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Dolar

Juro zero nos EUA muda mercado e dólar desaba
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Juro zero nos EUA muda mercado e dólar desaba
Luiz Sérgio Guimarães, de São Paulo
18/12/2008
 
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A redução do juro americano a quase zero pelo Federal Reserve sacudiu o mercado de moedas e provocou a maior queda do dólar ante o euro desde a criação da moeda única, em 1999. Ante o iene, foi a maior baixa em 13 anos. O dólar já perdeu 11% dos 24% de alta acumulados desde 15 de julho ante uma cesta de moedas de parceiros comerciais. No mercado doméstico, seguiu a trajetória global e teve baixa de 1,05%, cotado a R$ 2,3470. A queda ocorreu apesar de o fluxo cambial ter voltado a ficar negativo, com déficit de US$ 2,17 bilhões entre os dias 8 e 12 de dezembro.

O anúncio pelo Fed de que compraria títulos do Tesouro de longo prazo atraiu os investidores para esses papéis. Os prêmios caíram a níveis recordes. O título de dez anos teve um prêmio de 2,08%, o menor para um mês desde 1954.

A banda de flutuação do juro americano, entre zero e 0,25%, alargou a diferença entre a Selic e os "fed funds", atraindo capitais em busca de ganhos rápidos e seguros. O risco-Brasil caiu ontem 8,56%, para 459 pontos.

Com o dólar na rota descendente, o que reduz a pressão inflacionária futura, as baixas nos juros futuros, expressas nos contratos de CDI, foram generalizadas e significativas. Os contratos de maior liquidez, com vencimento em janeiro de 2010, recuaram de 12,67% para 12,49% - no início do mês estavam em 14,5%. O juro do swap de 360 dias, considerado o piso privado do custo do dinheiro, declinou de 12,83% para 12,55%, 120 pontos percentuais abaixo da Selic.

A ação do Fed colocou pressão sobre a política monetária dos países desenvolvidos. O BC japonês está sob pressão para rever sua taxa, de 0,3%, já que a taxa americana caiu abaixo da sua, que já era mínima, e a valorização do iene reduz a rentabilidade dos exportadores.
Dólar espanta temor do BC e juro desaba
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Dólar espanta temor do BC e juro desaba
Luiz Sérgio Guimarães
18/12/2008
 
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Já em rota firme de queda desde o final de novembro, os juros intensificaram ontem esse deslocamento no mercado futuro da BM&F. Na véspera da publicação no site do Banco Central da ata da reunião do Copom realizada na semana passada, o sentimento vigente ontem no DI futuro era de que o documento irá reforçar e tornar inevitável a tendência de baixa da taxa Selic sinalizada na nota emitida após o encontro. Não há outro caminho a ser trilhado pelo BC sobretudo depois que a mudança imprimida pelo Federal Reserve (Fed) em sua política monetária, ao derrubar o dólar globalmente, afastou o medo de contágio inflacionário pela depreciação cambial. Razão do conservadorismo do BC, o dólar caro já não inquieta mais. O viés é de baixa também porque a banda de flutuação do juro americano, entre zero e 0,25%, alargou a diferença entre a Selic e o fed fund, o que atrai o capital que sobreviveu ao massacre pós-quebra do Lehman Brothers. O risco-Brasil caiu ontem 8,56%, para 459 pontos-base.

As baixas registradas pelos contratos futuros de CDI foram generalizadas e profundas. O de maior liquidez, com vencimento em janeiro de 2010, recuou de 12,67% para 12,49%. No início do mês estava em 14,5%. A taxa prevista para janeiro de 2011 cedeu de 13,30% para 12,97%. O juro do swap de 360 dias, considerado o piso privado do custo do dinheiro, declinou de 12,83% para 12,55%. A intensificação do ajuste à nova realidade monetária mundial exigiu um bom incremento no volume negociado no pregão de DI. O giro subiu 46%, para 580 mil contratos.

O dólar seguiu no mercado doméstico a trajetória de desvalorização traçada globalmente. Fechou cotado a R$ 2,3470, em baixa de 1,05%, num dia em que o BC divulgou dados relatando uma piora na balança cambial. Depois de contabilizar um superávit de US$ 7 milhões na semana anterior, o fluxo cambial foi negativo em US$ 2,17 bilhões na semana entre 8 e 12 de dezembro. De acordo com o economista-chefe da LCA Consultores, Bráulio Borges, o principal motivo para a deterioração foi a reversão verificada no saldo das operações comerciais. Estas registraram saída líquida de US$ 839 milhões, ante saldo positivo de US$ 1,088 bilhão na semana precedente. Os dados apontam uma queda significativa (de 103% para 63%) na razão entre o câmbio contratado pelos exportadores e o valor das exportações físicas registradas na semana. Essa relação mede a facilidade ou a dificuldade encontrada por exportadores para obter linhas de financiamento externo. Quanto mais perto de 100%, maior a facilidade. Quanto mais perto de 50%, maior a dificuldade. Foi talvez por isso que ontem o BC fez um leilão de US$ 500 milhões em linhas.

Pelo segmento financeiro, o comportamento não foi estranhável. O fluxo foi negativo em US$ 1,33 bilhão, pouco superior à saída líquida de US$ 1,081 bilhão ocorrida na semana anterior. Positivamente surpreendente, foi a expressiva recuperação da liquidez no mercado cambial. O total movimentado entre 8 e 12 de dezembro atingiu US$ 26,162 bilhões, contra US$ 17,324 bilhões no período anterior, sendo que boa parte desta elevação adveio do segmento financeiro. De acordo com Borges, em momentos de estresse dos mercados como agora, uma liquidez mais apertada favorece puxadas do dólar para cima. Cerca de 10% do preço é derivado da liquidez. Se o giro está alto, a cotação tende a ficar 10% mais baixa do que ficaria em fases de aperto. Os outros fatores que interferem na taxa são o grau externo de aversão a risco e os termos de troca. Há também a causalidade em sentido duplo com o fluxo exercida pelas posições assumidas nos mercados de derivativos cambiais.

Para a LCA, o significativo recuo da taxa de câmbio (de R$ 2,50 no dia 5 de dezembro para menos de R$ 2,40 no final da semana anterior) em um contexto de saldo negativo e maior liquidez no mercado cambial reforça a percepção da consultoria de que, mais que o saldo, a liquidez vem tendo um papel determinante na oscilação da taxa de câmbio. "A expectativa de uma relativa normalização nas operações do mercado ao longo dos próximos meses, portanto, sustenta a projeção da LCA de um gradual recuo na taxa de câmbio, dos R$ 2,40 esperados para o final deste ano para R$ 2,30 no primeiro semestre de 2009 e R$ 2,10 no fechamento do ano que vem", prevê Borges.

As intervenções cambiais do BC totalizaram ontem US$ 1,6 bilhão. Além do leilão de linhas, ele fez outras duas atuações no mercado de câmbio. Vendeu à vista US$ 169 milhões e rolou mais 20,64 mil contratos de swaps cambiais que vencerão dia 2. Do resgate total de US$ 9,6 bilhões, já revalidou US$ 8,4 bilhões.

Luiz Sérgio Guimarães é repórter de Finanças

E-mail: luiz.guimaraes@valor.com.br
Dólar perde atrativo no mercado de câmbio
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Dólar perde atrativo no mercado de câmbio
Joanna Slater, The Wall Street Journal
18/12/2008
 
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O dólar continuou a cair em relação a outras moedas importantes ontem, mesmo com os mercados cambiais menos voláteis ultimamente. Observadores do setor dizem que os fundamentos da moeda continuam sombrios, diante da opção do Fed, o banco central americano, por uma nova era de juros baixíssimos e expansão monetária.

A incursão do Fed num território inexplorado pode ser essencial para tirar a economia americana do abismo. Mas pode ter suas próprias conseqüências, dizem investidores cambiais, especialmente em relação ao enfraquecimento do apelo de se aplicar em instrumentos em dólar.

"Ao optar por tanta agressividade, o Fed de fato indicou que há fraqueza significativa na economia americana", disse Robert Catalanello, chefe da área cambial para a região das Américas da Calyon, em Nova York. "O resultado? Não sobram muitos motivos para se investir na moeda." Depois de se recuperar brevemente da queda brusca de terça-feira, depois que o Fed anunciou o corte nos juros, o dólar chegou a ficar abaixo da barreira dos US$ 1,44 em relação ao euro e atingiu a cotação mais baixa em relação à moeda japonesa nos últimos 13 anos, valendo quase 87 ienes.

Agora os EUA têm a menor taxa de juros entre os países ricos. Isso significa que os investidores não têm muito incentivo para aplicar em instrumentos de curto prazo em dólar e preferem trocar os dólares por outras moedas.

Ao cortar o juro efetivamente a zero, o Fed exauriu os métodos convencionais de estímulo à economia. Em vez deles, aposta numa estratégia usada no Japão no início da década. Essa estratégia pode envolver várias medidas, mas geralmente é chamada de "expansão monetária", por que afeta a quantidade de dinheiro no sistema financeiro, em vez de seu custo - em outras palavras, os juros. Essa estratégia também acaba criando uma oferta cada vez maior de dólares, o que tem o potencial de desvalorizá-lo.
Satiagraha

Quem conspira contra o habeas corpus?
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Quem conspira contra o habeas corpus?
Maria Inês Nassif
18/12/2008
 
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O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Gilberto Mendes, ao discursar na Câmara por ocasião dos 40 anos do malfadado Ato Institucional nº5, um instrumento de força que deu ao regime militar poder de vida e morte sobre os brasileiros, falou contra uma suposta articulação em favor da limitação do habeas corpus, garantia constitucional que o regime ditatorial jogou no lixo. "É fundamental que neste dia em que lembramos do AI-5, ressaltemos a necessidade de preservação do habeas corpus, não a sua limitação. O habeas corpus é a garantia dos direitos judiciais", disse o ministro. Em algum lugar da internet, é possível ler, junto com a "denúncia" de Mendes, a informação de que "no Congresso, parlamentares defenderam silenciosamente a limitação na concessão de habeas corpus depois que Mendes autorizou por duas vezes a libertação do banqueiro Daniel Dantas, do Opportunity, durante a Operação Satiagraha".

Vai saber o que é uma "defesa silenciosa" - mas, no final das contas, a "denúncia" de Mendes sugere que se entenda, como se verdade fosse, que ele se insurge contra setores antidemocráticos do Congresso que querem limitar o habeas corpus. Não existe nenhum movimento para reduzir as prerrogativas do STF ou os direitos individuais. O que existe é um grande desconforto em relação às suas "denúncias", decisões, ataques indiscriminados a outros poderes ou mesmo a instâncias inferiores da Justiça e à forma de confrontar autoridades.

Mendes libertou duas vezes o empresário Daniel Dantas, preso por ordem expedida por um juiz de primeira instância, e não pelo poder discricionário de um "estado policial". Antes, com igual eficiência, havia libertado presos das operações Anaconda, Hurricane e Navalha. Soltou os cachorros contra a Polícia Federal e contra o juiz Fausto de Sanctis, da 6Vara Federal Criminal de São Paulo, responsáveis pela prisão de Dantas, em defesa do preso - desqualificou, portanto, o trabalho do juiz e da polícia. Ameaçou punir o juiz. Foi alvo de manifestos nacionais em favor de seu impeachment e de outros tantos protestos contra sua decisão. Daí, muitas decisões depois, todo o mal-estar causado por uma aversão explícita a operações da Polícia Federal que resultaram em prisão de gente mais ou menos graúda é transformado num complô contra o instituto do habeas corpus, e o presidente do Supremo se apresenta como se fosse o único defensor de prerrogativas constitucionais.

Para que não paire qualquer confusão, observe-se o seguinte: setores que se envolveram seriamente na luta pela conquista das liberdades democráticas se insurgiram, sim, contra decisões do ministro Gilmar Mendes, mas por mais que se procure em conversas e arquivos não existe registro de qualquer movimento para reduzir o instituto do habeas corpus, como "denunciou" o presidente do STF. A insurgência foi contra atos seus, não contra o instituto. Não existe uma conspiração contra a democracia. E Mendes está longe de ser o bastião das liberdades democráticas.

Aliás, preocupante é o anúncio do ministro, que também preside o Conselho Nacional de Justiça (CNJ), de que o órgão de controle do Judiciário estuda uma "resolução para fazer o acompanhamento de modo a ter uma retificação eventual dos fundamentos da prisão preventiva". Nesses tempos bicudos, isso não significa apenas mais uma forma de controle do presidente do Supremo sobre as prisões decretadas por juízes de instâncias inferiores. Significa que Mendes investe mais uma vez para controlar decisões dos juízes.

Para registro para a posteridade, vai em seguida uma pequena lista das "denúncias" e "protestos" do ministro: contra o "aparelhamento" do funcionalismo público (referência a uma suposta partidarização da PF); contra o "independentismo" da Justiça (não o seu, certamente, mas o dos juízes de primeira instância); contra a invasão da reitoria da UnB, em abril; contra o excesso de prisões preventivas; contra a opinião do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, de que a absolvição do fazendeiro que seria o mandante da morte da missionária Dorothy Stang depunha contra o Brasil; contra a "espetacularização" da PF; contra as investigações sigilosas feitas pelo Ministério Público; contra as trocas de partidos por parlamentares; contra a lentidão da Justiça; contra o excesso de edições de medidas provisórias; contra o fato de o ministro da Justiça, Tarso Genro, não ter aprovado a soltura de Dantas ("Ele não tem competência para opinar sobre o assunto", disse); contra o fato de a ministra Dilma Rousseff ter opinado que crime de tortura é imprescritível ("Terrorismo também é imprescritível", afirmou ele, certamente apontando o dedo para a ministra, que militou, na época da ditadura, em um grupo armado); contra o que chamou de "estado policial", comparando-o à KGB; e contra o MST. De outro lado, considerou dentro da normalidade a intervenção do Judiciário em questões onde não houver consenso entre governo e oposição.

A lista de "competências" para opinar que se delega o presidente do Supremo, bem como a sua agressividade, tem colocado os demais poderes na defensiva. Enquanto Executivo e Judiciário recuam diante do presidente do Supremo, este avança sobre assuntos que não são seus. Confia que ninguém vai pagar para ver uma crise institucional.

Que Papai Noel presenteie o Brasil, em 2009, com uma democracia mais equilibrada. Aliás, com mais democracia. Quando um presidente de um poder se julga com mais poder do que tem, isso é subtração de democracia.

Maria Inês Nassif é editora de Opinião. Escreve às quintas-feiras

E-mail maria.inesnassif@valor.com.br
Três meses depois, nada se sabe sobre grampo
PF deve encerrar em janeiro investigações sobre escuta no STF, que até hoje não têm provas nem suspeitos

Jailton de Carvalho

BRASÍLIA. Os delegados da Polícia Federal Rômulo Berredo e William Morad deverão encerrar em janeiro as investigações sobre o suposto grampo em telefones do presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar Mendes. Até o momento, depois de analisar os depoimentos de mais de 120 pessoas ao longo de três meses de investigação, os dois delegados não têm qualquer indício de autoria ou mesmo da existência do grampo. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva espera o resultado do inquérito para decidir se reconduz o delegado Paulo Lacerda ao comando da Agência Brasileira de Inteligência (Abin).

— Não há dados que levem a uma pista da autoria, até porque ainda nem temos provas de se existe ou não a materialidade do crime — disse Berredo.

Segundo o delegado, a conclusão das investigações dependerá, a partir de agora, do resultado das perícias que o Instituto Nacional de Criminalística (INC) faz sobre dados e material coletado nas centrais telefônicas do STF, do Senado e das empresas de telefonia Vivo e Brasil Telecom. Na análise preliminar, peritos não encontraram indícios de grampo em telefones de Gilmar.

“É crime contra o Estado”, diz delegado da PF O escândalo teve início em setembro, quando a revista “Veja” divulgou trechos de uma conversa telefônica entre Gilmar e o senador Demóstenes Torres (DEM-GO) e apontou como suspeitos agentes da Abin, órgão de assessoria da Presidência da República, e integrantes da equipe do delegado Protógenes Queiroz, ex-coordenador da Operação Satiagraha — que investiga o banqueiro Daniel Dantas. A revista não apresentou o áudio da gravação, que, para a polícia, seria um dado básico para amparar a acusação de escuta ilegal.

Diante da pressão de Gilmar e do ministro da Defesa, Nelson Jobim, Lula decidiu afastar Paulo Lacerda do comando da Abin até a conclusão do inquérito da PF sobre o assunto. Para a polícia, as acusações são de extrema gravidade. Berredo entende que a denúncia está relacionada a um crime contra o Estado. Não se limita apenas à bisbilhotice, invasão de privacidade ou vazamento de dados sigilosos. Isso explicaria a extrema preocupação com a busca de dados que comprovem a existência do grampo.

— Estamos diante de um caso muito grave. Imagina se se acusa a CIA de grampear um ministro da Suprema Corte dos Estados Unidos? É crime contra o Estado — disse Berredo.

Ao longo das investigações, a PF ouviu mais de 120 pessoas.

Mais de 80 são agentes da Abin, que atuaram na Satiagraha ou que, de alguma forma, tiveram os nomes citados durante a apuração do caso. Já foram ouvidos também técnicos e seguranças do STF, do Senado e das companhias telefônicas que prestam serviços ao Supremo.

Nenhum dos interrogados assumiu culpa ou apontou responsabilidades.

Alguns levantaram hipóteses, consideradas inconsistentes à luz das informações recolhidas até o momento

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