090302
Last edited March 2, 2009
More by Luis Nassif »
AMPLUS

Folha de S.Paulo - Aparelho médico está encostado há 3 anos - 02/03/2009
www1.folha.uol.com.br/fsp/cotidian/ff0203200911.ht...
Aparelho médico está encostado há 3 anos

Único equipamento de ressonância magnética da rede municipal de SP nunca foi usado porque gestão Kassab ainda não fez obra necessária

Secretaria da Saúde atribui o atraso à "complexidade e a requisitos técnicos'; 6.500 pessoas/mês precisam do exame na rede paulistana

CONRADO CORSALETTE
DA REPORTAGEM LOCAL

Há três anos, repousa embalado em plásticos, num depósito da zona norte de São Paulo, um aparelho de ressonância magnética de 13 toneladas, com preço avaliado em US$ 130 mil, que poderia ser usado na rede municipal de saúde paulistana.
O equipamento foi comprado pela Amplus, empresa contratada pela prefeitura em 2006 para prestar serviços de diagnóstico por imagem, mas ainda não foi instalado porque a gestão do prefeito Gilberto Kassab (DEM) não concluiu as obras necessárias para acomodá-lo no hospital do Campo Limpo, na zona sul da cidade.
O sistema municipal de saúde não conta com nenhum equipamento de ressonância magnética -eficaz no diagnóstico de doenças, principalmente do sistema nervoso.
Mensalmente, as cerca de 6.500 pessoas atendidas na rede paulistana que precisam do exame acabam encaminhadas a hospitais estaduais ou usam os laboratórios da Amplus.
Em junho do ano passado, a Folha revelou que as obras para abrigar o aparelho de ressonância magnética não tinham sequer começado. Na ocasião, a gestão Kassab prometeu concluí-las e colocar o equipamento em uso em 30 de setembro.
A prefeitura chegou a iniciar as obras, mas, a cinco dias do fim do prazo, recebeu um ofício de um técnico da Amplus que fez uma vistoria apontando problemas para sua instalação:
1) A cobertura do local estava apoiada em vigas de ferro, o que contraria as normas de uso do equipamento, já que, quando ele é ligado, transforma-se numa espécie de imã;
2) Não havia rampa para entrada de equipamentos na sala (o local fica num barranco);
3) Tubos das instalações elétricas eram expostos;
4) As portas eram estreitas (com 70 cm de largura), fora dos padrões para serviços de saúde (média de 90 cm);
5) Próximo à porta, havia um cano de esgoto com vazamento.
Procurada pela Folha, a Secretaria Municipal da Saúde atribui o atraso à "complexidade e a requisitos técnicos".
A pasta não se comprometeu com prazos para colocar o aparelho de ressonância (com preço próximo de R$ 310 mil) em funcionamento nem para concluir as obras. O custo da reforma seria de R$ 500 mil.
O contrato da prefeitura paulistana com a Amplus foi julgado irregular pelo Tribunal de Contas do Município em junho do ano passado.
Além de apontar problemas como a não-instalação da ressonância, os conselheiros questionaram a forma da contratação (pregão) para um acordo de valor alto: R$ 108 milhões por três anos. Eles defendem a concorrência pública. A prefeitura recorreu da decisão.
O contrato acaba no próximo dia 16. A prefeitura pretende substituir os serviços da Amplus pelas Organizações Sociais, que administram AMAs (Atendimento Médico Ambulatorial) e hospitais públicos.

Folha de S.Paulo - Outro lado: Secretaria nega falta de assistência e culpa "complexidade" por
www1.folha.uol.com.br/fsp/cotidian/ff0203200913.ht...
Secretaria nega falta de assistência e culpa "complexidade" por atraso em obra

DA REPORTAGEM LOCAL

Em nota, a Secretaria Municipal da Saúde atribuiu o atraso nas obras no hospital do Campo Limpo, na zona sul, que permitirão o funcionamento do aparelho de ressonância magnética, à "complexidade e a requisitos técnicos específicos".
"O aparelho foi adquirido e é mantido pela empresa contratada. Entretanto, em nenhum momento houve desassistência à população ou custo adicional para a realização de cada exame", afirma a secretária.
A gestão do prefeito Gilberto Kassab (DEM) não se comprometeu com um novo prazo para a entrega das obras no hospital.
A Amplus, empresa contratada pelo município, afirma que o equipamento está guardado de forma adequada e que pode entrar em funcionamento assim que a prefeitura der as condições necessárias para isso.
Segundo a secretaria, a Amplus tem de fazer, em média, 600 exames de ressonância magnética por mês. Tais exames são feitos em instalações da própria empresa. O restante das pessoas que procuram pelo exame na rede municipal é encaminhado para hospitais geridos pelo Estado.

Três mil esperam por exame de ressonância na capital - O Globo Online
oglobo.globo.com/sp/mat/2007/05/28/295921930.asp

Três mil esperam por exame de ressonância na capital

Plantão | Publicada em 28/05/2007 às 10h38m

Sergio Roxo, Diário de S.Paulo

SÃO PAULO - Desde novembro, o atendente Érico William Barbosa Pereira, de 19 anos, sofre com dores no joelho direito. Desempregado e sem convênio médico, a alternativa que lhe restou foi recorrer à rede municipal de saúde. No fim do ano passado, ele procurou o posto próximo a sua casa, no Campo Limpo, na zona sul da capital. Porém, até hoje, não conseguiu passar pelo exame de ressonância magnética, que poderia identificar o problema.

Ele é apenas um numa fila de 3 mil pessoas que aguardam para realizar o exame. A espera é de seis meses e os exames são feitos por convênios com entidades privadas e com unidades da rede de saúde do governo do estado.

A situação de Érico poderia ser diferente se um contrato de R$ 108 milhões entre a Prefeitura e a Amplus Diagnósticos por Imagem tivesse sido integralmente cumprido. A empresa, que tem sede em Santos, deveria, além de realizar exames de raio-X, ultra-sonografias e tomografias

computadorizadas em pacientes paulistanos, instalar equipamentos em unidades da rede.

O contrato, de março de 2006, previa que fosse instalado um aparelho de ressonância. Mas até hoje o equipamento ainda não está operando.

A ausência do equipamento de ressonância, que atualmente tem previsão de ser instalado no Hospital do Campo Limpo, é grave porque não há outro aparelho para realizar o exame na rede municipal.

- Quando faz frio, dói muito. Quando eu ando bastante, incha. Os médicos do convênio, que me examinaram no tempo que eu ainda estava empregado, disseram que eu preciso operar. Mas eu tenho que ter um diagnóstico para fazer a cirurgia pelo SUS - afirmou.

Além de diagnósticos ortopédicos, como o de Érico, a ressonância serve, entre outras coisas, para verificar os reais danos de um acidente vascular cerebral (AVC) e diagnosticar tumores.

Com a ausência do equipamento, médicos dizem que acabam optando, no atendimento emergencial, por tomografia, que em muitos casos não permite a mesma precisão.

A falta de equipamentos como o de ressonância magnética é só uma das “falhas graves” encontradas na execução do contrato com a Amplus, segundo um relatório final de fevereiro da equipe corregedora constituída para apurar “supostas irregularidades em licitações da Secretaria de Saúde”.

Apesar de o equipamento não ter sido instalado, a Secretaria de Saúde deu nota 9 à empresa Amplus, que, por sua vez, culpou a Prefeitura pelos atrasos .

Os R$ 108 milhões do compromisso com a empresa seriam suficientes para bancar a implantação de mais de 200 unidades de Atendimento Médico Ambulatorial, as AMAs, uma das bandeiras da gestão do prefeito Gilberto Kassab (DEM).

Nas 80 páginas do documento da corregedoria, nomeada pela própria administração municipal, são relatadas irregularidades no compromisso para diagnóstico por imagem e no de exames laboratoriais. Há falhas na elaboração do modelo escolhido para a contratação e uma lista de obrigações não cumpridas.

A equipe corregedora que analisou as contratações se surpreendeu com a adoção de modelos diferentes para a prestação de um “serviço semelhante” e que teve a mesma origem. Enquanto nos exames laboratoriais, a cidade foi dividida em cinco lotes e as empresas de fora da Grande São Paulo foram barradas, na contratação de diagnóstico por imagem não havia essa restrição.

Também é destacado no relatório da corregedoria que houve dispensa da publicação no “Diário Oficial” da autorização para abertura da licitação. O edital foi lançado em 21 de dezembro de 2005, a quatro dias do Natal.

A Amplus só pôde entrar na disputa porque três meses antes, mesmo sem conhecer oficialmente a exigência, elevou o seu capital social de R$ 100 mil para R$ 650 mil. Só poderiam brigar pelo contrato empresas com capital social mínimo de R$ 540 mil. O estabelecido era que as empresas deveriam oferecer desconto sobre o valor constante na tabela de exames do Sistema Único de Saúde (SUS). A Amesp entrou na disputa, mas não ofereceu desconto. A Emac ofertou 0,1% e depois baixou para 0,4%. No final, a Amplus venceu com uma oferta 0,5% inferior à tabela.

Saúde dá nota 9 ao serviço e empresa critica a Prefeitura

Publicada em 28/05/2007 às 10h45m
Diário de S.Paulo

SÃO PAULO - A secretária municipal de Saúde, Maria Aparecida Orsini, não vê problemas no serviço prestado pela Amplus e avalia a empresa com uma nota alta, apesar da falta de equipamento de ressonância magnética que deveria ter sido instalado e da fila de 3 mil pacientes à espera do exame.

- Dou nota 9 ou 9,5. Ainda está faltando melhorar mais a rapidez na entrega dos laudos - disse.

Maria Aparecida fez questão de ressaltar que o relatório da corregedoria obtido pelo jornal Diário de S.Paulo, que aponta falhas na execução do contrato com a Amplus, não é um documento conclusivo. ( saiba mais sobre o relatório )

- Esse documento faz parte de um procedimento inacabado. Tudo que a gente considerou que fosse passível de correção foi feito. Houve uma leitura técnica. Há necessidade de interpretação. Um procurador pode interpretar um fato que tem uma explicação técnica, do ponto de vista médico - afirmou a secretária, que ainda não havia assumido o comando da pasta no momento da contratação da Amplus.

O secretário-adjunto Ailton de Lima Ribeiro, que assinou o compromisso com a Amplus, rebateu os questionamentos feitos pela corregedoria ao fato de ter sido dispensada a publicação no "Diário Oficial" da autorização para abertura da licitação. Segundo ele, não existe essa obrigatoriedade.

Ribeiro também tem uma explicação para as diferenças na forma de contratação do serviço de diagnóstico por imagem e de exames laboratoriais. Segundo ele, como a empresa de diagnóstico teria que fazer investimentos, não seria atrativo dividir a cidade em lotes. A restrição às empresas da Grande São Paulo no exame laboratorial ocorreu porque os transportes de longa distância colocam em risco o material colhido.

Ribeiro garantiu que em breve o aparelho de ressonância estará funcionando provisoriamente em algum ponto da cidade.

- Temos que esperar a adequação do Hospital do Campo Limpo ficar pronta para fazer a instalação definitiva. O tomógrafo que a Amplus deve irá para o Hospital de Cidade Tiradentes, a ser inaugurado em junho

As adaptações necessárias na estrutura das unidades de saúde é a explicação para o atraso na entrega dos equipamentos previstos no contrato.

A culpa

A Amplus culpou a Prefeitura pelos pontos do contrato de R$ 108 milhões que não foram cumpridos até agora.

- A troca de governo atrapalhou bastante. Saiu o prefeito (José Serra) e entrou outro (Gilberto Kassab). Quem estava fazendo a interlocução mudou. Atrasamos a implantação desse projeto por falta de direção (por parte da Prefeitura). Estamos correndo atrás agora - disse Paulo Fabiani de Oliveira, responsável técnico e um dos sócios da empresa.

A Amplus também alega que não tem recebido os R$ 3 milhões estabelecidos no compromisso.

- Ganhamos por produção. Não chegamos nem perto. O contrato foi mal dimensionado. Estou com um desequilíbrio do contrato muito grande. No ano passado, faturamos no máximo R$ 1,7 milhão. Neste ano, está em R$ 2,4 milhões - disse Oliveira.

Segundo ele, há desequilíbrio do contrato porque a secretaria é morosa na sua de atuação. Fabiani afirmou não ter sido comunicado pela Prefeitura sobre o relatório da corregedoria. Ele também disse que aumentou o capital social antes da licitação porque precisava comprar equipamentos e teria que apresentar garantias aos seus fornecedores.

Sobre os atrasos nas entregas, o empresário afirmou que a Prefeitura não apresentou as condições para a instalação dos aparelhos e, em seguida, alterou as unidades que os receberiam.

- Temos interesse em ter os equipamentos funcionando para poder faturar mais.

Fabiani nega ainda que tenha sido favorecido pelo aditamento.

- A única coisa que foi feita no aditamento de contrato foi determinar para onde os equipamentos que estavam determinados para o Hospital do Servidor Público Municipal iriam. Até queria um aditamento melhor para mim.

A empresa, fundada em 1999 em Santos, diz ter experiência na prestação de serviço para as prefeituras dos municípios de Guarujá e São Vicente, ambos também no Litoral Sul.
Folha de S.Paulo - Contrato foi considerado irregular - 02/03/2009
www1.folha.uol.com.br/fsp/cotidian/ff0203200912.ht...
Contrato foi considerado irregular

DA REPORTAGEM LOCAL

O contrato da prefeitura com a Amplus foi julgado irregular pelo Tribunal de Contas do Município em junho do ano passado.
Além de apontar problemas como a não-instalação da ressonância, os conselheiros questionaram a forma da contratação (pregão) para um acordo de valor alto: R$ 108 milhões por três anos. A assinatura foi feita ainda na gestão do hoje governador José Serra (PSDB).
Os conselheiros argumentaram à época que, para contratos assim, seria necessário uma concorrência pública. A prefeitura recorreu da decisão.
O Ministério Público do Trabalho também investiga a Amplus. Auditoria viu irregularidades na contratação de funcionários -por meio de terceirizadas, sem registro. A empresa diz que cumpre seu contrato e afirma estar em dia com os tributos.

REQUERIMENTOS RECEBIDOS PARA PUBLICAÇÃO
REQUERIMENTO 08-0097/2007
“Requer a constituição de Comissão Parlamentar de Inquérito
para apurar a legalidade do Pregão Presencial nº 402/2005 e
do contrato administrativo dele decorrente.
CONSIDERANDO os sérios indícios de favorecimento existentes
no âmbito do Pregão Presencial nº 402/2005, da Secretaria
Municipal de Saúde, que resultou na contratação da empresa
AMP serviços de Diagnóstico por Imagem.
CONSIDERANDO que o contrato decorrente do referido Pregão
Presencial vem sendo sistematicamente descumprido por parte
da mencionada empresa sem nenhuma atitude efetiva por
parte da Secretaria Municipal de Saúde, causando enormes
transtornos aos munícipes, que, em alguns casos são expostos
a risco de vida por falta de diagnóstico.
CONSIDERANDO que o contrato administrativo firmado pelo
município junto a empresa AMP Serviços de Diagnóstico por
Imagem monta o altíssimo valor estimado de R$
108.000.000,00 (cento e oito milhões de reais), o que requer
total rigor desta Casa Legislativa no tocante à sua fiscalização.
CONSIDERANDO ainda que a contratação dos serviços de diagnóstico
por imagem teve procedimentos totalmente diversos
dos adotados pela Secretaria Municipal de Saúde para a contratação
dos exames laboratoriais.
REQUEREMOS, com fundamento no artigo 33 da Lei Orgânica
do Município de São Paulo, a constituição de Comissão Parlamentar
de Inquérito com 9 (nove) membros e duração de 120
(cento e vinte) dias, destinada a apurar a existência ou não de
favorecimento no processo licitatório que originou a contratação
da empresa AMP Serviços de Diagnóstico por Imagem
Ltda, eventual infringência às obrigações contratuais assumidas
perante a Municipalidade de São Paulo, bem como
eventual benevolência dos responsáveis pela gestão do contrato
com relação a possível descumprimento contratual por
parte da contratada.
REQUEREMOS ainda seja objeto de averiguação da Comissão
Parlamentar de Inquérito todos os contratos destinados à realização
de exames laboratoriais celebrados pela Municipalidade
em decorrência do processo administrativo nº 2005-0.112.495-
7, que selecionou as empresas contratadas.
Sala das Sessões, em
ANTONIO DONATO
VEREADOR”
REQUERIMENTO 08-0098/2007
“Requer a Instauração de Comissão Parlamentar de Inquérito
para apurar gestão de recursos públicos na área da saúde no
período de 2005 à 2007, como no caso das denúncias referentes
aos recursos do SAMU, os quais estariam ficando aplicados
no mercado financeiro e sendo investidos na Saúde
apenas os juros, bem como, os repasses à outras parcerias que
não foram identificadas nas prestações de contas e denúncias
de eventuais mortes por falta de atendimento em tempo hábil
pelo SAMU, e o contrato com a Amplus Diagnósticos por
Imagem.
REQUEREMOS ao Egrégio Plenário, com fundamento no artigo
33 da Lei Orgânica do Município de São Paulo e artigo 90 e seguintes
do Regimento Interno desta Casa, a Constituição de
Comissão Parlamentar de Inquérito, composta por 09 (nove)
membros e duração de 120 (cento e vinte) dias, para apurar,
de forma contundente e profunda, a gestão de recursos públicos
na área da saúde no período de 2005 à 2007, como no
caso das denúncias referentes aos recursos do SAMU, os quais
estariam ficando aplicados no mercado financeiro e sendo investidos
na Saúde apenas os juros, e eventuais mortes que poderiam
ser evitadas se atendidas em tempo hábil pelo SAMU,
Morbem
como, os repasses à outras parcerias que não foram identificadas
nas prestações de contas e o contrato de R$ 108 Milhões
com a Amplus Diagnósticos por Imagem o qual não estaria
sendo cumprido.
Com a instalação da Comissão Parlamentar de Inquérito ora
requerida, poderemos investigar e averiguar essas denúncias
que estão sendo publicadas na imprensa e questões que ficaram
sem a devida prestação de contas nos relatórios apresentados
pela Secretaria Municipal de Saúde à Câmara Municipal
de Vereadores, dentre as quais, destacamos:
SAMU - R$ 33.709.485,11, que sobraram no ano de 2006 nos
cofres públicos aplicados no mercado financeiro e que não
foram investidos na melhoria da qualidade da prestação de
serviços de urgência:
No relatório de prestação de contas do SAMU apresentado na
Comissão Permanente de Saúde da Câmara Municipal de São
Paulo, consta que no ano de 2005, foram recebidos R$
13.788.000,00 que geraram juros de R$ 1.201.337,67 e foram
aplicados apenas R$ 1.500.660,37, restando de saldo disponível,
R$ 13.492.941,20.
No ano de 2006, o mesmo relatório informa que foram recebidos
R$ 20.137.000,00, e que os juros obtidos foram de R$
3.333.682,26, sendo aplicados apenas R$ 3.254.138,35, restando
o saldo disponível de R$ 33.709.485,11. Ou seja, em
2006, nem sequer os juros foram investidos nos serviços de urgência
do SAMU.
No ano de 2007, o relatório trimestral, aponta que foram recebidos
de janeiro à março de 2007, R$ 4.647.000,00 (página 31,
relatório trimestral da Secretaria de Saúde da Prefeitura de São
Paulo), e que foram pagos apenas R$ 710.902,00 (página 08,
do mesmo relatório). Portanto, o saldo de recursos disponíveis,
tudo indica, teria aumentado.
No relatório de pesquisa do CREMESP - Conselho Regional de
Medicina do Estado de São Paulo, publicado no Jornal O Estado
de São Paulo, edição de 23 de maio de 2007, caderno
Metrópole, consta que: “das 30 AMAs avaliadas, 36,7% (trinta
e seis, sete) por cento, relataram obstáculos à remoção de
doentes graves por meio de ambulância.”.
Por outro lado, são relatados que faltam 908 (novecentos e
oito) profissionais na área de saúde dentre: médicos, enfermeiros,
auxiliares de enfermagem, motoristas e AGPP, necessários
serem contratados para que o SAMU pudésse atender
adequadamento os cidadãos do Município de São Paulo.
Caso da morte do Sr. Manoel Moreira dos Santos, de 40 anos,
ambulante, que morreu na madrugada do dia 14 de abril de
2007, após aguardar uma hora e meia por atendimento do
SAMU (denúncia contida no Jornal: O ESTADO DE SÃO PAULO,
edição de 29.05.07, caderno CIDADES/METRÓPOLE, página C
4.; Jornal: da Tarde, edição de 29.05.07, caderno JTCIDADE,
página 3A.)
Falta de prestação de contas de R$ 253.339.330,00 referentes
à recursos públicos classificados como outras parcerias e que
não sabemos a qual parceria foram destinados:
No ano de 2005, faltam ser identificados o valor de R$
54.495.742,00, nos casos de parcerias para a realização de
procedimentos de média e alta complexidade - MAC, conforme
relatório de prestação de contas do ano de 2006, página 40.
Também não há identificação para onde foram repassados R$
37.461.845,00, referentes à parcerias para procedimentos de
terapia renal substitutiva - TRS, conforme conta do relatório de
prestação de contas do ano de 2006, página 42. Somados
esses dois valores perfazem o total de R$ 91.957.587,00, referente
ao ano de 2005, que não há identificação para onde
foram os recursos.
Em relação ao ano de 2006, há falta de informação para quais
parcerias foram repassados o valor de R$ 106.550.929,00 referentes
à procedimentos de média e alta complexidade.
Também, não há informação de quais parcerias receberam o
valor de R$ 54.830.814,00 referentes à procedimentos de terapia
renal substitutiva - TRS, totalizando o valor de R$
161.381.743,00, que não há identificação de quais parcerias
receberam esses recursos no ano de 2006. Ou seja, não foram
identificados a soma total de R$ 253.339.330,00, referentes à
convênios com parceiros da Prefeitura de São Paulo.
DENÚNCIA PUBLICADA NA IMPRENSA DE QUE O CONTRATO
COM A AMPLUS DIAGNÓSTICOS POR IMAGEM NO VALOR DE
R$ 108 MILHÕES DE REAIS NÃO ESTÁ SENDO CUMPRIDO E
DOENTE FICA SEM EXAME, conforme publicação do Jornal
Diário de São Paulo, Edição de 28 de maio de 2007, página A
3, relatando o que estaria contido no relatório da Corregedoria
da Prefeitura de São Paulo.
Razões essas mais que suficientes para que seja instalada a
ora requerida COMISSÃO PARLAMENTAR DE INQUÉRITO.
Seguem anexos:
1. Notícia publicada no Jornal: O ESTADO DE SÃO PAULO, Caderno
CIDADES/METRÓPOLE, edição de 29 de maio de 2007,
página C4, contendo a denúncia: SAMU TEM “SOBRA” DE R$
35 MILHÕES EM APLICAÇÕES;
2. Notícia publicada no Jornal: JORNAL DA TARDE, Caderno
JTCIDADE, edição de 29 de maio de 2007, página 3A, contendo
denúncia: VERBA PÚBLICA VIRA POUPANÇA - SAMU DE
SÃO PAULO TEM R$ 35 MILHÕES APLICADOS NO MERCADO
FINANCEIRO, ENQUANTO ISSO, A POPULAÇÃO SOFRE COM A
DEMORA NO ATENDIMENTO PROVOCADA PELA FALTA DE
MÉDICOS, ENFERMEIROS E O MAU ESTADO DAS
AMBULÂNCIAS - TEM DINHEIRO DE SOBRA.
3. Relatório de Prestação de Contas da SAMU, apresentado
pelo Diretor do SAMU, DR. MILTON GLEZER, na Comissão Permanente
de Saúde da Câmara Municipal de São Paulo.
4. Relatório de Acompanhamento Orçamentário e Financeiro
do Ano de 2006, apresentado pela Secretária Municipal de
Saúde, Dra. Maria Aparecida Orsini de Carvalho Fernandes, e
pelo Secretário Adjunto da Secretaria Municipal de Saúde, Dr.
Ailton de Lima Ribeiro, na Comissão Permanente de Saúde da
Câmara Municipal de São Paulo;
5. Notas Taquigráficas da Audiência Pública da Comissão de
Saúde, Promoção Social de Trabalho, realizada no dia 28 de
março de 2007, em que foram apresentados os relatórios de
prestação de contas referentes ao terceiro e quarto trimestre
de 2006, fora dos prazos legais.
6. DENÚNCIA PUBLICADA NA IMPRENSA DE QUE O CONTRATO
COM A AMPLUS DIAGNÓSTICOS POR IMAGEM NO
VALOR DE R$ 108 MILHÕES DE REAIS NÃO ESTÁ SENDO CUMPRIDO
E DOENTE FICA SEM EXAME, conforme publicação do
Jornal Diário de São Paulo, Edição de 28 de maio de 2007, página
A 3, relatando o que estaria contido no relatório da Corregedoria
da Prefeitura de São Paulo.
Sala das Sessões, 30 de maio de 2007
JOSÉ FERREIRA DOS SANTOS(ZELÃO
Vereador PT/CMSP.”
REQUERIMENTO 08-0099/2007
“Requer a constituição de Comissão Parlamentar de Inquérito
para apurar a legalidade do Pregão Presencial nº 402/2005, do
contrato administrativo dele decorrente e eventuais irregularidades
no Serviço de Atendimento Móvel de Urgência - SAMU.
CONSIDERANDO os sérios indícios de favorecimento existentes
no âmbito do Pregão Presencial nº 402/2005, da Secretaria
Municipal de Saúde, que resultou na contratação da empresa
AMP serviços de Diagnóstico por Imagem.
CONSIDERANDO que o contrato decorrente do referido Pregão
Presencial vem sendo sistematicamente descumprido por parte
da mencionada empresa sem nenhuma atitude efetiva por
parte da Secretaria Municipal de Saúde, causando enormes
transtornos aos munícipes, que, em alguns casos são expostos
a risco de vida por falta de diagnóstico.
CONSIDERANDO que o contrato administrativo firmado pelo
município junto a empresa AMP Serviços de Diagnóstico por
Imagem monta o altíssimo valor estimado de R$
108.000.000,00 (cento e oito milhões de reais), o que requer
total rigor desta Casa Legislativa no tocante à sua fiscalização.
CONSIDERANDO que a contratação dos serviços de diagnóstico
por imagem teve procedimentos totalmente diversos dos
adotados pela Secretaria Municipal de Saúde para a contratação
dos exames laboratoriais.
CONSIDERANDO também a deficiência no Serviço de Atendimento
Móvel de Urgência - SAMU, quanto a falta de pessoal e
equipamentos
CONSIDERANDO ainda que o Serviço de Atendimento Móvel
de Urgência - SAMU vêm apresentando irregularidades quanto
a utilização de seus recursos.
REQUEREMOS, com fundamento no artigo 33 da Lei Orgânica
do Município de São Paulo, a constituição de Comissão Parlamentar
de Inquérito com 9 (nove) membros e duração de 120
(cento e vinte) dias, destinada a apurar a existência ou não de
favorecimento no processo licitatório que originou a contratação
da empresa AMP Serviços de Diagnóstico por Imagem
Ltda, eventual infringência às obrigações contratuais assumidas
perante a Municipalidade de São Paulo, eventual benevolência
dos responsáveis pela gestão do contrato com relação
a possível descumprimento contratual por parte da contratada,
bem como eventuais irregularidades quanto a utilização de recursos
para o Serviço de Atendimento Móvel de Urgância -
SAMU.
REQUEREMOS ainda seja objeto de averiguação da Comissão
Parlamentar de Inquérito todos os contratos destinados à realização
de exames laboratoriais celebrados pela Municipalidade
em decorrência do processo administrativo nº 2005-0.112.495-
7, que selecionou as empresas contratadas.
Lendo notícia: Tomografia vira disputa jurídica
www.clippingexpress.com.br/noticia.php?codigo_noti...
Tomografia vira disputa jurídica

12/09/2008-A Tribuna - Baixada Santista-Guaruja

A direção do Hospital Santo Amaro anunciou ontem que vai pedir na Justiça a anulação do contrato de terceirização com a Amplus Diagnósticos por Imagem, empresa responsável pela concessão do único aparelho de tomografia computadorizada que funciona no local. De acordo com Urbano Bahamonde Manso, presidente da Associação Santamarense de Beneficência, mantenedora do hospital, o fato decorre das "péssimas condições dos serviços prestados pela empresa" e das frequentes reclamações de médicos e pacientes quanto ao mau funcionamento do aparelho que, de acordo com ele, "oferece laudos de baixa qualidade técnica".

Atuando desde 2004 no Santo Amaro, a Amplus também é responsável pelos exames tomográficos junto aos pacientes atendidos no centro médico. Essa situação jurídica é questionada pela associação, que entende que os termos do contrato "ferem os interesses do hospital". "Esse contrato foi herdado do período em que o hospital esteve sob intervenção (da Prefeitura) e está malfeito, porque nós não temos participação alguma", disse Bahamonde.

Entre julho e agosto passado, o tomógrafo do hospital ficou paralisado por mais de 30 dias, por conta de problemas técnicos. A solução foi usar os serviços da Clínica Radiológica de Guarujá, instalada em frente ao Santo Amaro.

"Estão trazendo os pacientes de maca pela avenida para fazer o exame", contou uma funcionária do hospital que não quis se identificar.

Para o diretor da Amplus Diagnósticos por Imagem, José Accacio Florêncio Ribeiro, a postura adotada pela direção do hospital é "no mínimo, estranha". "Não há motivo nenhum para essa situação. Desde 2004 a gente presta a média de 500 a 600 exames de tomografia por mês e nunca tivemos qualquer problema ou reclamação por parte da direção do hospital", disse.

"Desde o dia que quebrou o tomógrafo, eu tenho procurado manter contato com a diretoria do hospital, mas ninguém me atende", reclamou. "Não é nenhum absurdo quebrar um aparelho", rebateu ele, frisando que desde 26 de agosto o equipamento está pronto.

Cultura

Folha de S.Paulo - TENDÊNCIAS/DEBATES<BR>Júlio Medaglia e Paulo Pélico: Um golpe na classe artística
www1.folha.uol.com.br/fsp/opiniao/fz0203200908.htm
Um golpe na classe artística (pelas costas)

JÚLIO MEDAGLIA e PAULO PÉLICO


Filmes semelhantes a essejá vimos em outros paísese épocas. Como se sabe,eles não fizeram sucessoao longo da história...


COMO se sabe, a atual crise econômica vem vitimando impiedosamente empresas em todo o mundo, das maiores organizações às mais modestas. Imagine, nessa situação, como está a vida do produtor cultural, esse idealista que sai à rua com um p

PAC

Folha de S.Paulo - PAC acumula R$ 17 bi em contas a pagar - 02/03/2009
www1.folha.uol.com.br/fsp/dinheiro/fi0203200915.ht...
PAC acumula R$ 17 bi em contas a pagar

Valor de faturas pendentes do programa mais que triplica em 2008; parte corre o risco de ser repassada ao sucessor de Lula

Cifra se aproxima da que foi desembolsada pelo PAC em dois anos; só a transposição do São Francisco acumula R$ 1,2 bi em contas a quitar

MARTA SALOMON
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA

Defendido pelo governo como a principal contribuição para estimular a atividade econômica em tempos de crise, o PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) acumula contas a pagar de R$ 17,4 bilhões, segundo dados do Tesouro.
Esse é o valor dos contratos assinados até o final do ano passado e cujo pagamento está pendente. São, na maioria, obras em andamento. A quantia equivale a 85% do total dos novos investimentos autorizados no PAC em 2009 com dinheiro dos impostos, de R$ 20,5 bilhões.
Ante a perspectiva de queda na arrecadação de tributos e o compromisso público do governo de não reduzir o ritmo dos investimentos do programa, parte da conta bilionária corre o risco de ser repassada ao sucessor do presidente Lula. Questionada sobre como pagará contas pendentes e fará novos investimentos, a assessoria da ministra Dilma Rousseff (Casa Civil) insistiu em que essa é a "prioridade" do governo.
O total de contas pendentes do PAC mais do que triplicou no último ano. O valor das faturas em aberto se aproxima do montante desembolsado em 2007 e 2008, somados: R$ 18,7 bilhões. O saldo supera em uma vez e meia os gastos com o Bolsa Família em 2008, programa pago também com tributos arrecadados pela União.

Obras
Os números estão disponíveis no Siafi (sistema de acompanhamento de gastos federais), mantido pelo Tesouro. Pesquisa feita pela ONG Contas Abertas a pedido da Folha mostra que os ministérios dos Transportes, das Cidades e da Integração Nacional concentram a maior parcela das contas pendentes, nessa ordem.
A transposição do São Francisco, que desviará parte das águas do rio para quatro Estados do Nordeste, está no topo dessa lista. Acumula, sozinha, R$ 1,2 bilhão de faturas a quitar, os chamados "restos a pagar", na terminologia orçamentária. Isso sem contar os investimentos autorizados neste ano. O cronograma da obra prevê a inauguração dos primeiros 220 quilômetros de canais de concreto do Eixo Leste, até o agreste de Pernambuco, antes da eleição de 2010.
Engrossam a lista das maiores faturas em aberto obras de urbanização de favelas e de saneamento anunciadas no ano passado, nas grandes regiões metropolitanas do país e também em municípios pequenos.

Contratos
De acordo com a pesquisa no Siafi, o governo reconhece entrega de bem ou serviço contratado para o equivalente a apenas 7% do total das contas pendentes do PAC. A maior parte do valor - 93%- refere-se a obras em andamento ou que nem sequer foram iniciadas.
Ou seja, grande parte desses contratos pode ser cancelada, embora o governo não considere essa hipótese por ora.
O acúmulo de contas pendentes não é uma novidade na administração pública, ainda que o volume nunca tenha sido tão grande. É uma consequência do ritmo das obras e da liberação dos pagamentos. A autorização de gasto é transferida de um ano para o outro, mas não há reserva de dinheiro correspondente. Novas despesas competem com as velhas. E isso tumultua a administração das contas da União.
A poucos dias de terminar seu mandato, em 2002, o então presidente Fernando Henrique Cardoso cancelou, por decreto, despesas do Orçamento do ano anterior que não haviam sido quitadas. Obras foram suspensas nos municípios, e houve correria de prefeitos a Brasília reclamando contra o "calote". Nos dias iniciais do governo, a equipe Lula cancelou mais uma parte dos contratos assinados no final do governo tucano.
Desde 2006, o TCU (Tribunal de Contas da União) vem criticando o volume crescente de despesas não pagas. No ano seguinte, Lula vetou artigo da Lei de Diretrizes Orçamentárias que impunha limite para essas contas pendentes. Alegou que o limite colocaria em risco a continuidade de ações relevantes de governo.

Pós-Crise

Folha de S.Paulo - Entrevista da 2ª - Tony Judt Historiador: Crise econômica abala crença no modelo
www1.folha.uol.com.br/fsp/mundo/ft0203200913.htm
ENTREVISTA DA 2ª

TONY JUDT HISTORIADOR

Crise econômica abala crença no modelo ocidental


Intelectual britânico prevê que modelo chinês sairá fortalecido em detrimento de valores liberais hoje dominantes


SAMY ADGHIRNI
DA REPORTAGEM LOCAL

Além de abalar os fundamentos do modelo ocidental, a crise econômica enfraquecerá as instituições privadas em favor dos Estados e atiçará ímpetos racistas e xenófobos. É o que previu o historiador inglês Tony Judt, em entrevista por e-mail à Folha. Para Judt, o mundo está pagando o preço de ter dirigentes que não viveram a Grande Depressão dos anos 30 e, por isso, ignoraram os riscos da desregulamentação dos mercados.

 

FOLHA - A crise global é parte de um "ciclo natural" de desaceleração econômica?
TONY JUDT
- Não faço a menor ideia. Mas tendo a concordar com a crítica da economia neoclássica de [John Maynard] Keynes, segundo a qual os padrões econômicos resultam sempre da decisão de intervir ou não intervir. Estão, portanto, sujeitos a ações de governo não naturais de contraciclo. Prova disso é o grande salto econômico e a estabilidade que sucederam a Segunda Guerra Mundial [1939-45]. Ciclos econômicos longos estão relacionados à memória: enquanto as pessoas tinham em mente a Grande Depressão dos anos 30, elas continuaram acreditando em intervencionismo governamental como forma de garantir emprego e benefícios sociais e prevenir a volta das políticas extremistas que acompanharam a crise. Nos anos 80 e 90, a maioria das pessoas ligadas à autoridade política e econômica não tinha lembrança direta do que havia sido aquela crise e, por isso mesmo, nenhuma razão para preservar ou defender instituições políticas e sociais criadas para prevenir seu ressurgimento. É muito simbólico que a crise tenha ressuscitado agora, no rastro da onda de desregulamentação do sistema de comércio e investimento bancário da década de 90, 60 anos após o New Deal ter sido criado justamente para evitar o colapso que estamos vendo hoje.

FOLHA - As sociedades ocidentais têm alguma reação padrão quando submetidas a crises econômicas ?
JUDT
- Não há rastros históricos de comportamento coletivo de populações ocidentais submetidas a crises econômicas modernas. Na recessão dos anos 70, países como a Alemanha encorajavam trabalhadores estrangeiros a voltarem para os seus países, mas praticamente não havia agressões ou racismo. Na Grande Depressão dos anos 30, populações europeias se voltaram para partidos nacionalistas e/ou fascistas que prometiam fechar as fronteiras e reservar os empregos aos nativos. Mas naquela época as sociedades europeias eram etnicamente homogêneas, com pouquíssimos imigrantes da Ásia, África ou América do Sul, e o racismo era voltado principalmente contra minorias locais, como os judeus. A crise atual causou nos EUA uma brutal perda da fé no que até pouco tempo atrás eram clichês inabaláveis sobre as virtudes do livre mercado. E a crise certamente atiçou o debate sobre os imigrantes ilegais. Mas a diversidade física do país amortece as consequências de medo e da insegurança, pois boa parte das vítimas do desemprego já são negros ou minorias. O impacto sociológico depende da cultura política mas, principalmente, da atitude dos Estados. Quando governos, como atualmente o Reino Unido, a Dinamarca e a Suíça, dão suporte retórico à ideia de que estrangeiros representam uma ameaça aos empregos locais e ao sistema de Previdência social, então a violência verbal e às vezes física contra imigrantes acaba legitimada. Mas não há correlação automática entre crise econômica e aumento das tensões sociais. Na França, a raiva e o medo estão diretamente voltados contra o governo e as empresas, não contra outras pessoas.

FOLHA - As reações populistas e demagogas de alguns governos ocidentais têm precedente histórico?
JUDT
- Hoje não há, ao contrário do passado, uma guinada significativa rumo ao protecionismo e a barreiras comerciais em larga escala. Mas o protecionismo humano está em alta: não vejo nenhum país europeu em que os partidos dominantes não tenham dado corda ao discurso que pretende "limitar" a imigração, restringir os empregos locais aos trabalhadores locais etc. Esta é uma reação de defesa natural diante de uma crise tão grande. Mas é também um sinal de que as siglas de centro estão apavoradas com a perspectiva de que os novos partidos populistas tenham cada vez mais poder na medida em que a crise se alastra.

FOLHA - O racismo está em alta?
JUDT
- O racismo e a xenofobia na Europa estão aumentado há muito tempo. O surgimento, no cenário pós-Guerra Fria, de partidos nacionais demagogos na maioria dos países da Europa Central e do Leste significa que há um nicho natural para políticos que querem explorar o medo da concorrência, dos estrangeiros e da mudança. Não é por acaso que os países pequenos e prósperos do oeste e do norte da Europa são palco da mudança mais visível: é na Áustria, na Suíça, na Holanda, na Dinamarca e na Suécia que os partidos antiestrangeiros mais crescem. Uma razão é que esses países permaneceram mais "brancos" e homogêneos por mais tempo e eram prósperos o bastante para garantir sistemas de Previdência social muito confortáveis. Acho que estamos à beira de um salto do sentimento anti-imigrante na Europa ocidental e central, com um paradoxo: o de que os europeus centrais, tão empenhados em manter à distância turcos e demais não-europeus, são eles mesmos vistos como uma ameaça à prosperidade europeia pelos membros mais tradicionais da UE.

FOLHA - Há países mais ou menos sujeitos a distúrbios sociais?
JUDT
- Países como Portugal, EUA ou Grécia, que nunca fizeram grande coisa em termos de benefícios sociais, são menos propensos a sofrer mudanças bruscas de humor.

FOLHA - Que instituições ganham e quais perdem com a crise?
JUDT
- Os protagonistas em toda crise econômica são os Estados. Instituições puramente econômicas acabam tendo um papel menor, em grande parte por serem as primeiras responsabilizadas pela bagunça. Nos próximos anos o setor privado será menos admirado e respeitado do que nas últimas décadas. Já o papel da autoridade pública na gestão dos assuntos econômicos vai aumentar pela primeira vez desde os anos 60.
Uma consequência será o fortalecimento da autoridade de países como a China e o declínio do chamado modelo anglo-saxão. Isto não é necessariamente uma boa notícia: por mais equivocada que fosse a cultura de capitalismo irrestrito praticada no Ocidente nos últimos 20 anos, ao menos ela estava historicamente associada a valores como o Estado de direito e a liberdade e à relativa equidade social. Se os chineses, para mencionar o exemplo mais óbvio, conseguirem convencer o mundo de que a incompetência econômica americana reflete um defeito estrutural no modelo ocidental, teremos motivo de preocupação.
Eu adoraria dizer que órgãos internacionais como a ONU, o Banco Mundial ou algumas ONGs se fortalecerão com o rápido colapso da supremacia econômica e moral americana. Mas não acho que será o caso. Temo, em vez disso, que estejamos entrando numa era de insegurança na qual atores nacionais e regionais se voltarão para os seus próprios interesses em detrimento de parceiros e competidores mais fracos, e no qual protagonistas econômicos como o Banco Mundial e o FMI, desacreditados por associação às ideias que vinham defendendo, perderão influência.
Pode ser uma coisa boa. Espero que tenhamos assistido ao fim das lições do FMI sobre como "outros" países deveriam equilibrar seus Orçamentos e abrir seus mercados.

The content on this page is provided by a Google Notebook user, and Google assumes no responsibility for this content.