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Visão Online - A Devida Comédia - Terrorismo a gosto
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A DEVIDA COMÉDIA
Miguel Carvalho
Quinta, 23 Agosto 2007
Um dos graves problemas que atravessa o terrorismo é a sua própria banalização (...) A indústria cresceu e habituamo-nos a chamar terrorismo a tudo o que mexe, sem cuidar de avaliar o sabor. Há terrorismo que é vinho martelado e queijo rançoso
Terrorismo a gosto
Se não fossem tão indigestos, os terrorismos davam um excelente manual culinário. Uma qualquer Maria de Lurdes Modesto dos terrorismos – pode ser o Nuno Rogeiro, vá – sabe que existem receitas que vêm do tempo dos nossos avós e outras mais recentes. Veja-se, por exemplo, esta nova vaga do terrorismo com design, que aposta mais no requinte para arregalar a vista.

A fisga e os tomates são arcaísmos.

Mas o cocktail-molotov ainda encanta, dependendo do tempero, da motivação e da ocasião. Já a versão «eco» precisa de um pouco mais de estupidez. Sobretudo se o milho for transgénico.

Como somos diferentes e o palato nos acompanha, nem todos gostamos dos mesmos terrorismos.

Aliás, quando apreciamos um tipo de terrorismo, mais ou menos condimentado, nem sequer lhes chamamos assim. Há, aliás, um farto cardápio de sinónimos muito ao gosto das simpatias, quando não nos dá jeito chamar terroristas aos tipos que nos caiem no goto: guerrilha, exército de libertação, frente dos combatentes da liberdade, eu sei lá.

Da Nicarágua a Timor, passando pela Colômbia, os terrorismos davam para abrir um restaurante chamado «Sabores do Mundo» à medida da clientela.
Em Portugal, se bem se lembram, só houve terrorismo de esquerda. As bombas e os incêndios em casas de militantes e partidos de esquerda no Verão Quente, provocados com a cumplicidade da Igreja, do PSD e do CDS, «foram uma reacção legítima», diz agora Zita Seabra. Não confundir com a outra Zita Seabra que, no Verão Quente, chamava «terrorismo de direita» a tais acontecimentos.

A ETA, por exemplo, é considerada terrorista. Mesmo que o cozinhado político basco tenha ingredientes que só os grandes conhecedores sabem apreciar em pleno, sabe-se que a opinião publicada gosta mais de servir o simplista e altamente calórico «pronto-a-comer» terrorista. Já a BBC e alguma Imprensa britânica, dados certamente a outros requintes gastronómicos e outras exigências, preferem continuar a designar a ETA como «organização separatista basca». Com mais ou menos bomba. Uns esquisitos, estes bifes!
Um dos graves problemas que atravessa o terrorismo é a sua própria banalização. Seja do ponto de vista do produtor ou do consumidor. A indústria cresceu e habituamo-nos a chamar terrorismo a tudo o que mexe, sem cuidar de avaliar o sabor. Há terrorismo que é vinho martelado e queijo rançoso.
O mesmo é válido para nazi ou racista. Os termos foram usados até levantar fervura. Conheço um número considerável de autarcas «nazis», deputados «racistas» e donas-de-casa «terroristas». E provavelmente, a maioria deles não sabe sequer como usar um garfo em legítima defesa.
Outra coisa engraçada é que o terrorismo pode ser de estalo. Mas quase nunca é de Estado. Ou seja, os governos - sobretudo aqueles que vão em filinha para o Afeganistão e o Iraque em regime de catering servir refeições rápidas - cozinham sempre os ingredientes mediáticos de tal forma que o comensal acaba a comer gato por lebre: à primeira garfada aquilo sabe-lhe bem, é uma espécie de paz e liberdade salteada, sem gorduras. Mas à medida que se vai avançando na refeição, ficamos indispostos. E a pedir o livro de reclamações.

O movimento Verde Eufémia, o tal do milho, prestou-se a uma acção estupidificante. Mas logo o senhor ministro Rui Pereira e outras figuras vieram falar em «terrorismo».

Dá jeito. O primeiro milho, como se sabe, é para os pardais. Mas onde eles querem chegar sei eu.

De hoje para amanhã, a retórica do Estado de Direito dará para criminalizar tudo. E absolver quem, ao abrigo dele, é condescendente com o terrorismo mediático, financeiro e político. Esse sabe sempre ao mesmo. Mas dão-lhe outro nome: economia de mercado.
Visão Online - Moleskino - Só comemos transgénicos
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MOLESKINO
Filipe Luís
Quinta, 23 Agosto 2007
A palavra «transgénico» deve soar aos ouvidos dos ambientalistas como soava aos ouvidos dos inquisidores a expressão «bruxedo»
Só comemos transgénicos
Nenhuma pêra, laranja, maçã, copo de vinho ou... perna de frango, que apareça hoje na nossa mesa, tem já nada a ver com a pêra, laranja, maçã, copo de vinho ou perna de frango ingeridos pelos romanos. No tamanho, na qualidade, no sabor, na cor. Também nada tem a ver com os artigos antepassados destes, consumidos na Idade Média. Ou, nalguns casos, mesmo há cem anos. Ou mesmo há 50. Ora, 50 anos, na história da humanidade é menos do que um pestanejar. E, no entanto, bastaram 50 anos de experiências e cruzamentos genéticos para que a alimentação passasse a ser radicalmente diferente. O meu avô ensinou-me a técnica do enxerto de bolha, que permite que uma mesma ameixieira dê ameixas de duas cores diferentes. Este pequeno e inofensivo toque de prestidigitador agrícola é um gesto inócuo, se comparado com as mudanças feitas em laboratório, a invenção de castas de frutas, azeitonas ou uvas, ou as experiências com animais de engorda. No fundo, hoje só há alimentos transgénicos. A diferença é que a transgenia dos alimentos comuns foi efectuada, lentamente, passo a passo, ao longo de anos, séculos ou milénios. Ao passo que os alimentos hoje ditos transgénicos - para dar um exemplo, a planta do milho - podem ser manipulados... agora. É este milagre que assusta alguns ambientalistas: dir-se-ia que só pode ser... «bruxedo».

Vai daí, queima-se: o ataque à plantação de milho transgénico em Silves lembra-me, assim, os autos de fé da Idade Média, os linchamentos públicos de criminosos ou as acções das milícias populares onde quer que surjam. A iniciativa da turba do Verde Eufémia é um acto de obscurantismo puro, de ignorância evidente e de burrice a toda a prova. Lá está: a palavra «transgénico» deve-lhes soar como soava aos ouvidos dos inquisidores a expressão «bruxedo».

E afinal, porquê? Neste meio tempo de indefinição científica, há quem diga que os alimentos assim transformados são perigosos, outros asseguram que não senhor. É um pouco como os telemóveis: provocam ou não provocam tumores no cérebro? E daí? Alguém passa sem eles? Os alimentos transgénicos podem vir a ser a única forma conhecida de enfrentar o flagelo da fome e subnutrição do mundo. Abre uma hipótese de fazer face a um aumento da população mundial que põe em causa os próprios recursos alimentares do planeta. Ao contrário dos ambientalistas, não faço ideia se os transgénicos são perigosos ou não. Na verdade, acho que ninguém faz. Mas talvez eu prefira a vaga ameaça, não confirmada, de um problema de saúde no futuro, à perspectiva de morrer de fome agora...
O Primeiro de Janeiro

O Primeiro de Janeiro - Ministério só quer saber se a lei foi cumprida
www.oprimeirodejaneiro.pt/?op=artigo&sec=1679091c5...
Ministério só quer saber se a lei foi cumprida
Apoio não inclui contratação de advogado

O proprietário do campo de milho transgénico de Silves terá de contratar um advogado, pois o apoio jurídico do Ministério da Agricultura vai somente atestar que cumpriu todos os requisitos legais nacionais e comunitários. A garantia foi dada por Jaime Silva.

O ministro da Agricultura, Desenvolvimento Rural e Pescas, Jaime Silva, esclareceu ontem que os técnicos da direcção regional do Algarve vão ajudar na preparação da defesa do agricultor em Tribunal, disponibilizando os documentos ou atestados necessários para provar o cumprimento da lei para a produção de Organismos Geneticamente Modificados, mas terá de ser o proprietário a contratar um advogado.
O esclarecimento de Jaime Silva surge depois de a Ordem dos Advogados ter manifestado “estupefacção e estranheza” perante a declaração do ministro acerca do apoio jurídico do Ministério ao agricultor que viu parte do seu campo de milho destruído por activistas do grupo anti-transgénicos «Verde Eufémia», dia 17 de Agosto, em Silves, no Algarve. “Fiquei muito surpreendido com o facto da Ordem dos Advogados achar que eu iria confundir o papel do Estado com o papel dos advogados”, frisou Jaime Silva, acrescentando que “o Ministério tem obrigação de dar apoio aos agricultores” em situações específicas. Por outro lado, “somente o Ministério pode atestar que o agricultor preenche todos os requisitos legais exigidos” para a produção de milho geneticamente modificado, esclareceu o governante.

Regras e excepções
A Ordem dos Advogados referiu em comunicado que “nos termos da lei, e salvo algumas excepções, cabe aos advogados e aos solicitadores a prestação de consulta jurídica e do patrocínio judiciário”. “O Estado Português, nomeadamente através do Governo e dos seus ministérios, não pode prestar apoio jurídico a particulares mediante a utilização dos serviços jurídicos respectivos”, salienta a entidade, acrescentando que “esta disponibilização de serviços jurídicos de um Ministério para a prestação de serviços a um particular é totalmente incompreensível e geradora de um precedente ele próprio ilegal e impraticável”.
O bastonário da Ordem, Rogério Alves, referiu que, segundo a lei 49/2004, “cabe aos advogados e aos solicitadores a prestação de consulta jurídica e do patrocínio judiciário”, não podendo o Estado, Governo ou ministérios “prestar apoio jurídico a particulares mediante a utilização dos seus serviços jurídicos”. “Há algumas excepções: por exemplo o magistrado pode ser advogado em causa própria ou os serviços de associações e fundações reconhecidas com o estatuto de utilidade pública, o que não é o caso”, referiu.

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Provas
Cumprimento da lei
Para o ministro da Agricultura, o papel do Ministério é muito importante para munir o agricultor de provas de que cumpria a lei, quando estiver perante o Tribunal, e que a destruição de parte do seu campo de cultivo “é uma violação de propriedade privada e uma atitude de vandalismo”. Jaime Silva faz questão de salientar que dá importância à discussão política acerca da segurança alimentar e aos Organismos Geneticamente Modificados, um assunto que na Assembleia da República “ninguém quer discutir”, numa referência aos comentários feitos pelo dirigente do Bloco de Esquerda Francisco Louçã.
RTP

Espanha com recorde de superfícies cultivadas com milho transgénico, diz Greenpeace - RTP Informação
www.rtp.pt/index.php?article=295369&visual=16&rss=...
Espanha com recorde de superfícies cultivadas com milho transgénico, diz Greenpeace
A Espanha atingiu uma cifra recorde de superfícies cultivadas com milho transgénico, entre 65 mil e 70 mil hectares, denunciou a organização ecologista Greenpeace, em comunicado.

Segundo esse documento, tais culturas cobrem "entre 18 e 20 por cento da superfície do país dedicada à cultura de milho", o "número mais elevado registado desde o início de culturas transgénicas em Espanha, há dez anos".

A organização critica também o governo espanhol por não fornecer "dados independentes sobre estas culturas perigosas" e, por outro lado, "reconhecer que não dispõe de uma estimativa da situação, apesar da obrigação legal imposta pela UE".

A organização ecologista recorda que apresentou em Maio um relatório que aponta "o perigo que representa a cultura do trigo transgénico Mon 810 da multinacional Monsanto, devido à alta variabilidade do conteúdo de uma toxina insecticida".

Por esta razão, a Greenpeace considera como "um claro sinal de irresponsabilidade" o facto do "governo não só tolerar as culturas transgénicas de Mon 810, autorizadas pelo governo anterior mas também permitir (a cultura) de novas variedades deste milho sem que seja conhecido o seu comportamento", conclui o texto.

© 2007 LUSA - Agência de Notícias de Portugal, S.A.
2007-08-23 23:20:01

SIC

SIC Online - Milho transgénicoAgricultores reclamam fundo de compensação para indemnizar culturas co
sic.sapo.pt/online/noticias/dinheiro/20070823+Milh...

Arquivo SIC

 

Publicação: 23-08-2007 18:18    |   Última actualização: 23-08-2007 18:25 Milho transgénicoAgricultores reclamam fundo de compensação para indemnizar culturas comuns

A Confederação Nacional de Agricultura (CNA) diz que o problema dos milhos transgénicos em Portugal começa com a legalização do cultivo. Numa nota enviada às redacções, a CNA assegura que a questão é agravada pela chamada lei da co-existência entre cultivo de milhos convencionais e transgénicos.

SIC
Não falando sobre o caso da destruição no Algarve, a CNA acrescenta que Portugal não precisa dos milhos transgénicos – e, que o Ministério da Agricultura deve pôr em marcha o fundo de compensação para indemnizar os agricultores cujas culturas de milho comum sejam contaminadas pelos transgénicos autorizados.

A CNA conclui dizendo que, entre as medidas urgentes a adoptar pelo ministério, deve estar a suspensão da autorização para o cultivo dos milhos transgénicos.
Barlavento

1ª Coluna

Transgénicos

barlavento Ver Fotos »
Elisabete Rodrigues

Nos últimos dias andou nas bocas do mundo o caso da destruição de milho transgénico numa exploração agrícola perto de Silves, por um grupo de activistas anti-OGM.

O caso teve para já uma virtude: a de trazer para a discussão pública as eventuais vantagens e malefícios dos organismos geneticamente modificados.

Não sei se os OGM são bons ou maus para a saúde, embora tenha sérias dúvidas e procure, por isso, nunca comprar alimentos que os contenham.

É uma medida de precaução, como a que vem consagrada na lei portuguesa que regula estas culturas mas que, pelos vistos, ninguém se preocupa em aplicar.

É, por isso, curiosa uma das afirmações do ministro da Agricultura que tão prontamente visitou a Herdade da Lameira, onde a destruição ocorreu.

Jaime Silva disse que a legislação portuguesa é óptima, sobretudo quando comparada com a legislação de Espanha.

Mas porque nos havemos nós de comparar com os maus exemplos? Para dizer que, apesar de tudo, até somos bonzinhos? Porque não compara o ministro o caso português com as legislações mais restritivas de outros países da mesma União Europeia?

Quanto aos activistas, a sua iniciativa poderá ter chamado a atenção para os OGM, mas prestou um mau serviço ao movimento ambientalista sério e responsável.

O direito a protestar é inviolável, mas há que ter em conta outros direitos, como o do agricultor a colher o fruto do seu esforço e do seu investimento.

Moral da história: no meio de tudo isto, quem se lixou foi o agricultor, a quem a GNR não defendeu o milho e agora pouco mais receberá do que apoio moral, apesar das promessas.

Os activistas, dizem, terão que responder em tribunal pela destruição.

Conhecendo a lentidão da justiça portuguesa, quando será o agricultor ressarcido dos prejuízos?

23 de Agosto de 2007 | 11:02
elisabete rodrigues

Semanário

Cavaco Silva
por Pedro Cid

2007-08-23 23:28

O prof. Cavaco Silva deve sentir todos os dias algum desconforto no País que é o seu, o nosso e que ele governou, durante uma década, já lá vão doze anos.

O prof. Cavaco Silva deve sentir todos os dias algum desconforto no País que é o seu, o nosso e que ele governou, durante uma década, já lá vão doze anos.
Investido nas altas funções presidenciais, com ampla capacidade oratória, mas parcos poderes reais, acredito que em Belém passe horas muito amargas. O País não é o que ele sonhou e empobreceu notoriamente depois de um período de expansão económica, durante o tempo em que foi primeiro-ministro. A qualidade da maior parte da classe política diminuiu de forma quase assustadora.
Os ricos são cada vez mais ricos e os pobres cada vez mais pobres. O aumento do número de ricos não se traduz numa evolução promissora da riqueza nacional em termos globais. As desigualdades acentuam-se de um modo gritante, perante um silêncio estranho de Cavaco Silva. É certo que ele disse que a economia não arranca e que vai ser exigente nos resultados. Mas vendo bem as coisas, que instrumentos políticos tem ao seu dispor para sancionar o Governo - é disso que se trata - se os índices de pobreza e de bem-estar continuem altamente deficitários?
Em boa verdade não tem qualquer espaço de manobra, nem sequer para construir a ideia de uma dissolução do Parlamento a médio prazo. Além disso, não é seu feitio perturbar a estabilidade política, mas Cavaco Silva sabe que a estabilidade tem de ter efeitos dinâmicos e positivos, sob pena de asfixiar ainda mais os portugueses. Por isso, em Belém, Cavaco Silva deve ser um verdadeiro sofredor manietado e sem recursos. Só isso explica actuações suas em terrenos perigosos e menores no contexto daquilo que se pensa ser a intervenção presidencial. Os pressupostos da sua magistratura presidencial
de cooperação institucional e estratégica estão a sofrer os primeiros graves rombos, porque a governação de José Sócrates tem aspectos objectivos que não favorecem as relações fáceis entre os dois órgãos de soberania. É certo que o actual primeiro-ministro não alimenta os ruídos de uma tensão latente que só não vislumbra quem não quer. Mas Sócrates sabe muito bem, como aliás Cavaco Silva, que o Presidente não tem alternativas de poder - como teve Jorge Sampaio, quando, com o acordo de Cavaco, fez cair o governo de Santana Lopes.
É por isso que a situação no PSD tem uma importância excepcional no momento que passa. Ou os social-democratas resolvem a contento as suas lutas internas e o PSD assume outra vez a sua feição de partido de poder, com ideias alternativas, projectos de governação, oposição responsável e actuante, e nesse sentido proporcionar algum conforto político a Cavaco Silva, alargando ao Presidente o seu espaço de manobra, ou não consegue e nesse sentido Belém não pode acelerar uma intervenção política que se arrisque a ser improdutiva.
Hoje, os silêncios de Cavaco Silva são perturbadores, perante o descalabro em que vive a sociedade portuguesa. Há muito que não lhe ouvimos uma palavra de conforto aos portugueses que vivem no limiar, um pouco acima ou abaixo dos limites da dignidade. Daí que, em casos como o do professor Charrua, do despedimento da directora do Museu Nacional de Arte Antiga ou do ataque de pretensos ecologistas a uma herdade de milho transgénico tenham sido os pretextos medíocres da mais recente intervenção presidencial. Não têm consequências práticas, nem consegue colocar o Governo em respeito. O Governo também sabe que o Presidente está manietado e com falta de instrumentos activos de intervenção.
Um histórico dirigente do PSD é da opinião que Cavaco Silva "nem a tiro" gostava de ver Luís Filipe Menezes na liderança do PSD. Ele deve ter lido o artigo recente de Silva Peneda, que o SEMANÁRIO referirá noutro local. Por isso, a "bola" está em Marques Mendes. O mesmo dirigente dizia-me que "a obrigação de Mendes é ganhar". Pois que ganhe, mas que transforme o PSD num partido actuante e sem sombras escuras ou cinzentas. Só um PSD genuinamente reciclado pode fazer com que Cavaco Silva deixe de sentir refém e amargurado no Palácio de Belém.


7 comentário(s)
Por: SR
2007-08-25 22:51
Como é que o MM pode ganhar se o partido anda há dois anos a dizer que é preciso pensar em grande?!
Por: António Augusto Magalhães Silva
2007-08-25 13:34
Convém não esquecer que o actual P.R. enquanto P.M. criou as condições de riqueza ( para Guterres esbanjar e deixar o país no pantano ) e estruturais para entrarmos no Euro. É evidente que alguns indicadores denunciavam alguns cuidados que não foram tomados pelo governo PS que se seguiu ao último de Cavaco. Contudo a comunicação social teve um papel preponderante na elevação de Guterres ao poder, infelismente efémero.
Por: Higino Machado
2007-08-25 00:39
Infelizmente Cavaco só houve um,e foi no terceiro mandato que se viu o que é ser um verdadeiro comandante.Pois foi nesse período de crise mundial (guerra do Golfo 1),que aguentou o barco, ao invés de Guterres que esbanjou no período de crecimento e foi o que se viu à primeira crise (11 de Setembro).Esperemos por António Borges.
Por: Santiago
2007-08-24 22:13
Tem, tem, e sempre, Espaço de Manobra= Discurso, a Bomba Atómica do PR, se expressão da Vontade e do que o Povo pensa, quere, na sua Vida, do País como País e com o País.
Por: Carlos Pisco
2007-08-24 18:47
Avalizo a 100% a opinião do leitor anterior.
Por: JSilva
2007-08-24 18:23
Tadinho do Aníbal. Se está triste em Belém, demita-se!!!!
Por: DC
2007-08-24 11:03
O autor esquece-se que o empobrecimento de Portugal começou no segundo mandato do Professor, o que aliás foi nitido nas eleições de 1995, com a total derrota do PSD.

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O Bloco entre dois fogos
por Paulo Gaião

2007-08-23 23:29

Para se defender dos ataques à direita, face à acção do "Verde Eufémia", Louçã está a defraudar as expectativas de milhares de jovens ecologistas que sempre viram o BE como guru ideológico

O Bloco de Esquerda está entre dois fogos. Por um lado é atacado à direita, por não se distanciar suficientemente da acção do "Verde Eufémia", por outro lado, para se defender, defrauda as expectativas de centenas de jovens bloquistas, que sempre se habituaram a ver o BE como o partido da luta contra os transgénicos, dando guarida a muitos movimentos ecológicos, de formação mais ou menos ad hoc, defensores da acção directa, como o "Verde Eufémia", inclusivé no seu portal oficial. Grupos que também se habituaram a ver no Bloco um partido irreverente, com alguns dos seus dirigentes a admitirem a desobediência civil. Ainda esta quarta-feira, Louçã, perante Mário Crespo, dizia que era a favor da desobediência civil para impedir os patrões de retirarem bens da empresa. Que diferença existe com a desobediência praticada pelo "Verde Eufémia"? Louçã parou no trotskismo e nos modelos das sociedades industriais do século passado?
Se o Bloco se arrisca a ver muitos jovens ecologistas virar-lhe as costas, militantes mais antigos, preocupados com o acordo do Bloco com o PS em Lisboa, também parecem cada vez mais afastados das estruturas dirigentes do seu partido. Há muita gente que não compreende que o Bloco se tenha aliado a um PS que faz uma política de direita no governo, ainda para mais celebrado com António Costa, um ex-ministro solidário com o executivo. Francisco Louçã, cada vez mais na posição de trapezista, vai tentando fazer a quadratura do círculo. Dá luz verde a Sá Fernandes para o acordo, intensifica os ataques ao governo para fazer a cobertura dos descontentes com o acordo mas depois desguarnece o vereador de Lisboa e vai tendo de lhe passar a mão pelo pêlo. Tanta ginástica vai, certamente, dar mau resultado. Quem vai rir? Sócrates pois claro.
O bloquinho só tem um bocadinho de poder na Cãmara de Lisboa e já é a restolhada que se vê. O engenheiro Sócrates só precisa de espalhar um poucochinho mais de confusão, talvez enchendo o olho a muito bloquista burguês, que sonha com o exercício do poder, numa secretariazinha de Estado ou quem sabe num ministério contra os transgénicos, e o Bloco é capaz de entrar num estado de ansiedade generalizada, em guerra civil, com os puristas da antiga UDP e da FER a quererem abater os "vendidos" do PSR e da Política XXI.
Se Sócrates for verdadeiramente maquiavélico, quando Francisco Louçã pedir que votem no Bloco nas legislativas de 2009, para retirar a maioria absoluta ao PS, é só esperar que o eleitorado parta o coco a rir. Para confusão bastou a que Santana Lopes e Paulo Portas fizeram no governo de há três anos. O PS e o engenheiro Sócrates podem ter muitos defeitos, mas para ver o Bloquinho à porrada por causa de uns quererem estar no governo e outros quererem estar nas ruas e nos campos de milho a fazerem a luta revolucionária e antiglobal, é preferível dar de mão beijada a maioria absoluta a José Sócrates. Afinal, o acordo de António Costa com o Bloco em Lisboa já começou a dar os seus trunfos a Sócrates. Deus escreve direito por linhas tortas.
Apesar das recentes divergências no Bloco de Esquerda, face ao acordo com o PS em Lisboa e ao posicionamento perante o ataque ao milho transgénico, parece haver um denominador comum no Bloco que põe a nu os seus vicíos. Dão-lhes a mão e eles querem o braço. Sá Fernandes não se fez rogado a apresentar o seu cardápio de medidas, uma delas a quota revolucionária no mercado imobiliário, capaz de deixar a construção civil, sem meio de ver a luz ao fundo do túnel, à beira de um ataque de nervos. Mesmo as declarações de Miguel Portas sobre o assalto ao milho transgénico também não podem deixar de ser vistas, já descontando a personalidade idealista do deputado europeu, no quadro de um certo "frisson" com o facto o BE ter chegado pela primeira vez ao poder na capital do país. Na linha de que a revolução burguesa está em curso...


Estamos mesmo fartos de Vieira

Fartos dos seus amigos, primeiro Fernando Santos, que não tinha provas dadas, agora Jose Maria Camacho, que saiu do Benfica há três anos para ser dispensado pelo Real Madrid nem um ano depois de lá ter chegado, do seu amigo Rui Costa, que, segundo Vieira, vai ser director desportivo no próximo ano, (se, entretanto não fizer mais uma época como jogador), fartos da gíria de Vieira, do seu nascimento nas Furnas, das conversetas contra as brincadeiras de mau gosto, em defesa da sua família, da sua probidade, que só falou com Camacho depois de falar com Santos, que nas férias com Camacho nunca falou do Benfica, fartos da sua novela com Pinto da Costa, outro amigo de antigamente, fartos da sua ida aos balneários, responsabilizando os jogadores ou a equipa técnica pelos maus resultados, como aconteceu esta semana com Nuno Gomes, com o jogador a ser muito melhor na crítica certeira de que não há tranquilidade no Benfica do que a marcar golos, fartos das pilhérias de Vieira, como a desta semana, também com Nuno Gomes, de que se o jogador tivesse pedido desculpa, toda a gente tinha percebido, quando quem devia pedir desculpa era Vieira pela má gestão do clube, fartos de ver o Benfica a gastar rios de dinheiro, sem o retorno devido em resultados, fartos de ver Vieira não assumir as suas responsabilidades, na contratação de jogadores que não rendem, na contratação de um homem como José Veiga que só trouxe problemas ao Benfica, fartos das miragens de Vieira, de Mantorras que vale 18 milhões de contos, do jovem Moretto que se aposta que é um novo Bento e depois é o que se vê, com cowboyadas que metem voos relâmpago para o Brasil e cenas de porrada no aeroporto da Portela, com o primo de José Veiga a dar forte e feio no empresário do guarda-redes, fartos de Vieira não ter despedido Fernando Santos na altura certa e de o ter dispensado, esta segunda-feira, à trouche-mouche, sem método, depois de o homem ter ganho o torneio do Guadiana, ganho ao Copenhaga e empatado com o Leixões, onde Porto e Sporting ainda podem perder, fartos de uma mole de benfiquistas tudo aplaudir a Vieira, cometa o homem as calinadas que cometer, fartos de não haver oposição no Benfica, fartos de o Benfica de Luís Filipe Vieira se parecer cada vez mais com o regime de Hugo Chávez, no populismo mais primário, na massa acrítica de apoiantes, na falta de alternativas, fartos de o Benfica não ter uma equipa de futebol que se veja desde os gloriosos 6-3 em Alvalade, há quinze anos, fartos de o Benfica não ser campeão europeu há quase cinquenta anos.


1 comentário(s)
Por: SP
2007-08-24 12:22
Tem juízo Gaivotas

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