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LUIZ CARLOS BRESSER-PEREIRA
Um Bric "no topo do mundo"
Estamos sendo elogiados desde os anos 1990, quando inventaram os Brics. De repente, fomos guindados à condição de potência emergente, ao lado da China, da Índia e da Rússia. Graças aos nossos 190 milhões de habitantes. Porque somos um país de renda média. Tudo bem. Mas, afinal, continuamos a representar pouco mais de 1% do PIB (Produto Interno Bruto) mundial. Por que e para que tanto barulho? O grave, porém, é que se lermos com atenção o noticiário, verificaremos que somos o melhor -o Bric mais elogiado pela imprensa e pelo establishment internacional. Os outros três são nacionalistas demais para esse establishment aprovar: a Rússia, apesar da boa visita de Obama, continua "o inimigo"; a China é "a ameaça competitiva"; a Índia, o país que ainda não fez as reformas. O Brasil, sim, é o exemplo a ser seguido por todos. Sua política monetária é um exemplo de bom comportamento: segue todas as recomendações dos países ricos. Definitivamente, somos um sucesso para eles. Mas não somos um sucesso para nós mesmos. O gráfico ao lado, sobre o crescimento dos outros três Brics em comparação com o nosso, diz tudo. Desde 1996, crescemos a uma taxa média correspondente a menos da metade da alcançada por aqueles países: nosso crescimento anual médio per capita foi de 3%, contra 7% dos outros três. Mas não seria esse, afinal, o "limite" do nosso crescimento? É o que dizem nossos concorrentes ricos. É o que afirmam as histórias do "crescimento potencial". Acredite nela quem quiser. Outra pergunta: para um país que experimentou inflação tão alta entre 1980 e 1984, como o Brasil, não seria essa uma taxa suficiente? Não é porque não há razão para que o crescimento traga a inflação de volta. Talvez essa taxa seja suficiente para os poucos brasileiros que estão ganhando muito apesar do nosso modesto desempenho. Mas o fato é que uma perda de crescimento de 4% ao ano durante 13 anos equivale a uma perda total de crescimento, nesse período, de aproximadamente 65%. Em média, os brasileiros estariam hoje 65% mais ricos se a renda per capita houvesse crescido à taxa média dos outros três Brics. Definitivamente, é melhor desconfiarmos de tanto elogio e tratarmos de cuidar da nossa vida em vez de seguir os conselhos dos outros. LUIZ CARLOS BRESSER-PEREIRA, 75, professor emérito da Fundação Getulio Vargas, ex-ministro da Fazenda (governo Sarney), da Administração e Reforma do Estado (primeiro governo FHC) e da Ciência e Tecnologia (segundo governo FHC), é autor de "Macroeconomia da Estagnação: Crítica da Ortodoxia Convencional no Brasil pós-1994". Internet: www.bresserpereira.org.br VINICIUS TORRES FREIRE
O grande pacotão de Lula
DESDE O INÍCIO da crise, o governo federal ofereceu cerca de R$ 96 bilhões em créditos extras a taxas de juros e outras condições especiais, sem contar os R$ 100 bilhões de crédito extra do Tesouro Nacional para o BNDES e o programa "Minha Casa, Minha Vida", que mal engatinha. Os subsídios fiscais diretos, as reduções de impostos, devem chegar a R$ 22 bilhões no final do ano. A redução do compulsório, o dinheiro que os bancos devem deixar parado no Banco Central, chegou a uns R$ 90 bilhões. Os vários fundos garantidores de crédito (FGCs) bancados em parte pelo governo também implicam um subsídio implícito, pois ajudam a reduzir a taxa de juros para o tomador que não dispõe de bom crédito. Um FGC é uma espécie de fiador. No fim das contas, deu quase para todo mundo. Para pessoas físicas, houve redução de Imposto de Renda, de IOF, de IPI para veículos, materiais de construção, eletrodomésticos, dinheiro extra para o consignado, para a compra de casas de servidores etc. Entre as empresas, levaram algum as de infraestrutura, de construção civil, montadoras, "ruralistas" e agricultura familiar, grandes varejistas etc. Seria possível colocar na conta também operações de venda de dólares do Banco Central, que acabaram por aliviar empresas exportadores, as endividadas no exterior e aquelas que enfrentavam problemas e/ou aventuras cambiais. Não dá para somar tudo porque: a) trata-se de alhos e bugalhos: créditos, subsídios fiscais, expansão do dinheiro no caixa dos bancos, dólares das reservas etc.; b) nem toda oferta de crédito vira empréstimo de fato e, de resto, é difícil separar exatamente crédito novo de velho. A medida mais impressionante de ontem foi o aumento do subsídio do Tesouro (de impostos) para todas as empresas que tomam dinheiro do BNDES, que recebeu R$ 100 bilhões extras do governo neste ano. Sobre esse dinheiro, o governo vai cobrar do banco estatal só a TJLP (a taxa "básica" do BNDES, 6% ao ano). O custo para o governo arrumar esse dinheiro é de, no mínimo, uns 9%, 10% ao ano. Outra medida forte foi um subsídio que pode chegar a meio bilhão de reais por ano, talvez ao longo dos próximos dez anos, para quem comprar máquinas, equipamentos e tiver programas de inovação produtiva. Em alguns casos, crédito a juro zero. Não houve dinheiro novo para linhas de crédito, apenas juros subsidiados. De onde veio todo o dinheiro? De repasses diretos ou indiretos para bancos públicos, vindos do Tesouro (que fará dívida para financiar tudo isso, pois é deficitário). Dos trabalhadores (do FGTS e do FAT). Das reservas internacionais (compradas com dívida pública). Em suma, o grosso das medidas do governo Lula aumentou os fundos dos bancos públicos, que assim puderam emprestar mais e sustentar o crédito. Também subsidiou o consumo de bens duráveis (o que evitou o pânico de desemprego que se via entre dezembro e janeiro, tumulto que, se não tivesse freio, levaria o país a uma recessão profunda). Por fim, aumentou os recursos livres no caixa de bancos privados e as garantias para seus empréstimos. Assim, evitou-se um desastre. Mas, agora, chega. Há uma conta a pagar, na forma de aumento da dívida pública. Lula diz que "pior da crise passou" e espera fim de ano "confortável"
DA AGÊNCIA FOLHA, EM MANAUS "Olhando pelos números do Brasil, eu acho que o pior já passou." Foi dessa forma que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva respondeu, em Manaus, a questionamentos sobre o impacto da crise no Brasil. ENTREVISTA HENRIQUE MEIRELLES
"Spreads" dos bancos precisam cair ainda mais Presidente do BC diz que bancos elevaram suas taxas mais do que o necessário e minimiza aumento de gastos públicos
SERGIO MALBERGIER ENVIADO ESPECIAL A BRASÍLIA VALDO CRUZ DA SUCURSAL DE BRASÍLIA O presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, acha ainda "prematuro" dizer se a economia brasileira já reúne as condições para conviver com uma nova taxa de equilíbrio de juros, de apenas um dígito. Segundo ele, há ainda um "ambiente de grande incerteza" e não é possível saber em que ponto estará a economia brasileira encerrada a crise atual. ![]() FOLHA - A taxa de equilíbrio de juros no Brasil mudou de patamar? O país pode conviver com uma taxa básica de juros de um dígito? FOLHA - Mas, se tirarmos os efeitos conjunturais, o sr. avalia que vamos voltar à realidade anterior, de juros básicos altos, ou as taxas baixas vieram para ficar e estamos num novo patamar de juros no país? FOLHA - Pela experiência do sr., em que ponto estamos? FOLHA - Banqueiros centrais têm dito que, no próximo ano, diante da política expansionista para combater a crise, o mundo terá de fazer ajustes na sua política monetária. Isso pode acontecer aqui no Brasil? FOLHA - O sr. citou alguns fatores estruturais que permitem a queda dos juros. Esses fatores já não estavam presentes em setembro do ano passado, quando o BC aumentou os juros da última vez, decisão hoje muito criticada? Olhando hoje, aquela decisão foi equivocada? FOLHA - O Banco Central errou alguma vez sob seu comando? FOLHA - Então o sr. diria que o BC, na sua administração, não errou? FOLHA - Respondendo à pergunta com um sim ou não... FOLHA - Há alguma decisão de política monetária que o sr. tomou e que faria diferente hoje? FOLHA - Estamos passando por um momento expansionista na política fiscal. O governo acabou de reduzir o superávit primário (economia para pagamento dos juros da dívida pública) para 2,5% do PIB. Como isso pode afetar a política monetária no próximo ano no Brasil? FOLHA - Mas não pode haver aumento da necessidade de financiamento do governo por conta desse aumento de gastos, que pode levar a um aumento da taxa de juros? FOLHA - E a questão cambial? Quanto o Banco Central ganhou com a alta do dólar? FOLHA - O que essa forte alta do dólar, que não estava no cenário, significou para o Banco Central? FOLHA - Isso foi determinado pela crise, não era uma estratégia do BC. FOLHA - É possível dizer, então, que a crise deu ao Tesouro R$ 181 bilhões. FOLHA - De quanto são hoje nossas reservas internacionais? FOLHA - Durante essa crise, houve um ruído forte, e raro, no relacionamento entre o BC e os bancos brasileiros, principalmente por conta da elevação do "spread" (diferença entre a taxa a que os bancos captam dinheiro e a que cobram em financiamentos). O sr. disse que a culpa era dos bancos, que por seu lado culpam mecanismos como depósitos compulsórios. Afinal, de quem é a culpa do "spread" alto? FOLHA - O BC já está detectando alguma queda no "spread"? FOLHA - O sr. presidiu um banco norte-americano (BankBoston). Como vê a recuperação do sistema financeiro dos EUA? Pode haver nova quebra de banco? FOLHA - O sr. vai se filiar a algum partido em outubro para sair candidato em 2010? FÓRUM ECONÔMICO MUNDIAL
Até pessimista é tachado de otimista ao comentar a crise Stephen Roach, presidente do Morgan Stanley na Ásia, havia sido banido de Davos por suas críticas; hoje, virou "alienado"
CLÓVIS ROSSI ENVIADO ESPECIAL A DAVOS Stephen Roach, economista que hoje preside o conglomerado Morgan Stanley na Ásia, passou dez anos fazendo o papel de Cassandra nos encontros anuais do Fórum Econômico Mundial. Há dois anos, foi banido, segundo ele por excesso de pessimismo. Reapareceu ontem e, sinal dos tempos, apenas para ser fuzilado por excesso de otimismo, simplesmente por ter dito que o mundo precisará esperar três a quatro anos para ver taxas de crescimento de 5% e que, em 2010, o crescimento não iria além de 2,5%, assim mesmo com muitos países em recessão (2009 é dado como perdido). Saltou imediatamente Heizo Takenaka, diretor do Instituto de Pesquisas sobre Segurança Global, da Keio University, do Japão: "Você está muito otimista". Da plateia, Martin Wolf, principal colunista do jornal britânico "Financial Times", foi ainda mais duro: "Estou chocado com o seu otimismo. A economia mundial está implodindo". Fora da sala, Nouriel Roubini, que assumiu no ano passado o posto de Cassandra deixado por Roach, justificava em incontáveis rodinhas com jornalistas o seu apelido de Mr. Apocalipse (pois previu a catástrofe). "O mundo terá sorte se a economia ficar apenas na contração. Há dois terços de chances de uma depressão." Outro sinal dos tempos: no almoço para a mídia na abertura do encontro-2009 foi servido um prato igualmente pessimista, na voz de George Soros, o megainvestidor ou megaespeculador, apesar de ele próprio confessar que ganhou dinheiro na crise. "Pouco para tempos normais, mas para esta época bem razoável", ironizou. Soros foi tão apocalíptico quanto Roubini: "O sistema financeiro global entrou em colapso. Está agora respirando por aparelho" [alusão às sucessivas intervenções dos governos, que, não obstante, não foram capazes de devolver o paciente à vida]. Por isso mesmo, Davos vive o que Soros batizou de "estado de choque". Como se fosse pouco, na sessão em que se discutiu a outra crise (a da segurança internacional), um especialista suspeitou até da solidez do sistema global: "Apesar da crise, dá-se por certo que a ordem internacional liberal que predomina há décadas seguirá em frente. Como podemos confiar que não sofrerá nos próximos anos um crash como o do sistema financeiro?", perguntou, sem responder, Kishore Mahbubani, da Escola Lee Kuan Yew de Políticas Públicas (Cingapura). A falta de respostas para a crise, aliás, foi a tônica do primeiro dia de debates em Davos, por mais que os palestrantes esgrimissem dados imponentes para explicar o pessimismo. De Stephen Roach: "Este ano será a primeira vez, desde 1945, que a economia mundial se contrai". De George Soros: "A magnitude do problema é significativamente maior do que nos anos 30". O investidor usou números para justificar a comparação: o crédito, como porcentagem do PIB (Produto Interno Bruto), subiu de 160% em 1929 para 260% em 1932, como consequência da deflação e da queda da atividade econômica. Já nesta crise, o crédito, que era 360% do PIB em 2008, aumentará até 500% nos próximos anos. Os pacotes até agora adotados tampouco foram poupados: Roubini, depois de elogiar o novo presidente norte-americano, Barack Obama, como "carismático", e sua "excelente" equipe econômica, disse, coerente com o seu catastrofismo, que nem o melhor plano econômico, ainda que implementado rapidamente, dará um jeito na crise neste ano. Talvez em algum momento de 2010. A fórmula mais mencionada foi cooperação internacional, defendida por exemplo pelo ministro sul-africano de Finanças, Trevor Manuel. Mas ele foi o primeiro a expressar mais dúvidas do que certezas, a ponto de afirmar que o desafio era "entender o que aconteceu e o que está acontecendo". Para Manuel, houve uma nítida "falha no sistema multilateral", mas ele próprio manifestou, em conversa à parte com a Folha, suas dúvidas sobre a capacidade de serem corrigidas tais falhas nas reuniões sucessivas do G20 que tratam da reforma da arquitetura financeira internacional -e a África do Sul presidia o G20, o clube das maiores economias do planeta, até 2008, quando transmitiu o posto ao Brasil, que agora o entregou ao Reino Unido. "Não adianta os ministros da Fazenda se entenderem, se os chefes de governo não levarem avante as propostas dos ministros." Stephen Roach, embora também adepto de um multilateralismo mais ativo, observou que não há, na economia global, um mecanismo de "enforcement" (adoção obrigatória de medidas decididas por uma dada instituição). "Não há prêmios por boa conduta nem castigos por má conduta", afirmou. No lado empresarial, Ferint Sahenk, presidente do grupo Dogus da Turquia, ironizou seu próprio país ao dizer que a presente crise "é a primeira que não criamos". Mas depois queixou-se, em um tom que é muito parecido com o que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva tem usado ao tratar do tema: "Fizemos todas as reformas. Por quê estamos sendo punidos?" Vendas do varejo brasileiro sobem 2,8% no Natal, aponta Serasa O comércio brasileiro registrou um crescimento de 2,8% nas vendas da semana de Natal, em comparação ao mesmo período de 2007, de acordo com o indicador divulgado pela Serasa Experian, empresa de pesquisa e análise econômica, nesta sexta-feira (26). O resultado é inferior ao registrado no ano passado. Em 2007, no período de 18 a 24 de dezembro, o desempenho das vendas do comércio teve aumento de 5,3% em todo o país, quando comparado a igual período de 2006. Conforme a Serasa Experian, o resultado confirmou o 'otimismo moderado' dos empresários do varejo. Em dezembro de 2008, 39% esperavam aumento das vendas, número inferior aos 59% que acreditavam em expansão dos negócios em 2007. Para a empresa, os juros altos e o maior endividamento do consumidor influenciaram no resultado do varejo neste fim de ano. Shoppings As vendas nos shoppings no período do Natal tiveram aumento real (já com o ajuste da inflação) de 3,5%, segundo dados da Associação Brasileira de Lojistas de Shopping (Alshop). De janeiro a dezembro as vendas cresceram 3,5%. 'O resultado ficou abaixo das expectativas, mas a base de comparação com 2007 era muito elevada', afirmou o presidente da entidade, Nabil Sahyoun. O esperado pela entidade era uma elevação entre 8% e 10% nas vendas. Entre os segmentos com melhor desempenho de vendas no Natal estão o de perfumaria e cosméticos (9%), óculos e acessórios (14%), vestuário e calçados (4%), eletroeletrônicos (3%), livros, DVDs e CDs (5%). O setor de brinquedos e bolsas, pastas, malas e artigos para viagem apresentaram queda de 5% e 4% respectivamente. Segundo os dados do setor, em 2008 foram inaugurados 21 centros de compras, totalizando 4.647 novas lojas, gerando 46,5 mil empregos. Ao todo são 689 centros de compras no país, com 85 mil lojas. O faturamento do setor em 2008 chegou a R$ 70,7 bilhões, 6,4% a mais do que em 2007. 26/12/2008 - 12h15 Vendas de fim de ano no varejo nos EUA caem ao menos 5,5%da Folha Online As vendas na temporada de compras de fim de ano nos EUA tiveram uma queda entre 5,5% e 8% em 2008, na comparação com 2007, segundo dados preliminares levantados pela SpendingPulse, divisão da MasterCard Advisors que compila dados de compras pagas com cartões de crédito e cheques. Excluídas as vendas de automóveis e gasolina das compras feitas entre 1º de novembro --um sábado, já dentro do feriado prolongado do Dia de Ação de Graças-- e 24 de dezembro --véspera do Natal--, as vendas no varejo tiveram queda de 2% a 4%, segundo o levantamento. Os dados da SpendingPulse mostram que as vendas de alimentos tiveram desempenho positivo, enquanto as de roupas --em particular de marcas mais caras-- tiveram um resultado fraco. As vendas de roupas femininas caíram 22,7%, enquanto as de roupas masculinas caíram 14,3%. As vendas de calçados caíram 13,5% (a empresa não divulgou dados diferenciados para calçados femininos ou masculinos). As vendas de artigos de luxo caíram 35% --a SpendingPulse classifica nessa categoria jóias, roupas e artigos de couro situados na faixa que reúne os preços mais altos. As vendas de produtos eletrônicos e eletrodomésticos caíram 26,7%. Em um outro levantamento, feito pelo ICSC (Conselho Internacional de Shopping Centers, na sigla em inglês), a previsão é de uma queda de 1,5% a 2% neste ano nos EUA, na comparação com o fim de 2007. Nesse levantamento o resultado, se confirmado, será o pior desde 1969. O resultado oficial deve ser anunciado em 8 de janeiro. Contração Segundo analistas, a situação crítica do mercado de trabalho e as nevascas no país ou impediram os consumidores de ir às lojas ou simplesmente fizeram com que mantivessem as carteiras fechadas. No mês passado, o mercado de trabalho perdeu 533 mil vagas e a taxa de desemprego subiu para 6,7%, a maior dos dois mandatos do presidente americano, George W. Bush. Os gastos do consumidor já refletiram essa situação crítica no mês passado, com uma queda de 0,6% --a queda de novembro completou cinco meses de contração, a maior seqüência de perdas desde o início da pesquisa feita pelo Departamento do Trabalho, em 1959. Reino Unido A crise ameaça também o varejo britânico. O BRC (Consórcio Britânico do Varejo, na sigla em inglês) informou nesta semana que as vendas no varejo no Reino Unido em dezembro deverão apresentar um resultado fraco. "Teremos os resultados do mês em algumas semanas, e não serão bonitos", disse o diretor-geral do BRC, Stephen Robertson, em um comunicado. "Apesar da corrida de última hora, está ficando claro que, no geral, esse foi um Natal fraco para os varejistas, enquanto os consumidores cortam gastos e diminuem os negócios", diz o comunicado. Algumas redes já iniciaram nesta quinta-feira suas vendas com descontos pela internet. Robertson disse, no entanto, que grandes ofertas e competição mais acirrada podem tornar os lucros dos varejistas ainda mais magros. "Descontos e promoções em escala sem precedentes, combinados com vendas fracas, colocam as margens [de lucros] sob tremenda pressão", afirmou.
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