Arts & Culture

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1917 - 1923

Palácio da Bolsa Oficial de Café

A construção do prédio apresentada por meio dos relatórios de acompanhamento das obras

Antes da construção
A Bolsa Oficial de Café foi autorizada a funcionar por decreto do governo estadual em 28 de abril de 1917 para centralizar as operações e as informações comerciais sobre o produto, assim como registrar os negócios realizados pelos corretores oficiais. Além disso, oferecia um serviço de classificação de café. Funcionou em seus primeiros anos no andar térreo de um edifício na esquina entre a rua 15 de Novembro e rua do Comércio (antiga Sto. Antônio).

Pode-se ver: a mesa do presidente na ponta; as cadeiras dos síndicos, próximas a ela; as cadeiras para os corretores; ao fundo, os quadros de cotações.

O classificador e seus assistentes faziam a classificação do grão, contabilizando os defeitos e grãos imperfeitos para definir a qualidade da amostra (lata de 300g).

O controle das informações era essencial para o funcionamento da Bolsa. Todas negociações, corretores e empresas eram registrados em livros específicos.

A construção
O número de corretores oficiais, não possuindo número fixo estipulado em estatuto, era de 21 em 1919 e em 1920 chegava a 52 empossados. No dia 27 de janeiro de 1920 foi enviado ofício pela Secretaria da Bolsa Oficial e Câmara Sindical dos Corretores de Café ao Governo do Estado que dizia: "O grande desenvolvimento que tem tomado os negocios a termo na Bolsa Official de Café, e, como consequencia natural desse facto, o augmento sempre crescente do numero de corretores, que já attinge a 52 empossados, afóra mais dois que estão se habilitando, obrigam-me a pedir a V. Excia. providencias para que se inicie a construcção do edificio da Bolsa o mais breve possivel. Embora estejamos instalados em um dos maiores salões de Santos, os corretores se acham entretanto tão unidos uns aos outros e tão comprimidos pelos operadores, que lhes é penoso suportar o grande calor desta epocha, apezar de funccionarem no salão tres ventiladores. Alem disso o salão comporta apenas 46 cadeiras, de modo que lhes prejudica immensamente. O espaço para os operadores é tambem insufficiente e a aglomeração a que são obrigados lhes desagrada e é causa constante de reclamações, occasionando muitas vezes a ausencia de muitos que assim deixam de operar em detrimento de seus interesses e da propria Bolsa que por essa forma tem seus negocios diminuidos". No mês seguinte o Governo do Estado lança decreto declarando serem de utilidade pública os terrenos e prédios situadas no local escolhido para a sede da Bolsa, autorizando suas desapropriações. 

Trabalhadores atuam na demolição dos prédios sitos à praça Azevedo Júnior (atual rua Tuiuti).

Enquanto, ao lado, um trabalhador descarrega sacas de uma carroça no edifício ao lado.

Vários prédios e terrenos nas R. XV de Novembro, R. Frei Gaspar, Praça Azevedo Junior e Largo Senador Vergueiro foram desapropriados para a construção da sede da Bolsa

Os terrenos e edifícios, muitos pertencentes à Dna. Escolastica Melchert da Fonseca, foram adquiridos pelo valor de 1.058:440$000 (mil e cinquenta e oito contos e quatrocentos e quarenta mil réis).

A Companhia Construtora de Santos, de Roberto Simonsen, foi contratada para realizar o empreendimento. A construtora fazia relatórios mensais sobre o andamento das obras.

Os relatórios contém informações importantes como: processos construtivos; material e capital utilizados; trabalhadores envolvidos; dificuldades encontradas.

Grande volume de aterro era retirado durante as escavações para que se pudesse fazer a fundação do edifício. Foram encontradas galerias pluviais que dificultaram o serviço.

Pedras de alicerces antigos também dificultavam as escavações.

O radier era a fundação da torre. Ela foi projetada para ser o ponto mais alto de seu entorno, podendo ser avistada tanto do estuário, quanto por quem vinha pelas ruas Frei Gaspar e XV de Novembro.

Detalhe para a praça Azevedo Júnior ao fundo, existente à época da construção do edifício, bastante citada nos documentos e que, nos dias de hoje, dá lugar à rua Tuiuti.

Início da subida das primeiras vigas estruturais para concreto armado.

Contratação da Pirie Villares & Cia. com descrição técnica dos elevadores a ser comprados para obra e funcionamento do palácio.

A compra de 3 elevadores para o prédio já indicava as expectativas quanto ao fluxo de pessoas na Bolsa.

Definição da compra do soalho de peroba; o material foi guardado em depósito até o momento de sua colocação, junto com outros materiais que ainda seriam comprados para o edifício.

Umas das entradas para a Bolsa era situada frente à Praça Azevedo Junior.

A primeira parte a ser levantada em concreto armado foi a área da torre,frente à Praça Azevedo Junior, sendo a região do pórtico da 15 de novembro e salão do pregão consolidada posteriormente.

Todas etapas da construção eram supervisionadas pelos engenheiros e, às vezes, pelo próprio Roberto Simonsen.

Primeira menção nos documentos sobre a contratação de Benedicto Calixto para pintura de telas que comporiam o salão do pregão. O escultor Antonio Sartorio também é mencionado para as esculturas.

Inicialmente, foi encomendada apenas a tela central, já aparecendo com título de "Fundação de Santos".

Contrato de Benedicto Calixto para confecção da tela "Fundação de Santos por Braz Cubas em 1547" (sic).

Considerações sobre os terrenos vizinhos e a subida da parede que abrigaria a tela de Benedicto Calixto, considerando a possível entrada de umidade que prejudicaria a tela.

A legislação santista limitava a altura dos edifícios, de modo que a Bolsa teria apenas 3 pavimentos. Por intervenção do Governo do Estado foi possibilitada a construção de um quarto pavimento.

Com o adiantar da obra percebe-se o aumento da quantidade de operários contratados, fato citado diversas vezes na documentação.

Atingia-se aqui a terceira lage, sendo concomitante a construção na ala sul da cúpula que abrigaria o vitral.

Começava a ser feito o trabalho de cantaria do peristilo da rua 15 de novembro com assentamento de suas colunas.

O termo peristilo, frequentemente citado na documentação, é atribuído ao conjunto de colunas e cúpula sobre a entrada do edifício frente as ruas XV de Novembro e Frei Gaspar.

Neste momento, aponta-se a presença de 108 operários diversos, número que variava mês a mês.

O restaurante no terceiro andar, que funcionou até a década de 1970, não foi previsto no projeto inicial, sendo incluso já com as obras em andamento.

O escultor Antonio Sartorio entregou os modelos esculturais para a fachada da Bolsa, representando o Comércio e a Agricultura.

Contrato do escultor Antonio Sartorio com a Companhia Construtora de Santos, contendo características desejadas para as esculturas do pórtico.

Os trabalhos mais especializados dos artífices começavam a ser contratados. Ressalta-se os canteiros que faziam o trabalho em granito róseo na base do palácio da firma dos irmãos Longobardi.

Foi apontada a demanda por serviços de cantaria em São Paulo e no Rio de Janeiro: era a preparação para as Comemorações do Centenário da Independência do Brasil que seria realizada no ano seguinte.

Conforme o prazo para a inauguração (7 de setembro de 1922) se aproximava, aumentava a urgência das obras e, consequentemente, a de operários envolvidos, neste mês chegando quase a 300.

Nesse documento citam-se as firmas Cia. Artes Decorativas (estuques em gesso e simili-pierre), Battenfeld (madeira) e Puccinelli (ferro ornamental).

À Sociedade Artes Decorativos coube os revestimentos internos de grande parte do prédio, utilizando principalmente simili pierre (espécie de argamassa que imitava pedra).

Galeria do mezanino do salão do pregão, um dos ambientes decorados pela Cia. Artes Decorativas.

Detalhe para a iluminação que existia em meio aos estuques de gesso da galeria do mezanino do salão do pregão.

Vê se, em primeiro plano, o salão de conversação; ao meio o salão do pregão; ao fundo, atrás das divisórias, a secretaria da Bolsa.

A secretaria da Bolsa já mobiliada.

Contratação do belga Adrian Van Emelen para confecção das quatro esculturas decorativas que comporiam o topo da torre, quando concluída.

Nesse momento também contratou-se tardiamente Benedicto Calixto para suas duas telas auxiliares que comporiam o salão do pregão: Santos em 1822 e 1922.

Figura confeccionada por Adrian Van Emelen que simboliza o comércio.

Um dos elementos que indicam sua menção ao comércio é o capacete com asas, como utilizado nas figuras de Hermes (Grécia) e Mercúrio (Roma).

A sua esquerda, o caduceu, que repete-se em outros motivos decorativos do edifício, também faz alusão ao comércio.

Figura confeccionada por Adrian Van Emelen que simboliza a Agricultura.

Sua representação traz um pano sobre a cabeça como uma camponesa européia.

Detalhe para os objetos que aparecem representados: uma ferramenta de trabalho e um ramo de café.

Figura confeccionada por Adrian Van Emelen que simboliza a Navegação.

Como representação da navegação Van Emelen utilizou-se do capacete naval e a âncora.

Figura confeccionada por Adrian Van Emelen que simboliza a Indústria.

Como representação da indústria foram utilizadas engrenagens de máquinas e um martelo de ferreiro.

Além disso uma pessoa aprece na imagem, levando a crer ser o próprio escultor belga Adrian Van Emelen.

É mencionada a oficina A. Grandi para a porta de entrada da Bolsa.

Para manter o cronograma da construção, os trabalhos foram estendidos para o período noturno.

É citada a necessidade de operários hábeis para o trabalho de cantaria com granito róseo, material utilizado nas colunas do pórtico.

Para os serviços em mármore - material presente em várias partes do edifício, mas predominante no salão principal - foram contratadas a marmoaria Carrara e Tomagnini e a marmoaria G. Rovida & Cia.

Para fazer o mobiliário do salão onde seriam realizados os pregões foi contratada "A Residência" de Blumenschein & Cia.

As mais de 80 peças confeccionadas em imbuia, sob um estrado de jacarandá, compõe o coração da Bolsa Oficial de Café. Atrás delas estão as telas de Benedito Calixto.

Menção à contratação da Casa Conrado para construção dos vitrais.

As esculturas do pórtico encomendadas para Antonio Sartorio foram reproduzidas pelo "Professor De Giusti" indicando que ele talvez lecionasse no Liceu de Artes e Ofícios de São Paulo.

Escultura representando o Comércio reproduzida pelo professor De Giusti baseada no modelo de Sartorio, destinada ao pórtico da XV de Novembro.

Novamente observa-se a presença de elementos de Hermes e Mercúrio, como o capacete com asas e o caduceu.

Os ladrilhos de grês cerâmicos, utilizados em alguns corredores e na sala de classificação, foi um dos vários materiais importados para esta obra.

Para decorar o teto do salão principal foi encomendada mais uma obra de arte de Benedito Calixto, executada pela Casa Conrado. O vitral busca contar a história do Brasil sob a perspectiva paulista.

A preocupação com a inauguração do edifício marcada para o dia 7 de setembro, comemoração do 1º Centenário da Independência do Brasil, fica evidente nos últimos relatórios da construtora.

Um mês antes da inauguração,a parte principal do edifício estava terminada. Era exaltado o detalhamento e a riqueza de sua decoração.

Inauguração
A inauguração do Palácio da Bolsa Oficial de Café integrou as Comemorações do 1º Centenário da Independência do Brasil junto com outros edifícios e monumentos. Longe de ser apenas uma data comemorativa, representou o esforço de vários estados - principalmente Rio de Janeiro e São Paulo - em construir uma imagem de modernidade e civilidade e firmar seu papel na identidade nacional. O edifício da Bolsa expõe o imaginário republicano paulista ao utilizar uma linguagem simbólica que, ao mesmo tempo que valoriza a presença dos bandeirantes no passado, propagandeia o progresso do café em seu tempo. 

Sua inauguração foi apressada, feita ainda com a torre em construção.

Sua torre só seria concluída no ano seguinte, em 1923.

Detalhe do trabalho de cantaria em granito róseo.

Detalhe das esculturas idealizadas por Sartorio e executadas pelo professor De Giusti.

Museu do Café
Credits: Exhibit

GOVERNO DO ESTADO DE SÃO PAULO

GERALDO ALCKMIN
Governador do Estado

MARCELO MATTOS ARAUJO
Secretário de Estado da Cultura

Renata Vieira da Motta
Coordenadora da Unidade de Preservação do Patrimônio Museológico

MUSEU DO CAFÉ

Roberto Penteado de Camargo Ticoulat
Presidente do Conselho de Administração

Guilherme Braga Abreu Pires Filho
Comitê Executivo

Eduardo Carvalhaes Junior
Comitê Executivo

Marília Bonas Conte
Diretora Executiva

Rogério Ítalo Marquez
Diretor Administrativo

Alessandra Almeida
Gerente de Controladoria Geral

Thiago Santos
Gerente Administrativo

Caroline Nóbrega
Gerente de Comunicação Institucional

Marcela Rezek Calixto
Coordenadora Técnica

Bruno Bortoloto do Carmo e Pietro Marchesini Amorim
Pesquisa e Curadoria

Bruno Bortoloto do Carmo e Pietro Marchesini Amorim
Produção

Credits: All media
The exhibit featured may in some cases have been created by an independent third party and may not always represent the views of the institutions, listed below, who have supplied the content.