LDV - 2009 Notebook
Last edited July 21, 2009
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LUIZ CARLOS BRESSER-PEREIRA

Um Bric "no topo do mundo"


O Brasil é o exemplo a ser seguido, mas, como bom caipira, fico desconfiado com tanto elogio para nosso país
EM SUA coluna de 12 deste mês, Clóvis Rossi escreveu que o Brasil, que agora deve participar do G14, chegou ao "topo do mundo", mas continua caipira. Não sei se nosso problema é realmente o caipirismo. A dialética entre o elemento nacional e o cosmopolita foi sempre uma fonte fértil do progresso humano. Mas, como ao notável jornalista, também me preocupa esse "topo do mundo". No início do século 20, os brasileiros foram vítimas do ufanismo local; no início do século 21, é a vez de sermos vítimas do ufanismo alheio. Viajo bastante, e nunca vi tanto elogio para o Brasil e para Lula como atualmente. Fico feliz pelo presidente, mas, como bom caipira, fico desconfiado com tanto elogio para nosso país.
Estamos sendo elogiados desde os anos 1990, quando inventaram os Brics. De repente, fomos guindados à condição de potência emergente, ao lado da China, da Índia e da Rússia. Graças aos nossos 190 milhões de habitantes. Porque somos um país de renda média. Tudo bem.
Mas, afinal, continuamos a representar pouco mais de 1% do PIB (Produto Interno Bruto) mundial.
Por que e para que tanto barulho? O grave, porém, é que se lermos com atenção o noticiário, verificaremos que somos o melhor -o Bric mais elogiado pela imprensa e pelo establishment internacional. Os outros três são nacionalistas demais para esse establishment aprovar: a Rússia, apesar da boa visita de Obama, continua "o inimigo"; a China é "a ameaça competitiva"; a Índia, o país que ainda não fez as reformas. O Brasil, sim, é o exemplo a ser seguido por todos. Sua política monetária é um exemplo de bom comportamento: segue todas as recomendações dos países ricos. Definitivamente, somos um sucesso para eles.
Mas não somos um sucesso para nós mesmos. O gráfico ao lado, sobre o crescimento dos outros três Brics em comparação com o nosso, diz tudo. Desde 1996, crescemos a uma taxa média correspondente a menos da metade da alcançada por aqueles países: nosso crescimento anual médio per capita foi de 3%, contra 7% dos outros três.
Mas não seria esse, afinal, o "limite" do nosso crescimento? É o que dizem nossos concorrentes ricos. É o que afirmam as histórias do "crescimento potencial". Acredite nela quem quiser. Outra pergunta: para um país que experimentou inflação tão alta entre 1980 e 1984, como o Brasil, não seria essa uma taxa suficiente? Não é porque não há razão para que o crescimento traga a inflação de volta. Talvez essa taxa seja suficiente para os poucos brasileiros que estão ganhando muito apesar do nosso modesto desempenho.
Mas o fato é que uma perda de crescimento de 4% ao ano durante 13 anos equivale a uma perda total de crescimento, nesse período, de aproximadamente 65%. Em média, os brasileiros estariam hoje 65% mais ricos se a renda per capita houvesse crescido à taxa média dos outros três Brics. Definitivamente, é melhor desconfiarmos de tanto elogio e tratarmos de cuidar da nossa vida em vez de seguir os conselhos dos outros.


LUIZ CARLOS BRESSER-PEREIRA, 75, professor emérito da Fundação Getulio Vargas, ex-ministro da Fazenda (governo Sarney), da Administração e Reforma do Estado (primeiro governo FHC) e da Ciência e Tecnologia (segundo governo FHC), é autor de "Macroeconomia da Estagnação: Crítica da Ortodoxia Convencional no Brasil pós-1994".
Internet: www.bresserpereira.org.br 
VINICIUS TORRES FREIRE

O grande pacotão de Lula


Governo ofereceu centenas de bilhões em créditos e subsídios e evitou crise pior; mas, agora, conta começa a ficar pesada

DESDE O INÍCIO da crise, o governo federal ofereceu cerca de R$ 96 bilhões em créditos extras a taxas de juros e outras condições especiais, sem contar os R$ 100 bilhões de crédito extra do Tesouro Nacional para o BNDES e o programa "Minha Casa, Minha Vida", que mal engatinha. Os subsídios fiscais diretos, as reduções de impostos, devem chegar a R$ 22 bilhões no final do ano. A redução do compulsório, o dinheiro que os bancos devem deixar parado no Banco Central, chegou a uns R$ 90 bilhões.
Os vários fundos garantidores de crédito (FGCs) bancados em parte pelo governo também implicam um subsídio implícito, pois ajudam a reduzir a taxa de juros para o tomador que não dispõe de bom crédito. Um FGC é uma espécie de fiador.
No fim das contas, deu quase para todo mundo. Para pessoas físicas, houve redução de Imposto de Renda, de IOF, de IPI para veículos, materiais de construção, eletrodomésticos, dinheiro extra para o consignado, para a compra de casas de servidores etc. Entre as empresas, levaram algum as de infraestrutura, de construção civil, montadoras, "ruralistas" e agricultura familiar, grandes varejistas etc. Seria possível colocar na conta também operações de venda de dólares do Banco Central, que acabaram por aliviar empresas exportadores, as endividadas no exterior e aquelas que enfrentavam problemas e/ou aventuras cambiais.
Não dá para somar tudo porque: a) trata-se de alhos e bugalhos: créditos, subsídios fiscais, expansão do dinheiro no caixa dos bancos, dólares das reservas etc.; b) nem toda oferta de crédito vira empréstimo de fato e, de resto, é difícil separar exatamente crédito novo de velho.
A medida mais impressionante de ontem foi o aumento do subsídio do Tesouro (de impostos) para todas as empresas que tomam dinheiro do BNDES, que recebeu R$ 100 bilhões extras do governo neste ano. Sobre esse dinheiro, o governo vai cobrar do banco estatal só a TJLP (a taxa "básica" do BNDES, 6% ao ano). O custo para o governo arrumar esse dinheiro é de, no mínimo, uns 9%, 10% ao ano. Outra medida forte foi um subsídio que pode chegar a meio bilhão de reais por ano, talvez ao longo dos próximos dez anos, para quem comprar máquinas, equipamentos e tiver programas de inovação produtiva. Em alguns casos, crédito a juro zero. Não houve dinheiro novo para linhas de crédito, apenas juros subsidiados.
De onde veio todo o dinheiro? De repasses diretos ou indiretos para bancos públicos, vindos do Tesouro (que fará dívida para financiar tudo isso, pois é deficitário). Dos trabalhadores (do FGTS e do FAT). Das reservas internacionais (compradas com dívida pública).
Em suma, o grosso das medidas do governo Lula aumentou os fundos dos bancos públicos, que assim puderam emprestar mais e sustentar o crédito. Também subsidiou o consumo de bens duráveis (o que evitou o pânico de desemprego que se via entre dezembro e janeiro, tumulto que, se não tivesse freio, levaria o país a uma recessão profunda). Por fim, aumentou os recursos livres no caixa de bancos privados e as garantias para seus empréstimos. Assim, evitou-se um desastre. Mas, agora, chega. Há uma conta a pagar, na forma de aumento da dívida pública.

Lula diz que "pior da crise passou" e espera fim de ano "confortável"

DA AGÊNCIA FOLHA, EM MANAUS

"Olhando pelos números do Brasil, eu acho que o pior já passou." Foi dessa forma que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva respondeu, em Manaus, a questionamentos sobre o impacto da crise no Brasil.
O presidente afirmou que a crise é originária de um país rico e que nem o próprio presidente Barack Obama sabia de sua dimensão.
"Acho que o povo brasileiro não tem motivo para ter medo", declarou. "Olhando pelos números do Brasil, eu acho que o pior já passou, nós estamos vendo vários setores da economia se recuperarem."
Apesar de falar em reaquecimento da economia, Lula reconheceu que o ritmo ainda é lento. "Óbvio que essas coisas começam lentamente. Espero um final do ano com uma situação mais confortável. As medidas que o governo tomou têm surtido efeito. A indústria automobilística e sua cadeia produtiva já começaram a se recuperar, a Zona Franca já está se recuperando", discursou.

ENTREVISTA HENRIQUE MEIRELLES

"Spreads" dos bancos precisam cair ainda mais

Presidente do BC diz que bancos elevaram suas taxas mais do que o necessário e minimiza aumento de gastos públicos

Sergio Lima/Folha Imagem
O presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, dá entrevista na sala onde o Copom (Comitê de Política Monetária do BC) decide a taxa básica de juros

SERGIO MALBERGIER
ENVIADO ESPECIAL A BRASÍLIA 
VALDO CRUZ
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA

O presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, acha ainda "prematuro" dizer se a economia brasileira já reúne as condições para conviver com uma nova taxa de equilíbrio de juros, de apenas um dígito. Segundo ele, há ainda um "ambiente de grande incerteza" e não é possível saber em que ponto estará a economia brasileira encerrada a crise atual.
A taxa básica Selic, definida pelo BC, está hoje em 11,25%, e o mercado projeta juros de 9,25% para o final do ano.
Meirelles, por outro lado, diz que, no Brasil, não necessariamente ocorrerá o mesmo que nos EUA, onde os juros, hoje perto de zero, devem subir tão logo comece uma recuperação mais forte da economia. Esse tema é sensível no Palácio do Planalto, já que o governo Lula não gostaria de trabalhar com alta de juros no ano eleitoral de 2010, embora analistas considerem possível esse cenário.
Em seu sétimo ano à frente do BC, ele não admite erros na condução da política monetária nem o que muitos dão como certo -que sairá candidato nas eleições de 2010.
Meirelles não critica a atual política fiscal expansionista, sempre apontada pelo BC no passado como um entrave para maiores reduções dos juros. Segundo ele, a relação dívida pública/PIB se manterá estável, em 37%, mesmo com o aumento dos gastos do governo Lula. A seguir, trechos da entrevista, concedida na sala do BC em Brasília.

 

FOLHA - A taxa de equilíbrio de juros no Brasil mudou de patamar? O país pode conviver com uma taxa básica de juros de um dígito?
HENRIQUE MEIRELLES 
- É um pouco prematuro dizer, pois temos uma conjugação de dois fatores, estruturais e conjunturais. Estrutural é a queda dos prêmios de risco, resultado da gradual estabilização da economia brasileira. As taxas de juros reais [descontada a inflação] já estiveram acima de 20% e hoje estão ao redor de 5%.
Mas vêm caindo nos últimos anos de forma gradual, independentemente dos ciclos, de subidas e descidas. Existe, hoje, um movimento cíclico, conjuntural, que é a crise mundial, que leva a uma desaceleração da atividade. Qual será a conjugação desses dois fatores no futuro? O momento é prematuro para ver.

FOLHA - Mas, se tirarmos os efeitos conjunturais, o sr. avalia que vamos voltar à realidade anterior, de juros básicos altos, ou as taxas baixas vieram para ficar e estamos num novo patamar de juros no país?
MEIRELLES 
- Esse é o ponto.
Existe um movimento estrutural, mas, terminado o aspecto cíclico, vamos voltar ao ponto em que estávamos antes da crise ou não? Ou terá seguimento a evolução estrutural?

FOLHA - Pela experiência do sr., em que ponto estamos?
MEIRELLES 
- É prematuro dizer, vamos aguardar. Eu não posso falar porque estaria fazendo uma sinalização indevida. Depois, existe um ambiente de grande incerteza.

FOLHA - Banqueiros centrais têm dito que, no próximo ano, diante da política expansionista para combater a crise, o mundo terá de fazer ajustes na sua política monetária. Isso pode acontecer aqui no Brasil?
MEIRELLES 
- Existem diferenças entre economias. O que estávamos discutindo na pergunta anterior em última análise é qual é a taxa de equilíbrio no Brasil e onde estaremos no final dessa crise em relação à taxa real de juros versus onde estará naquele momento a taxa de equilíbrio. Nos EUA, com as taxas de juros zero, claramente a taxa nominal está baixa. Certamente haverá nos EUA, num certo momento, um aumento de juros. Isso não é necessariamente uma situação aplicável a todos os países, dependerá da situação de cada um.

FOLHA - O sr. citou alguns fatores estruturais que permitem a queda dos juros. Esses fatores já não estavam presentes em setembro do ano passado, quando o BC aumentou os juros da última vez, decisão hoje muito criticada? Olhando hoje, aquela decisão foi equivocada?
MEIRELLES 
- Em setembro, o trimestre encerrado sobre o mesmo trimestre do ano anterior mostrava uma demanda doméstica crescendo a 9,3% ao ano. E o produto [PIB] crescendo a 6,8%. Claramente insustentável. E é importante mencionar que a dinâmica da crise internacional alterou-se radicalmente com a falência do Lehman Brothers [em 15 de setembro], o que representou uma quebra da estrutura de funcionamento do sistema financeiro mundial. Isso alterou totalmente a dinâmica da crise, gerou uma série de reações em cadeia. E o Banco Central do Brasil reagiu com rapidez a essa nova situação por meio de medidas muito fortes, de gestão de liquidez, que era o problema mais grave naquele momento.

FOLHA - O Banco Central errou alguma vez sob seu comando?
MEIRELLES 
- [Pausa] Muito difícil analisar situações depois dos efeitos das medidas tomadas. É aquela questão que se chama síndrome clássica de um banco central, de qualquer um.
Tem de agir preventivamente.
Na medida em que aja preventivamente e não exista o problema, pode-se argumentar que errou, porque não existia o problema e não era necessária a medida preventiva.
Do nosso ponto de vista, o resultado da política monetária no Brasil nos últimos anos tem sido um sucesso. Porque a taxa média de crescimento do país nos últimos cinco anos foi de 4,6% versus 1,9% dos anos anteriores. O Brasil acumulou US$ 205 bilhões de reservas, a taxa de juros real da economia caiu substancialmente nesse período, criou-se em média 1,5 milhão de novas vagas de trabalho por ano, a renda média aumentou, a massa salarial estava crescendo em média 6%, 7%, 8% nos últimos anos.

FOLHA - Então o sr. diria que o BC, na sua administração, não errou?
MEIRELLES 
- Eu não estou fazendo essa afirmação.

FOLHA - Respondendo à pergunta com um sim ou não...
MEIRELLES 
- A pergunta não tem um sim ou não, os resultados foram extremamente positivos.

FOLHA - Há alguma decisão de política monetária que o sr. tomou e que faria diferente hoje?
MEIRELLES 
- Com os dados disponíveis na época, que é a única maneira de essa pergunta fazer sentido, não.

FOLHA - Estamos passando por um momento expansionista na política fiscal. O governo acabou de reduzir o superávit primário (economia para pagamento dos juros da dívida pública) para 2,5% do PIB. Como isso pode afetar a política monetária no próximo ano no Brasil?
MEIRELLES 
- Hoje temos um choque externo. Em razão disso, existe uma flexibilização das políticas monetária e fiscal, consistentes. Vamos aguardar o desenvolvimento da crise, a retomada das atividades, para ver onde a economia brasileira vai se equilibrar mais à frente.

FOLHA - Mas não pode haver aumento da necessidade de financiamento do governo por conta desse aumento de gastos, que pode levar a um aumento da taxa de juros?
MEIRELLES 
- A nossa previsão hoje é que, se levarmos em conta apenas a questão da nova meta do superávit primário, com as demais condições da economia de acordo com as previsões do mercado, a relação dívida/produto [tamanho da dívida pública em relação ao PIB brasileiro] deve permanecer onde está. Vai ficar nos 37%. O que vai significar, grosso modo, que nós teremos uma situação estável do ponto de vista dessa variável básica, que eu acho a mais importante.

FOLHA - E a questão cambial? Quanto o Banco Central ganhou com a alta do dólar?
MEIRELLES 
- O resultado do Banco Central no segundo semestre do ano passado, produto do resultado nas reservas dos choques cambiais, foi a transferência líquida para o Tesouro de R$ 181 bilhões, sendo que grande parcela foi a variação cambial, R$ 171 bilhões, que deu efeitos positivos nas reservas.

FOLHA - O que essa forte alta do dólar, que não estava no cenário, significou para o Banco Central?
MEIRELLES 
- Que a dívida pública caiu de 40,5% antes da crise para 37% neste momento. Esse resultado foi usado para diminuir a dívida pública líquida.

FOLHA - Isso foi determinado pela crise, não era uma estratégia do BC.
MEIRELLES 
- Não, era uma estratégia construir reservas, reduzir o passivo cambial num primeiro momento e elevar o ativo cambial num segundo momento. Tínhamos essa estratégia, de montar um mecanismo estabilizador automático. No passado, quando havia uma crise, ocorria uma depreciação do câmbio, aumentava a dívida pública, que elevava a desconfiança, que fazia maior depreciação. Era um ciclo vicioso. E nós tivemos uma estratégia determinada, desde o início dessa administração, de reverter esse processo, de criar um ciclo virtuoso. E isso já tinha mostrado efeitos em outros momentos. A estratégia estava definida. A dimensão e a rapidez dessa crise é que não estavam no cenário.

FOLHA - É possível dizer, então, que a crise deu ao Tesouro R$ 181 bilhões.
MEIRELLES 
- A crise gerou vários efeitos. Um deles é esse, positivo. Outro, negativo, a queda de arrecadação, que está acontecendo. Agora, note bem, isso custou caro. Não foi de graça, o Brasil pagou caro para construir a posição de reservas durante esses anos todos, aliás foi muito criticado. Nós sempre argumentamos que num momento de crise esse era um seguro que valeria a pena. A história mostrou que estávamos corretos.

FOLHA - De quanto são hoje nossas reservas internacionais?
MEIRELLES 
- Estão em US$ 202 bilhões.

FOLHA - Durante essa crise, houve um ruído forte, e raro, no relacionamento entre o BC e os bancos brasileiros, principalmente por conta da elevação do "spread" (diferença entre a taxa a que os bancos captam dinheiro e a que cobram em financiamentos). O sr. disse que a culpa era dos bancos, que por seu lado culpam mecanismos como depósitos compulsórios. Afinal, de quem é a culpa do "spread" alto?
MEIRELLES 
- O Banco Central adota uma atitude de autoridade monetária, não necessariamente agrada a todos os setores. Ele pode tomar determinadas atitudes que podem desagradar a um setor, inclusive o financeiro. Existem alguns mitos, como o de que o Banco Central subir a taxa de juros, a Selic, gera lucro para os bancos.
Não é necessariamente o caso.
Muitas vezes os bancos estão aplicados em taxa prefixada e até perdem se o BC aumenta a taxa. A Selic é custo para os bancos, porque eles captam.
Existe uma série de mitos nesse processo. Na questão do "spread", sim, achamos que, em razão da crise e da insegurança, eles [bancos] estavam subindo de uma forma que era negativa para a economia.
E estavam subindo mesmo depois da queda dos compulsórios e da estabilidade da Selic. Colocamos essa posição com a maior clareza possível, e hoje isso começa a ser entendido melhor. O Banco Central e a Fazenda estão trabalhando nisso, já tomamos medidas e, se preciso, vamos tomar mais.

FOLHA - O BC já está detectando alguma queda no "spread"?
MEIRELLES 
- Segundo indicações que temos, já existe uma queda de "spread". Achamos que é insuficiente, tanto que continuamos trabalhando e estamos aguardando os efeitos das novas medidas, principalmente a garantia dos depósitos e leilão sem direcionamento, além do cadastro positivo. Estamos aguardando, pois achamos que os "spreads" devem cair mais.

FOLHA - O sr. presidiu um banco norte-americano (BankBoston). Como vê a recuperação do sistema financeiro dos EUA? Pode haver nova quebra de banco?
MEIRELLES 
- Não acho provável que haja uma quebra de um banco sistematicamente importante nos Estados Unidos, depois do compromisso explícito do G20, em Londres, de não permitir que isso ocorra.

FOLHA - O sr. vai se filiar a algum partido em outubro para sair candidato em 2010?
MEIRELLES 
- No momento, a minha única preocupação é o Banco Central, a economia brasileira e tirar o país da crise. Depois, vou pensar em alguma coisa.

FÓRUM ECONÔMICO MUNDIAL

Até pessimista é tachado de otimista ao comentar a crise

Stephen Roach, presidente do Morgan Stanley na Ásia, havia sido banido de Davos por suas críticas; hoje, virou "alienado"

Para Roubini e Soros, há "66% de chance" de a economia global entrar em depressão mais séria que a vista na década de 1930
 

Pascal Lauener/Reuters
Frequentadores do Fórum, que neste ano está em "estado de choque', segundo George Soros 

CLÓVIS ROSSI
ENVIADO ESPECIAL A DAVOS 

Stephen Roach, economista que hoje preside o conglomerado Morgan Stanley na Ásia, passou dez anos fazendo o papel de Cassandra nos encontros anuais do Fórum Econômico Mundial. Há dois anos, foi banido, segundo ele por excesso de pessimismo.
Reapareceu ontem e, sinal dos tempos, apenas para ser fuzilado por excesso de otimismo, simplesmente por ter dito que o mundo precisará esperar três a quatro anos para ver taxas de crescimento de 5% e que, em 2010, o crescimento não iria além de 2,5%, assim mesmo com muitos países em recessão (2009 é dado como perdido).
Saltou imediatamente Heizo Takenaka, diretor do Instituto de Pesquisas sobre Segurança Global, da Keio University, do Japão: "Você está muito otimista". Da plateia, Martin Wolf, principal colunista do jornal britânico "Financial Times", foi ainda mais duro: "Estou chocado com o seu otimismo. A economia mundial está implodindo".
Fora da sala, Nouriel Roubini, que assumiu no ano passado o posto de Cassandra deixado por Roach, justificava em incontáveis rodinhas com jornalistas o seu apelido de Mr. Apocalipse (pois previu a catástrofe). "O mundo terá sorte se a economia ficar apenas na contração. Há dois terços de chances de uma depressão."
Outro sinal dos tempos: no almoço para a mídia na abertura do encontro-2009 foi servido um prato igualmente pessimista, na voz de George Soros, o megainvestidor ou megaespeculador, apesar de ele próprio confessar que ganhou dinheiro na crise. "Pouco para tempos normais, mas para esta época bem razoável", ironizou.
Soros foi tão apocalíptico quanto Roubini: "O sistema financeiro global entrou em colapso. Está agora respirando por aparelho" [alusão às sucessivas intervenções dos governos, que, não obstante, não foram capazes de devolver o paciente à vida]. Por isso mesmo, Davos vive o que Soros batizou de "estado de choque".
Como se fosse pouco, na sessão em que se discutiu a outra crise (a da segurança internacional), um especialista suspeitou até da solidez do sistema global: "Apesar da crise, dá-se por certo que a ordem internacional liberal que predomina há décadas seguirá em frente. Como podemos confiar que não sofrerá nos próximos anos um crash como o do sistema financeiro?", perguntou, sem responder, Kishore Mahbubani, da Escola Lee Kuan Yew de Políticas Públicas (Cingapura).
A falta de respostas para a crise, aliás, foi a tônica do primeiro dia de debates em Davos, por mais que os palestrantes esgrimissem dados imponentes para explicar o pessimismo.
De Stephen Roach: "Este ano será a primeira vez, desde 1945, que a economia mundial se contrai". De George Soros: "A magnitude do problema é significativamente maior do que nos anos 30".
O investidor usou números para justificar a comparação: o crédito, como porcentagem do PIB (Produto Interno Bruto), subiu de 160% em 1929 para 260% em 1932, como consequência da deflação e da queda da atividade econômica.
Já nesta crise, o crédito, que era 360% do PIB em 2008, aumentará até 500% nos próximos anos.
Os pacotes até agora adotados tampouco foram poupados: Roubini, depois de elogiar o novo presidente norte-americano, Barack Obama, como "carismático", e sua "excelente" equipe econômica, disse, coerente com o seu catastrofismo, que nem o melhor plano econômico, ainda que implementado rapidamente, dará um jeito na crise neste ano. Talvez em algum momento de 2010.
A fórmula mais mencionada foi cooperação internacional, defendida por exemplo pelo ministro sul-africano de Finanças, Trevor Manuel. Mas ele foi o primeiro a expressar mais dúvidas do que certezas, a ponto de afirmar que o desafio era "entender o que aconteceu e o que está acontecendo".
Para Manuel, houve uma nítida "falha no sistema multilateral", mas ele próprio manifestou, em conversa à parte com a Folha, suas dúvidas sobre a capacidade de serem corrigidas tais falhas nas reuniões sucessivas do G20 que tratam da reforma da arquitetura financeira internacional -e a África do Sul presidia o G20, o clube das maiores economias do planeta, até 2008, quando transmitiu o posto ao Brasil, que agora o entregou ao Reino Unido. "Não adianta os ministros da Fazenda se entenderem, se os chefes de governo não levarem avante as propostas dos ministros."
Stephen Roach, embora também adepto de um multilateralismo mais ativo, observou que não há, na economia global, um mecanismo de "enforcement" (adoção obrigatória de medidas decididas por uma dada instituição). "Não há prêmios por boa conduta nem castigos por má conduta", afirmou.
No lado empresarial, Ferint Sahenk, presidente do grupo Dogus da Turquia, ironizou seu próprio país ao dizer que a presente crise "é a primeira que não criamos".
Mas depois queixou-se, em um tom que é muito parecido com o que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva tem usado ao tratar do tema: "Fizemos todas as reformas. Por quê estamos sendo punidos?"

 
 
Vendas do varejo brasileiro sobem 2,8% no Natal, aponta Serasa


O comércio brasileiro registrou um crescimento de 2,8% nas vendas da semana de Natal, em comparação ao mesmo período de 2007, de acordo com o indicador divulgado pela Serasa Experian, empresa de pesquisa e análise econômica, nesta sexta-feira (26).

O resultado é inferior ao registrado no ano passado. Em 2007, no período de 18 a 24 de dezembro, o desempenho das vendas do comércio teve aumento de 5,3% em todo o país, quando comparado a igual período de 2006.

Conforme a Serasa Experian, o resultado confirmou o 'otimismo moderado' dos empresários do varejo. Em dezembro de 2008, 39% esperavam aumento das vendas, número inferior aos 59% que acreditavam em expansão dos negócios em 2007.

Para a empresa, os juros altos e o maior endividamento do consumidor influenciaram no resultado do varejo neste fim de ano.

Shoppings

As vendas nos shoppings no período do Natal tiveram aumento real (já com o ajuste da inflação) de 3,5%, segundo dados da Associação Brasileira de Lojistas de Shopping (Alshop). De janeiro a dezembro as vendas cresceram 3,5%.

'O resultado ficou abaixo das expectativas, mas a base de comparação com 2007 era muito elevada', afirmou o presidente da entidade, Nabil Sahyoun. O esperado pela entidade era uma elevação entre 8% e 10% nas vendas.

Entre os segmentos com melhor desempenho de vendas no Natal estão o de perfumaria e cosméticos (9%), óculos e acessórios (14%), vestuário e calçados (4%), eletroeletrônicos (3%), livros, DVDs e CDs (5%). O setor de brinquedos e bolsas, pastas, malas e artigos para viagem apresentaram queda de 5% e 4% respectivamente.

Segundo os dados do setor, em 2008 foram inaugurados 21 centros de compras, totalizando 4.647 novas lojas, gerando 46,5 mil empregos. Ao todo são 689 centros de compras no país, com 85 mil lojas. O faturamento do setor em 2008 chegou a R$ 70,7 bilhões, 6,4% a mais do que em 2007.

Há ainda 79 novos shoppings em obras, dos quais 23 devem ser inaugurados em 2009, com três mil novas lojas e 30 mil novos empregos. O faturamento do setor deve chegar a R$ 74,3 bilhões em 2009. Ao todo os investimento devem chegar a R$ 8,3 bilhões nos próximos dois anos. 
 
26/12/2008 - 12h15

Vendas de fim de ano no varejo nos EUA caem ao menos 5,5%


 

da Folha Online

As vendas na temporada de compras de fim de ano nos EUA tiveram uma queda entre 5,5% e 8% em 2008, na comparação com 2007, segundo dados preliminares levantados pela SpendingPulse, divisão da MasterCard Advisors que compila dados de compras pagas com cartões de crédito e cheques.

Excluídas as vendas de automóveis e gasolina das compras feitas entre 1º de novembro --um sábado, já dentro do feriado prolongado do Dia de Ação de Graças-- e 24 de dezembro --véspera do Natal--, as vendas no varejo tiveram queda de 2% a 4%, segundo o levantamento.

Os dados da SpendingPulse mostram que as vendas de alimentos tiveram desempenho positivo, enquanto as de roupas --em particular de marcas mais caras-- tiveram um resultado fraco. As vendas de roupas femininas caíram 22,7%, enquanto as de roupas masculinas caíram 14,3%. As vendas de calçados caíram 13,5% (a empresa não divulgou dados diferenciados para calçados femininos ou masculinos).

As vendas de artigos de luxo caíram 35% --a SpendingPulse classifica nessa categoria jóias, roupas e artigos de couro situados na faixa que reúne os preços mais altos. As vendas de produtos eletrônicos e eletrodomésticos caíram 26,7%.

Em um outro levantamento, feito pelo ICSC (Conselho Internacional de Shopping Centers, na sigla em inglês), a previsão é de uma queda de 1,5% a 2% neste ano nos EUA, na comparação com o fim de 2007. Nesse levantamento o resultado, se confirmado, será o pior desde 1969. O resultado oficial deve ser anunciado em 8 de janeiro.

Contração

Segundo analistas, a situação crítica do mercado de trabalho e as nevascas no país ou impediram os consumidores de ir às lojas ou simplesmente fizeram com que mantivessem as carteiras fechadas.

No mês passado, o mercado de trabalho perdeu 533 mil vagas e a taxa de desemprego subiu para 6,7%, a maior dos dois mandatos do presidente americano, George W. Bush. Os gastos do consumidor já refletiram essa situação crítica no mês passado, com uma queda de 0,6% --a queda de novembro completou cinco meses de contração, a maior seqüência de perdas desde o início da pesquisa feita pelo Departamento do Trabalho, em 1959.

Reino Unido

A crise ameaça também o varejo britânico. O BRC (Consórcio Britânico do Varejo, na sigla em inglês) informou nesta semana que as vendas no varejo no Reino Unido em dezembro deverão apresentar um resultado fraco. "Teremos os resultados do mês em algumas semanas, e não serão bonitos", disse o diretor-geral do BRC, Stephen Robertson, em um comunicado.

"Apesar da corrida de última hora, está ficando claro que, no geral, esse foi um Natal fraco para os varejistas, enquanto os consumidores cortam gastos e diminuem os negócios", diz o comunicado.

Algumas redes já iniciaram nesta quinta-feira suas vendas com descontos pela internet. Robertson disse, no entanto, que grandes ofertas e competição mais acirrada podem tornar os lucros dos varejistas ainda mais magros. "Descontos e promoções em escala sem precedentes, combinados com vendas fracas, colocam as margens [de lucros] sob tremenda pressão", afirmou. 
 
São Paulo, sexta-feira, 30 de maio de 2008 



LUIZ CARLOS MENDONÇA DE BARROS 

"Decoupling", a prova final


Os EUA não entraram em recessão porque suas empresas desviaram sua produção para outros países

A LEITURA cuidadosa dos números do PIB americano relativo ao primeiro trimestre de 2008 nos mostra a intensidade do que se convencionou chamar de "DECOUPLING". Essa expressão tem sido usada nos últimos anos para chamar a atenção para um novo equilíbrio na economia mundial. Nesse novo mundo global, a economia americana já não tem mais a mesma posição de liderança que caracterizou as últimas décadas. No passado, o ciclo econômico nos Estados Unidos influenciava de forma marcante, e quase sincronizada, o comportamento das outras nações. 
Na virada do século, esse equilíbrio começou a mudar com a ascensão da China como economia de primeira linha. Com ela, vários outros países passaram a pesar na dinâmica do mercado global, levando a uma redução do peso americano na formação do PIB do mundo. O economista Jim O'Neill, do banco de investimento americano Goldman Sachs, foi o primeiro a alertar para essa nova realidade. Os chamados Brics, grupo formado por Brasil, Rússia, Índia e China, seriam no futuro próximo um novo centro dinâmico no equilíbrio mundial. 
Posteriormente ele adicionou outras economias menores e em estágio menos avançado de desenvolvimento a esse novo centro de poder econômico. Chamou-as de "NEXT ELEVEN". Esse grupo de países, mais alguns dos tigres asiáticos já envelhecidos pelo tempo, teria força suficiente para tornar o ciclo da economia americana menos importante no contexto global nas próximas décadas. Como toda coisa nova em economia, esse novo quadro de equilíbrio de forças foi recebido com certo escárnio pelo analistas econômicos mais conservadores. Mesmo aqui no Brasil, um dos países que mais se beneficiam com esse novo quadro, essa novidade foi questionada por muitos. 
Minha defesa entusiástica do fenômeno dos Brics nesta coluna também foi, várias vezes, recebida com risos irônicos. A crise na economia americana provocada pelo colapso do mercado imobiliário representou um teste muito duro para a tese do "DECOUPLING". A desaceleração na Europa parecia ser uma prova inconteste da absoluta dominância do ciclo econômico nos Estados Unidos nas várias regiões do mundo. Analistas mais afobados, inclusive o criador dos Brics, passaram a falar de um "RECOUPLING", ou seja, a volta do domínio americano. 
Os números do PIB no primeiro trimestre recolocam o debate nos seus termos devidos. Nos primeiros três meses do ano, a absorção doméstica nos EUA encolheu 0,1% em relação ao mesmo período de 2007, cruzando a fronteira tão temida da recessão econômica. Já o aumento de estoques pelo setor produtivo adicionou 0,2% ao PIB, fazendo com que a contribuição doméstica total seja de 0,1%. O 0,8% adicional veio da contribuição do comércio exterior, com exportações maiores do que as importações. Nos últimos 12 meses, esse número é superior a 1%. 
Ou seja, a maior economia do mundo não entrou em recessão porque o dinamismo do mundo emergente permitiu que as empresas americanas desviassem sua produção para outros países. As exportações crescem a taxas próximas a 15% ao ano há muitos meses. 
Esse fenômeno fica ainda mais claro quando analisamos os resultados das empresas americanas nesse período. Sem considerar as instituições financeiras, os ganhos no mercado doméstico apresentaram uma redução de 2,6% em relação ao mesmo período do ano passado. Já os lucros das empresas nas suas atividades no exterior tiveram um aumento de 35% nesse mesmo período. Façam seus julgamentos... 


LUIZ CARLOS MENDONÇA DE BARROS , 64, engenheiro e economista, é economista-chefe da Quest Investimentos. Foi presidente do BNDES e ministro das Comunicações (governo FHC). 
 
 
São Paulo, domingo, 21 de dezembro de 2008 



Sem caixa, redes varejistas já dão calote

Asfixiados pela falta de crédito e pelo consumo menor, lojistas deixam de pagar a indústrias, que acionam seguradoras

Atingidas pela retração, concessionárias de carros e redes de eletroeletrônicos e têxteis negociam a sua venda para grupos maiores

CRISTIANE BARBIERI
DA REPORTAGEM LOCAL 

Nos primeiros 19 dias de dezembro, a seguradora de crédito Coface teve de pagar a 103 companhias que forneceram seus produtos, mas não receberam de seus clientes. Do total, 80% das empresas que não honraram seus compromissos eram redes de varejo -concessionárias de carros, pequenas cadeias de supermercados, eletroeletrônicos e têxteis, que compraram, mas não conseguiram pagar aos fornecedores.
Nos meses anteriores, a Coface tinha pago, em média, 60 sinistros ao mês. Até o fim de dezembro, a seguradora espera ter 115 deles, sendo que o volume de reservas -a quantia de dinheiro que separa para pagar as perdas dos segurados- foi quatro vezes superior às reservas médias do ano. "Houve quebras de grandes varejistas regionais e, por isso, as reservas aumentaram", diz Fernando Blanco, presidente da Coface, que detém quase 50% do mercado de seguro de crédito no país. "Alguns deles tinham faturamento anual de R$ 300 milhões a R$ 500 milhões."
Na Crédito y Caución, que também segura valores que serão recebidos pelas empresas, houve 20 sinistros de agosto a novembro, 125% a mais do que no mesmo período de 2007. A maior parte, foram pequenos varejistas das áreas de eletroeletrônicos e têxtil.
Como parte do mesmo cenário, as grandes redes têm recebido ofertas de cadeias pequenas que querem ser compradas. As mesmas oportunidades têm sido oferecidas a fundos de investimento e estão em consultorias que têm mandatos de negociação para vendê-las.
"Como a economia vinha crescendo forte, os varejistas estavam muito estocados, com o caixa baixo e dívidas bancárias altas", afirma Blanco. "Mas os bancos chamaram o crédito que concediam, os consumidores pararam de comprar e o varejo vive um momento de asfixia de liquidez."
Apesar de a maioria dos especialistas não acreditar em uma quebradeira generalizada no setor nem esperar a derrocada imediata de uma grande rede de varejo, os sinais de crise estão por todos os lados.
A inadimplência no comércio, medida pelo número de inscritos no SCPC (Serviço Central de Proteção ao Crédito), não só cresceu em dezembro como, pela primeira vez desde 2003, teve número maior de novos registros do que de pessoas que renegociam a dívida. Além disso, tanto as consultas para vendas à vista (pelo Usecheque) como as feitas para vendas a prazo (no SPC) caíram em novembro.
A queda na venda de carros de 29,5% em novembro em relação a outubro também foi forte, apesar de parcialmente minimizada pela redução do IPI anunciada pelo governo.

 
 
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