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Fed aprova bancos no teste de estresse
BC americano informa que a ?ampla maioria? dos 19 bancos submetidos a exame excedeu o nível esperado
DOW JONES NEWSWIRES
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Durante teleconferência com a imprensa para explicar a metodologia dos "testes de estresse", funcionários do Federal Reserve (Fed, o banco central dos Estados Unidos) disseram que os 19 bancos receberam ontem os resultados preliminares da avaliação. Segundo eles, a "ampla maioria" dos bancos "excedeu bem" o nível e a qualidade de capital que os supervisores estavam almejando. Para tentar administrar uma potencial consequência dos resultados dos testes de estresse, o Fed disse que qualquer banco instruído a levantar novo capital como resultado dos "testes de estresse" do governo não deve ser visto como insolvente ou inviável. "Uma necessidade de capital adicional ou uma mudança na composição de capital para construir um colchão sob um cenário econômico que seja mais adverso do que o esperado não é uma medida de solvência atual ou viabilidade da firma", disse o Fed. Os funcionários do Fed disseram que criaram um padrão métrico para medir o capital e o usaram consistentemente em todos os 19 bancos para determinar o montante de um colchão de capital que cada um deles precisa manter acima dos níveis regulatórios de capital. Os supervisores podem ajustar o tamanho dessa camada extra de capital para algumas instituições para refletir outros fatores, tais como risco estratégico ou de reputação. "Estaremos buscando colchões, colchões substanciais, sobre proporções mínimas", disse um funcionário sênior do Fed. Eles preferiram não dar detalhes sobre o tamanho do colchão. O governo vai divulgar os resultados dos "testes de estresse" no dia 4 de maio, incluindo alguns dados específicos dos bancos e informação combinada do setor. Os bancos terão vários dias para contestar os resultados, antes que o governo os divulgue publicamente. O Fed disse que as avaliações futuras têm como objetivo assegurar que os bancos, que controlam dois terços dos ativos do país, tenham colchão de capital suficiente para continuar a emprestar mesmo se a economia piorar mais do que o esperado até o próximo ano. Os "testes de estresse" são uma parte central do esforço da administração do presidente Barack Obama para restaurar a confiança no setor bancário, que foi abalada pela crise financeira. O cenário-base do "teste de estresse" projetava uma taxa de desemprego média de 8,8% em 2010 e o mais "adverso", uma taxa de desemprego média de 10,3% no final de 2011. Segundo o Fed, embora a "probabilidade de a taxa de desemprego alcançar 10,3% em 2010 seja agora maior do que se antecipava quando os cenários foram determinados, aquele resultado ainda excede uma projeção de consenso mais recente dos analistas profissionais de uma taxa de desemprego média de 9,3% em 2010". Os bancos que tiverem de levantar mais capital serão direcionados pelo governo para fazer isso por meio de investidores privados. Eles podem, como alternativa, pedir financiamento do governo ou converter ações preferenciais existentes de posse do governo em ações ordinárias.
Bancos terão de aumentar suas reservas de capital
DOW JONES NEWSWIRES
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Autoridades do governo dos Estados Unidos estão pressionando alguns dos maiores bancos do país a aumentarem suas reservas de capital, segundo fontes ouvidas pelo Wall Street Journal. Os órgãos reguladores norte-americanos estão tentando consertar os balanços patrimoniais dos bancos e a imagem pública do setor financeiro. A identidade dos bancos, que estão entre as 19 instituições submetidas ao teste de estresse federal, não foi revelada. Analistas creem que a lista inclui bancos regionais com grande exposição ao setor imobiliário no Meio Oeste e Sudeste do país. As autoridades do governo acreditam que a maior parte da lista pode melhorar sua posição de capital sem captar dinheiro do fundo de resgate federal. Isso seria feito a partir do levantamento de fundos com investidores privados ou da conversão dos investimentos existentes do governo nos bancos em um novo tipo de título que protegeria melhor as instituições no caso de futuras perdas. No atual cenário, os EUA poderão terminar assumindo grandes fatias dos bancos, de forma parecida com uma estatização. O governo têm dito que qualquer movimento como esse seria temporário. Alguns bancos podem acabar pedindo uma infusão de caixa do Tesouro.
Bancos terão de aumentar suas reservas de capital
DOW JONES NEWSWIRES
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Autoridades do governo dos Estados Unidos estão pressionando alguns dos maiores bancos do país a aumentarem suas reservas de capital, segundo fontes ouvidas pelo Wall Street Journal. Os órgãos reguladores norte-americanos estão tentando consertar os balanços patrimoniais dos bancos e a imagem pública do setor financeiro. A identidade dos bancos, que estão entre as 19 instituições submetidas ao teste de estresse federal, não foi revelada. Analistas creem que a lista inclui bancos regionais com grande exposição ao setor imobiliário no Meio Oeste e Sudeste do país. As autoridades do governo acreditam que a maior parte da lista pode melhorar sua posição de capital sem captar dinheiro do fundo de resgate federal. Isso seria feito a partir do levantamento de fundos com investidores privados ou da conversão dos investimentos existentes do governo nos bancos em um novo tipo de título que protegeria melhor as instituições no caso de futuras perdas. No atual cenário, os EUA poderão terminar assumindo grandes fatias dos bancos, de forma parecida com uma estatização. O governo têm dito que qualquer movimento como esse seria temporário. Alguns bancos podem acabar pedindo uma infusão de caixa do Tesouro.
Mendes foge do padrão, dizem estudiosos
Para alguns especialistas, legislação favorece declarações do ministro; outros apontam eventual comprometimento da função de julgador
Para Rogério Arantes, da USP, cargo de presidente do STF leva a maior exposição; Oscar Vieira, da FGV, afirma que "o juiz fala no processo"
FLÁVIO FERREIRA
DA REPORTAGEM LOCAL
No seu primeiro ano como
presidente do STF (Supremo
Tribunal Federal), completado
anteontem, e do CNJ (Conselho Nacional de Justiça), o ministro Gilmar Mendes inovou
nos cargos ao incorporar a figura de "chefe do Poder Judiciário" e ao se manifestar constantemente sobre temas políticos
e jurídicos como nenhum outro
titular, segundo estudiosos do
Judiciário ouvidos pela Folha.
Para parte dos especialistas,
as constantes manifestações de
Mendes podem provocar uma
confusão sobre o papel do STF
e críticas sobre a imparcialidade do ministro para julgar os
processos em trâmite na corte.
Há pesquisadores que entendem, porém, que a conduta do
atual presidente é favorecida
pela legislação, que confere ao
tribunal a possibilidade de
apreciar questões de políticas
públicas e pelo fato de ele ocupar também a presidência do
CNJ -criado em 2005 para
exercer o controle administrativo e disciplinar do Judiciário.
O professor de direito da
FGV (Fundação Getúlio Vargas) Oscar Vilhena Vieira é um
dos críticos em relação às frequentes manifestações do presidente do STF. "Gilmar Mendes é um ponto fora da curva
em relação aos anteriores. O
[Nelson] Jobim tinha certa exposição, mas Ellen Gracie, Celso de Mello, Sepúlveda Pertence foram discretos. A tradição é
de uma certa discrição. O velho
jargão no direito é: o juiz fala
no processo", diz Vieira.
O professor de direito da
USP (Universidade São Paulo)
José Reinaldo Lopes afirma
que "Mendes não deveria se
manifestar sobre temas que
potencialmente chegarão ao
Supremo, já que o tribunal teve
poderes ampliados e pode ser
chamado a julgar assuntos de
interesse público".
Segundo Lopes, "o Poder Judiciário é, por definição, não
ativo, e age a partir da provocação da sociedade. É por isso
que ele pode dar a última palavra sobre a interpretação da
Constituição. O STF tem o poder extraordinário de, em última instância, definir as regras
do jogo, mas em contrapartida
não pode ter a iniciativa ou participar ativamente do jogo".
Ativismo político
A pesquisadora do Centro
Brasileiro de Estudos e Pesquisas Judiciais Maria Tereza Sadek afirma, porém, que a atitude de Mendes não a surpreendeu e que, a partir da Constituição de 1988, a tendência é um
ativismo político cada vez
maior dos ministros do STF.
"O modelo constitucional de
1988 permite que o Poder Judiciário exerça um papel de ator
político relevante. O Supremo
Tribunal Federal passou a ter a
possibilidade de tratar uma série de novas matérias, e por isso
os ministros são levados a se
pronunciar sobre muitos temas", afirma Sadek.
Segundo a pesquisadora, o
tribunal tornou-se mais aberto
à sociedade e isso também colaborou para uma maior exposição de seus ministros. Para Sadek, "o Supremo alterou-se
enormemente nos últimos
anos e, particularmente durante a presidência do ministro
Gilmar Mendes, ocorreram
mudanças significativas. O Supremo passou a ter, por exemplo, audiências públicas, o que
nunca ocorreu antes".
O professor de ciência política da USP Rogério Arantes
também diz que o STF possui
uma posição institucional que
favorece manifestações públicas frequentes de seus integrantes. "Não se pode exigir de
ministros do STF, que ocupam
cadeiras em um tribunal com
funções igualmente políticas, a
discrição ou o isolamento que
se espera de juízes de primeiro
grau. Mas é necessário ter equilíbrio na voz, para que manifestações públicas não comprometam o prestígio institucional
da corte, componente essencial
de sua legitimidade perante a
sociedade e os demais Poderes", afirma o professor.
Por meio da assessoria de comunicação do STF, Mendes informou que não iria se manifestar sobre as opiniões dos estudiosos ouvidos pela Folha.
Autenticidade de ficha de Dilma não é provada
Folha tratou como autêntico documento, recebido por e-mail, com lista de ações armadas atribuídas à ministra da Casa Civil
Reportagem reconstituiu participação de Dilma em atos do grupo terrorista VAR-Palmares, que lutou contra a ditadura militar
DA SUCURSAL DO RIO
A Folha cometeu dois erros
na edição do dia 5 de abril, ao
publicar a reprodução de uma
ficha criminal relatando a participação da hoje ministra Dilma Rousseff (Casa Civil) no
planejamento ou na execução
de ações armadas contra a ditadura militar (1964-85).
O primeiro erro foi afirmar
na Primeira Página que a origem da ficha era o "arquivo
[do] Dops". Na verdade, o jornal recebeu a imagem por e-mail. O segundo erro foi tratar
como autêntica uma ficha cuja
autenticidade, pelas informações hoje disponíveis, não pode
ser assegurada -bem como
não pode ser descartada.
A ficha datilografada em papel em tom amarelo foi publicada na íntegra na página A10 e
em parte na Primeira Página,
acompanhada de texto intitulado "Grupo de Dilma planejou
sequestro de Delfim Netto".
Internamente, foi editada
junto com entrevista da ministra sobre sua militância na juventude. Sob a imagem, uma
legenda ressaltou a incorreção
dos crimes relacionados: "Ficha de Dilma após ser presa
com crimes atribuídos a ela,
mas que ela não cometeu".
O foco da reportagem não
era a ficha, mas o plano de sequestro em 1969 do então ministro Delfim Netto (Fazenda)
pela organização guerrilheira à
qual a ministra pertencia, a
VAR-Palmares (Vanguarda Armada Revolucionária Palmares). Ela afirma que desconhecia o plano.
Em carta enviada ao ombudsman da Folha anteontem,
Dilma escreve: "Apesar da minha negativa durante a entrevista telefônica de 30 de março
(...) a matéria publicada tinha
como título de capa "Grupo de
Dilma planejou sequestro do
Delfim". O título, que não levou
em consideração a minha veemente negativa, tem características de "factóide", uma vez
que o fato, que teria se dado há
40 anos, simplesmente não
ocorreu. Tal procedimento não
parece ser o padrão da Folha."
A reportagem da Folha se
baseou em entrevista gravada
de Antonio Roberto Espinosa,
ex-dirigente da VPR (Vanguarda Popular Revolucionária) e
da VAR-Palmares, que assumiu
ter coordenado o plano do sequestro do ex-ministro e dito
que a direção da organização tinha conhecimento dele.
Três dias depois da publicação da reportagem, Dilma telefonou à Folha pedindo detalhes da ficha. Dizia desconfiar
de que os arquivos oficiais da
ditadura poderiam estar sendo
manipulados ou falsificados.
O jornal imediatamente destacou repórteres para esclarecer o caso. A reportagem voltou
ao Arquivo Público do Estado
de São Paulo, que guarda os documentos do Dops. O acervo,
porém, foi fechado para consulta porque a Casa Civil havia
encomendado uma varredura
nas pastas. A Folha só teve
acesso de novo aos papéis cinco
dias depois.
No dia 17, a ministra afirmou
à rádio Itatiaia, de Belo Horizonte, que a ficha é uma "manipulação recente".
Na carta que enviou ao ombudsman, Dilma escreveu: "Solicitei formalmente os documentos sob a guarda do Arquivo Público de São Paulo que dizem respeito a minha pessoa e,
em especial, cópia da referida
ficha. Na pesquisa, não foi encontrada qualquer ficha com o
rol de ações como a publicada
na edição de 5.abr.2009. Cabe
destacar que os assaltos e ações
armadas que constam da ficha
veiculada pela Folha de S.
Paulo foram de responsabilidade de organizações revolucionárias nas quais não militei.
Além disso, elas ocorreram em
São Paulo em datas em que eu
morava em Belo Horizonte ou
no Rio de Janeiro. Ressalte-se
que todas essas ações foram objeto de processos judiciais nos
quais não fui indiciada e, portanto, não sofri qualquer condenação. Repito, sequer fui interrogada, sob tortura ou não,
sobre aqueles fatos."
A ministra escreveu ainda:
"O mais grave é que o jornal Folha de S.Paulo estampou na
página A10, acompanhando o
texto da reportagem, uma ficha
policial falsa sobre mim. Essa
falsificação circula pelo menos
desde 30 de novembro do ano
passado na internet, postada
no site www.ternuma.com.br ("terrorismo nunca mais"),
atribuindo-me diversas ações
que não cometi e pelas quais
nunca respondi, nem nos constantes interrogatórios, nem
nas sessões de tortura a que fui
submetida quando fui presa
pela ditadura. Registre-se também que nunca fui denunciada
ou processada pelos atos mencionados na ficha falsa."
Fontes
Dilma integrou organizações
de oposição aos governos militares, entre as quais a VAR-Palmares, um dos principais grupos da luta armada. A ministra
não participou, no entanto, das
ações descritas na ficha. "Nunca fiz uma ação armada", disse
na entrevista à Folha de 5 de
abril. Devido à militância, foi
presa e torturada.
Na apuração da reportagem
do dia 5, o jornal obteve centenas de documentos com fontes
diversas: Superior Tribunal
Militar, Arquivo Público do Estado de São Paulo, Arquivo Público Mineiro, ex-militantes da
luta armada e ex-funcionários
de órgãos de segurança que
combateram a guerrilha.
Ao classificar a origem de cada documento, o jornal cometeu um erro técnico: incluiu a
reprodução digital da ficha em
papel amarelo em uma pasta de
nome "Arquivo de SP", quando
era originária de e-mail enviado à repórter por uma fonte.
No arquivo paulista está o
acervo do antigo Dops, sigla
que teve vários significados,
dos quais o mais marcante foi
Departamento de Ordem Política e Social. Na ditadura, era a
polícia política estadual.
Entre as imagens reproduzidas pelo arquivo, a pedido da
Folha, não estava a ficha. "Essa
ficha não existe no acervo", diz
o coordenador do arquivo, Carlos de Almeida Prado Bacellar.
"Nem essa ficha nem nenhuma
outra ficha de outra pessoa com
esse modelo. Esse modelo de ficha a gente não conhece."
Pelo menos desde novembro
a ficha está na internet, destacadamente em sites que se
opõem à provável candidatura
presidencial de Dilma.
O Grupo Inconfidência, de
Minas Gerais, mantém no ar
uma reprodução da ficha. A entidade reúne militares e civis
que defendem o regime instaurado em 1964. Seu criador, o tenente-coronel reformado do
Exército Carlos Claudio Miguez, afirma que a ficha "está
circulando na internet há mais
de ano". Sobre a autenticidade,
comentou: "Não posso garantir. Não fomos nós que a botamos na internet".
Pesquisadores acadêmicos,
opositores da ditadura e ex-agentes de segurança, se dividem. Há quem identifique indícios de fraude e quem aponte
sinais de autenticidade da ficha. Apenas parte dos acervos
dos velhos Dops está nos arquivos públicos. Muitos documentos foram desviados por funcionários e hoje constituem arquivos privados.
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