moeda, mas certamente os impactos deste movimento sobre a inflação serão menores do que em episódios anteriores. "Neste contexto, estimo uma trajetória relativamente benigna para a inflação em 2009, com o IPCA convergindo para o patamar de 5%", diz a economista. |
| Luiz Sérgio Guimarães é repórter de Finanças |
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